sábado, 11 de abril de 2020

CRÍTICA| THE MAN IN THE HIGH CASTLE - LIVRO E SÉRIE DE TV



"Verdade, ela pensou. Tão terrível quanto a morte. Mas mais difícil de encontrar"

Conheci O HOMEM DO CASTELO ALTO através do piloto da série lançado em 2014. Apenas com um episódio me encantei com trama, os personagens e a ideia do programa. Logo em seguida descobri seguida que a série não teria continuação e aguardava até que uma emissora comprasse a produção. 


Por acaso chegou ao meu conhecimento que O HOMEM DO CASTELO ALTO na verdade se chamava THE MAN IN THE HIGH CASTLE e era um livro bem conhecido do Phillip K. Dick, mesmo autor do livro que inspirou o filme Blaide Runner, além de outras grandes produções como Minority Report, O Vingador do Futuro, e Os Agentes do Destino.


Pois bem, consegui ler o livro, que particularmente é bem diferente da série. A ideia do K. Dick é que em um mundo alternativo a Segunda Guerra Mundial durou de 1939 até 1948, e que o final desse grande capítulo da história da humanidade aconteceu diferente de como conhecemos. Seguimos então a seguinte prerrogativa: 

"E SE NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AO INVÉS DOS ALIADOS (EUA, FRANÇA, INGLATERRA) TEREM VENCIDO A GUERRA, QUEM VENCEU FOI O EIXO (ALEMANHA, JAPÃO, ITÁLIA)?"

"O QUE ACONTECERIA COM UMA AMÉRICA DIVIDIDA EM DOIS PAÍSES, IGUAL O QUE ACONTECEU COM A ALEMANHA DO PÓS-GUERRA?"


"Para cada evento no nível quântico, o universo atual se divide em múltiplos universos. Isso significa que, para cada escolha que você faz, existe um número infinito de universos nos quais você fez uma escolha diferente"
~Nicola Yoon (tradução literal)

A criação de mundo do K. Dick aborda justamente essa duas questões, em uma América dividida, conquistada em um lado pelo Japão Imperial e no outro pela Alemanha Nazista, que após conquistar a Eurásia e destruir a África segue com seus planos de dominação do mundo. O livro é bem original, mas deixa muito a desejar, e a série acaba sendo um ótimo complemento.

A série ainda na primeira temporada avançou em muita a ideia original do Phillip K. Dick. Foram 4 temporadas, 40 episódios, baseados em um único livro. Uma única ideia. O drama se passa em 1962, quando a jovem Juliana Crain (Alexa Davalos) recebe uma misterioso fita em que é possível assistir um filme em que os Estados Unidos da América vence a guerra. A partir desse momento Juliana passa a questionar sua realidade, e mesmo sem querer acaba envolvida em uma conspiração liderada pelo Homem do Castelo Alto.



A série então rapidamente se tornou uma das maiores produções da atualidade. O crédito se deve a produção que conseguiu adaptar os melhores momentos do livro e superou de maneira grandiosa a trama escrita por Phillip K. Dick, trazendo muito mais mistério e aquilo que não pode faltar em tudo que é bom: romance! Aliás, tem o melhor triangulo amoroso ever. 

Lançada uma segunda temporada, ficou claro que o show só melhoraria. Incrivelmente a segunda temporada conseguiu ser ainda melhor que a primeira. É uma ótima opção pra quem gosta de dramas sobre a Segunda Guerra Mundial, não só isso, mas também pra quem se amarra em uma boa obra de ficção! A ideia original da série, que é baseada no livro do Philip K. Dick, ainda continua forte na segunda temporada com vários elementos novos adicionados que deixam a trama ainda melhor. 
EDELWEISS: Canção de abertura de THE MAN IN THE HIGH CASTLE. 

O terceiro ano da série marcou um novo começo para a trama. Algo totalmente diferente dos anos anteriores, que inclusive abriu precedentes para para os acontecimentos da temporada final. As realidades alternativas (multiverso) ganharam mais destaque, mostrando ser o principal motor do show. O enredo tornou-se mais denso, mais sombrio, mais cruel. Mais audacioso...

A produção não hesitou em matar personagens queridos, além de trazer um elenco mais diversificado (de figurantes, pelo menos). O show tornou-se menos conservador (finalmente!) e mais cheio de ficção científica! O seriado, como aconteceu com a oitava temporada de The Walking Dead, sofreu de um sério problema de iluminação. As cenas estavam muito mais escuras, além do ar sombrio típico da série. Por vezes era impossível reconhecer muitos detalhes na cena por conta de isso.


A nossa heroína, dona das realidades alternativas, Juliana Crain continuou como minha preferida. Perspicaz e sedutora, ela fez a série acontecer. Houve maior desenvolvimento dos co-protagonistas, Ed e Robert Childan, personagem característico dos livros. Além da Helen Smith que ganhou uma estória sensacional. Do lado japonês, o Inspetor Chefe Kido continua insuportável, fazendo questão de querer se intrometer em tudo sem saber de nada! Tagomi-san se mostrou de grande utilidade e cada vez mais disposto a impedir uma 3ª Guerra Mundial com consequências em diferentes dimensões. Sem dúvidas um ano excelente para a adaptação do Phillip K. Dick.


Já o primeiro episódio da quarta temporada de TMITHC denuncia uma mudança no foco da narrativa da série, que deixa de ser apenas um drama focado na Juliana (rainha da série) e sua contribuição para a queda do Reich e passa a mostrar a participação de outros grupos. A Juliana parece mais paranormal que nunca no início, mas depois tudo é explicado.

Uma coisa que muito me agradou foi que finalmente o show colocou em centro o protagonismo dos afroamericanos na resistência aos japoneses, e contra o Reich. Até então a série dava pouco destaque a lutas dos negros para libertar a América.


Muita coisa mudou no último ano da série. No afã para finalizar a série, cortaram o suspense e em alguns momentos parece que ignoraram boa parte dos acontecimentos das outras temporadas, ou deixaram a entender que elas acrescentaram pouca coisa. Queriam porque queriam terminar a série com reunificação dos EUA e fim do Reich . Ignoraram o triângulo amoroso Frank - Juliana - Joe que eu tanto amava. Inclusive lá vai o SPOLIER: Frank Frink (Rupert Evans) e Joe Blake (Luke Kleintank) não voltam para o último ano do programa.


Apesar dos pesares, gostei bastante do final, até porque seja qual for a série os finais sempre me emocionam. A ideia do fim me atrai. O episódio final é de um desagrado em consenso geral. Poderia ter sido melhor? PODERIA! ah, e ainda sobrou muito material para continuar a história do homem do castelo alto.

RESENHA| LÉXICO



 "- Diga pra mim o que você pensa que é o amor. Estou falando sério, quero saber! 

- Certo - Disse Elliot. É definir a si mesmo através dos olhos de outro. É passar a conhecer um ser humano em um nível tão íntimo que não percebe qualquer diferença significativa entre os dois e ter a consciência de que você é insuficiente sem essa pessoa"

Emily Ruff foi recrutada nas ruas de São Francisco por conta da sua prodigiosa capacidade de persuasão. Admitida em uma escola secreta, onde os alunos não aprendem matérias como em uma escola normal a jovem estuda técnicas de controle da mente baseado palavras específicas. Nesta escola após o treinamento os integrantes recebem codinomes de famosos poetas.

Emily estava com um futuro brilhante pela frente se não cometesse o erro de se apaixonar por outro estudante. Como castigo a jovem recebe uma missão letal.

Em Washington o jovem carpinteiro Wil Park é sequestrado por dois poetas que alegam que ele sobreviveu a algo que não deveria. Sem conseguir lembrar de nada do seu passado, os sequestradores insistem em dizer que o rapaz conhece uma palavrárida, uma poderosa palavra capaz de destruir o planeta.

Os homens alegam que Wil é fundamental para a resolução de uma guerra secreta e peça chave para deter a Virgínia Woolf, uma poeta que não medirá esforços para conseguir a palavrárida.

Em "Léxico" as palavras são sofisticadas armas e o significado do ditado popular "as palavras têm poder" é central na trama. Barry escreve com maestria uma história intensa e capaz de manter o leitor por horas preso nas páginas do livro. A narrativa é rápida e inteligente, e em diversos momentos requer atenção para os detalhes. 

"Léxico" me trouxe a muitas lembranças da minha adolescência e dos inúmeros romances distópicos que li na época. Me lembrou Jogos Vorazes e Divergente e como eu ficava horas tentando descobrir qual seria o futuro das protagonistas. Mas "Léxico" é mais sombrio, mais adulto. O australiano Max Barry sabe usar o que há de melhor na ficção e não tem medo de inventar, conferindo a trama um repertório de ideias originais.

É uma leitura interessante para quem estuda Letras. Além disso, a história desse livro daria um ótimo filme. Já quero!

Editora: Intrínseca. Ano 2015. 368 páginas.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

CRÍTICA| IZOMBIE - TODAS AS TEMPORADAS




Depois de 5 temporadas chega ao fim uma das últimas séries que eu acompanho desde o início. Na verdade o fim foi em 2019, mas só agora assisti. Conheci IZombie em 2014 na minha época de vício por The Walking Dead e tudo relacionado a zumbis.


            
Para quem não conhece, IZombie é uma série do CW, mais tarde adquirida pela Netflix, que teve 5 temporadas e 71 episódios. O primeiro ano foi tão bom para o show, que já na segunda temporada foram acrescentados mais três episódios (19). Infelizmente a audiência diminuiu, e no ano seguinte a temporada três voltou ao formato de 13 episódios.


            
Foi justamente depois da segunda temporada, quando mais uma vez o apocalipse zumbi havia sido adiado, que eu deixei de assistir. Demorei mas em 2020, nas idas e vindas da vida resolvi voltar a assistir IZombie.



Quando terminei a terceira temporada, a qual gostei bastante, aceitei que IZombie definitivamente não seria uma série sobre zumbis do jeito que eu estava acostumado. Na verdade a série é inovadora, e traz uma abordagem bem diferente dos zumbis. Cada episódio se reinventa de uma forma tão engraçada que é impossível não gostar.


Concluída a quarta temporada, segui aguardando uma guerra entre zumbis e seres humanos. Mas nada muito grande aconteceu. Liv continuava trabalhando no necrotério e ajudando nas investigações criminais. O show seguia cômico e bem equilibrado. O casal Liv e Major sempre enrolando. A pobre da Liv em toda temporada consegue um namorado novo só para ver ele morrendo antes do final da temporada e depois ter que voltar para o ex noivo, Major.


            
A última temporada continuou boa, mantendo o padrão das anteriores. Mas meu tempo de fã já havia passado. Gostei muito de IZombie no começo e até comentava cada episódio, cada sequência de mudanças da protagonista, e cada nova investigação. Fico feliz por ter chegado ao final, de forma tão emocionante e respeitando os fãs que acompanharam todos esses anos. Obrigado IZombie!



RESENHA| A DELICADEZA





            Nathalie sempre foi discreta. Teve uma adolescência tranquila e sem problemas. Já na vida adulta preferia passar o tempo estudando. Até que um dia conheceu François. Do encontro por acaso em uma rua de Paris surgiu aquele tipo de amor inexplicável capaz de manter duas pessoas unidas por toda a vida.

            Dos anos de namora ao casamento, Nathalie e François eram felizes e formavam um casal perfeito, do tipo que desperta inveja nos demais. Mas em uma manhã de domingo, igual a todas as demais, o amor perfeito de Nathalie termina de forma trágica quando François morre vítima de um atropelamento.

"Em sete anos de vida em comum, ele tivera tempo de se espalhar por tudo, de deixar alguma marca em toda a respiração dela. E ela compreendeu que nada que pudesse viver dali em diante seria capaz de fazê-la esquecer de sua morte"

            Assim, de uma hora para outra, a felicidade desaparece. Para superar o luto, nos três anos seguintes a bela Nathalie mergulha cada vez mais fundo no trabalho, e é justamente nesse ambiente que conhece o tímido e sem nenhum atributo físico (feio mesmo) Markus. Quando por impulso, Nathalie beija o colega, tem início um romance inacreditável.

            Com uma prosa repleta de referências ao cinema, artes plásticas, literatura e música, David Foenkinos constrói uma história sobre a fatalidade da perda, o amor, sofrimento e nossa incrível capacidade humana de recomeçar.

            A Delicadeza é então um romance simples, que mostra a face delicada de toda emoção humana. Há uma interação entre o autor-narrador e o leitor e diversas notas de rodapé escritas pelo próprio Foenkinos que dão um toque de humor bem sofisticado ao livro.

            É engraçado mas o romance me pareceu uma releitura de Betty, a Feia, onde Markus é o funcionário feio, mas de bom coração que se apaixona pela chefa, a bela Nathalie.

            Recomendo a adaptação, que no Brasil se chama "A Delicadeza do Amor", protagonizado pela maravilhosa Audrey Tautou (Amélie Poulain) e François Damiens (A Família Bélier). Na verdade qualquer filme com a Audrey já vale a pena assistir!

Ano: 2011. Editora: Rocco. 191 páginas.

Às vezes, é melhor reencontrar um amor antigo do que conhecer um novo.
~David Foenkinos

Aquele que contempla a beleza está predestinado à morte.
~Morte em Veneza

Café preto e noite em branco, isso nunca foi uma boa mistura.
~David Foenkinos



RESENHA| DISTÂNCIA DE RESGATE



          
          Em uma viagem de férias no campo, Amanda e a filha Nina, de 4 anos, acabam em um estranho povoado refém de uma misteriosa intoxicação. Nesse povoado marcado pela doença, conhecem Carla e sua inacreditável história sobre a mulher da casa verde.

"FICO PENSANDO SE PODERIA ACONTECER COMIGO O QUE ACONTECEU COM A CARLA. Sempre penso no pior. Agora mesmo estou calculando quanto demoraria para sair do carro e chegar até Nina, se ela corresse repentinamente para a piscina e se atirasse. A isso dou o nome de 'distância de resgate', que é como chamo a distância variável que me separa de minha filha, e passo a metade do dia fazendo esse cálculo, embora sempre seja mais arriscado do que deveria"

            A partir de um momento familiar que poderia ser apenas mais uns dias de férias entre mãe e filha, Samanta Schweblin constrói uma narrativa perturbadora, sempre no limite entre a ficção e o que poderia ser real. Sem saber o que esperar das páginas seguintes, a leitura proporciona momentos de terror e medo.

            Distância de Resgate não é o meu tipo de estória preferida, apesar da tensão e dos elementos psicólogo que eu particularmente gosto bastante. A trama é capaz de prender a atenção do leitor logo no início, mas acaba se tornando confusa. Mas é uma leitura de uma vez só, com poucos páginas, é um romance para ler do início ao fim sem parar.

O livro é o romance de estreia da escritora argentina Samanta Schweblin. No Brasil foi publicado pela editora Record em 2016. Contém 144 páginas.





quinta-feira, 26 de março de 2020

MINHAS CITAÇÕES FAVORITAS| PLEASE IGNORE VERA DIETZ











"Occam’s razor, which, in short, says that the simplest solution is the best solution"

"It seems the older people get, the more shit they ignore"

“If you want to drown, do not torture yourself with shallow water”

"PRACTICE RANDOM ACTS OF KINDNESS"





it’s possible to become the opposite of your destiny"

"The only thing you get from walling yourself in is empty"

"How will I ever soar with the eagles if I’m surrounded by turkeys?"

"Drinking will only hide shit that you should be facing"




So when Charlie dies in dark circumstances, Vera knows a lot more than anyone—the kids at school, his family, even the police. But will she emerge to clear his name? Does she even want to? 








"The first time I realized things were going to get nasty was the first week in April, when Charlie broke our friendship off at the pagoda because he believed the lies Jenny Flick told him. First it was the one where I told the whole school about his dad beating his mom. Then, a few days later, she told him that I told people that his penis was small"

"But then, in late April, Jenny told him that I’d told the whole junior class that he was gay, and he finally retaliated by sharing the most obvious ammunition, which was the fact that my mother was once a stripper"







“What do the gynecologist and the pizza deliveryman have in common?”

“They both get to smell the goods but neither one of them can eat it”

"Vera's spent her whole life secretly in love with her best friend, Charlie Kahn. And over the years she's kept a lot of his secrets. Even after he betrayed her. Even after he ruined everything"





























RESENHA| EL MUNDO Y SUS DEMONIOS: La ciencia como una luz en la oscuridad



"Si supiéramos de antemano lo que íbamos a encontrar, no tendríamos necesidad de ir"

A primeira leitura da quarentena é de autoria do brilhante Carl Sagan. O mundo e seus demônios é um conjunto com vinte e cinco artigos, dos quais quatro são em co-autoria com Ann Druyan (viúva do autor). Os textos versam sobre diferentes assuntos relacionados a ciência e sua importância para a sociedade, abordando principalmente  o tema da divulgação científica, paixão do autor.

Antes de iniciar a leitura eu conhecia bem pouco do trabalho do Carl Sagan, e tinha uma vaga ideia de quem ele foi. Ter acesso a uma obra como esta mudou tudo que eu sabia sobre o autor, que hoje considero um dos meus heróis pessoais, ao lado de Charles Darwin e Oscar Wilde. O trabalho apresentado por Sagan traz uma série de reflexões sobre a forma de produzir ciência, os requisitos indispensáveis para o pesquisador e as implicações do savoir faire científico. Sagan foi um grande divulgador científico,e trabalhou duro para a popularização da ciência, o que é claro em sua escrita que apesar do rigor científico, é um texto simples de ler, e acima de tudo, é interessante.

Sagan foi um ser humano ímpar, extremamente cético o autor trabalhou diretamente para o governo norte-americano com pesquisas buscavam evidências de vida alienígena em outros planetas. Foi um ferrenho defensor da ciência, criticou o irracionalismo e a superstição que imperava em seu tempo, e que ainda hoje são marcas da nossa geração. O autor-cientista não poupou criticas a religião, e as pseudociência (a título de nota: astrologia). Apresentou explicações racionais para as diversas aparições de óvnis, abduções alienígenas, curas milagrosas, visões, e diversos fenômenos considerados sobrenaturais.

De maneira igual, acredito que a ciência deve ser nossa mais confiável fonte de explicação para o inexplicável. Nossa maior fonte de esperança de progresso, melhoria na qualidade de vida e de um futuro melhor para todos. Investir em ciência é confirmar que a nossa existência pode ser melhor ainda nesse "plano astral" sem esperar nada depois do último sopro de vida. Sagan também avalia o acesso ao conhecimento científico como importante ferramenta para transformação de uma sociedade mais democrática e critica os governos que não investem em ciência e mesmo assim esperam que a sociedade evolucione em direção ao progresso. Bastante atual, o descaso do governo com a ciência mostra sua pior face em épocas de crise, como a que vivemos em plena pandemia.

Um grande agradecimento ao meu amigo @juanyule que me presenteou com o livro, uma dedicatória linda e marcações nas melhores citações (tqm amigo <3)

Editora: Planeta. Ano: 1998. 493 páginas.

CITAÇÕES FAVORITAS:



"Si no conseguimos entender cómo funcionó la última vez, no seremos capaces de reconocerlo la próxima vez que surja"

"Ubi dubium ibi libertas
Donde hay duda, hay libertad"

"Es mejor la verdad por dura que sea que una fantasía consoladora. Y, a la hora de la verdad, los hechos suelen ser más reconfortantes que la fantasía"

"Porque el hombre cree con más disposición lo que preferiría que fuera cierto. En consecuencia rechaza cosas difíciles por impaciencia en la investigación; silencia cosas, porque reducen las esperanzas"
~FRANCIS BACON, Novum Organon (1620)

Para algunos , el satanismo es cualquier sistema de creencia religioso distinto del suyo propio.
~Lanning

"El teólogo Meric Casaubon - en su libro de 1668, De la credulidad y la incredulidad - argüía que las brujas debían existir porque, al fin y al cabo, todo el mundo cree en ellas. Cualquier cosa en la que cree un gran número de personas tiene que ser cierta"

"Hay mundos poseídos por demonios, regiones de total oscuridad"
~Upanisad de Isa

"El secreto, con pocas excepciones, es profundamente incompatible con la democracia y la ciencia"

"Si supiéramos de antemano lo que íbamos a encontrar, no tendríamos necesidad de ir"

"Moralmente es tan malo no querer saber si algo es verdad o no, siempre que permita sentirse bien, como lo es no querer saber cómo se gana dinero siempre que se consiga"
~Edmund Way Teale

"¿Nos interesa la verdad? ¿Tiene alguna importancia?"

... donde la ignorancia es una bendición es una locura ser sabio...
~Thomas Gray












RESENHA| O SOL TAMBÉM É UMA ESTRELA



"The thing about falling (in love) is you don’t have any control on your way down"

Não me lembrava mais de como é chegar nas páginas finais de um livro e estar chorando porque a história definitivamente havia mexido comigo. Hoje a lembrança se fez real. E foi incrível.

Os capítulos finais de The Sun Is Also a Star (Sol Também É Uma Estrela) coincidiram com um momento especial da minha vida. Com uma despedida e junto do adeus as promessas que não se tornaram realidade. As promessas de manter contado, do reencontro, e de não esquecer. A promessa do para sempre.

Entre história e estória, o tempo e a distância foram inimigos, e as expectativas do "era para ser" não resistiram.

O romance de Nicola Yoon é sobre o encontro de duas almas que em um curto período de tempo descobrem o amor e a necessidade de permanecer juntos. Infelizmente a vida não é um conto de fadas e a autora se aproveita disso para apresentar a história de uma garota Jamaicana vivendo nos EUA, não documentada, prestes a ser deportada, e um rapaz coreano-americano a caminho de uma entrevista que pode mudar seu futuro.

Após se conhecerem por acaso em Nova York, os jovens descobrirão que dentre todas as coisas, no amor raramente termina como planejado.

Dono de ótimas citações sobre amor, ciência e pragmatismo, minha paixão pelo livro foi desde o início, do início mesmo quando ainda no prólogo a autora cita Carl Sagan. Depois me identifiquei muito com a Natasha, a fascinação pelo Universo e sobretudo sua crença baseada na ciência e nos fatos. O Daniel também conquistou um lugarzinho no meu coração, com sua vontade de viver da poesia, sua crença no destino, no amor e nas coisas boas da vida. A forma como Yoon escreveu os capítulos, simples e curtos, como o romance, deixaram a narrativa mais próximo do leitor. Uma coisa bacana do livro é que a autora dá voz a personagens invisíveis do nosso dia a dia, como a garçonete, o advogado, a secretária, e o segurança do prédio. Todo mundo tem algo para dizer sobre a vida. Todos os satélites são importantes em nossa constelação.

Por fim, recomendo de coração TSIAAS. É uma leitura leve, divertida e rápida. E desculpa gente mas tô emotivo. Sou do signo "romances adolescente YA" com ascendente em "casais que não podem ficar juntos". Sétima leitura do ano concluída com sucesso!

CITAÇÕES FAVORITAS:

"time and distance are love’s natural enemies"

"How did we go from eyes as a survival mechanism to the idea of love at firsts ight? Or the idea that eyes are the windows to the soul? Or to the cliché of lovers staring endlessly into each other’s eyes?"

"Some people exist in your life to make it better. Some people exist to make it worse"

"People in love want everyone else to be in love"

"The thing about falling (in love) is you don’t have any control on your way down"

"You can’t persuade someone to love you"

"Kissing is just another way of talking except without the words"

"Can you imagine living your whole life thinking you made a mistake"

“IT’S HARD TO LOVE SOMEONE who doesn’t love you back"

"To grow up is to grow apart

"And love is not love if it’s not requited, right?"

"Why choose the practical thing, the mundane thing? We are born to dream and make the things we dream about.”

"For every event at the quantum level, the current universe splits into multiple universes. This means that for every choice you make, an infinite number of universes exist in which you made a different choice"

"You can’t always see God’s plan”

"I want to tell him that maybe he shouldn’t leave everything up to God and that hoping against hope is not a life strategy"



terça-feira, 3 de março de 2020

CRÍTICA| A GAROTA NA TEIA DE ARANHA



Confesso que esperava bem mais de um filme sobre a Lisbeth Salander, e se estou decepcionado a culpa é toda minha por gostar tanto da trilogia Millennium. Os personagens são os mesmos da trilogia original, escrita por Stieg Larsson e que eu amo, porém, o livro que origina essa nova adaptação, A GAROTA NA TEIA DE ARANHA, foi escrito por David Lagercrantz, após a morte precoce do Larsson. Não cheguei a ler a nova trilogia, de autoria do Lagercrantz, e estou com receio de começar a leitura e não gostar por não ser idêntica a escrita do Larsson.

Outro ponto é que quando assisti pela primeira vez a versão americana de Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres senti uma vontade imensa de ler o livro logo após, e não sosseguei até conseguir. Infelizmente não senti essa curiosidade de leitor com essa nova adaptação. Lagercrantz fez um bom trabalho, e soube aproveitar o passado da personagem Lisbeth e sua irmã Camila, que é sem dúvida a maior incógnita da trilogia do Larsson, mas faltou a áurea de mistério característica da narrativa do Larsson.

Outro ponto em desfavor a nova adaptação é que sou particularmente grande fã do Daniel Craig e da Roney Mara e acho que eles ficaram perfeitos no papel de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, que nesta nova produção ficou protagonizado pela Claire Fox e o Sverrir Gudnason. Como eu disse no início, acredito que o fato de não ter gostado é puramente por comparar o trabalho de dois autores diferentes e esperar que não haja diferenças (detalhe é que eu deveria estar comparando os livros e não os filmes), pois no geral, A Garota Na Teia de Aranha, é um filme bacana e uma produção sofisticada, formidável para quem busca um filme com o simples objetivo de descontrair.


CRÍTICA| THE CHILLING ADVENTURES OF SABRINA



Eu amei O mundo Sombrio de Sabrina desde o princípio. A série atualmente é uma das que mais me atrai. Pelo conteúdo satânico e tudo mais. A gente acaba torcendo pelo lado mal da história?  Por exemplo, escolhendo torcer pelas bruxas ao invés de apoiar os anjos (adicione esse fato a sua lista de motivos para ganhar área Vip no inferno, taokei?). Ah, e alguém manda o Conselho Tutelar na casa da Sabrina, que ela ficou sem estudar a temporada inteira. A madame aparecia na escola de turista e sempre saía depois do recreio....

Tudo bem em dizer que a Sabrina não é a melhor protagonista de todas, sempre trouxa quando o assunto é macho, mas a série tem tanto outros personagens bacanas e o segundo ano foi legal por isso: maior desenvolvimento ao arco da Roz, Prudence, Tia Zelda... Personagens com um potencial enorme e com atrizes fantásticas. E cá entre nós, os homens dessa série são tudo um nojo! Ninguém merecia esse triangulo amoroso ao estilo Crepúsculo a temporada inteira...

Após as duas primeiras partes icônicas, a terceira parte chegou extremamente lenta, e não consegui gostar como as anteriores. A trama não ficou legal, fugiu bastante dos elementos mais interessantes da parte um e dois. Sabrina sempre boazinha que até parece algum tipo de heroína da Marvel. Apesar dos pesares, a terceira parte tem alguns bons momentos. Lilith na minha humilde opinião é a melhor personagem. Tia Zelda vem em segundo lugar.

CRÍTICA| LOST IN SPACE - 2ª TEMPORADA




A primeira temporada da série é lenta e pode até parecer entediante, mas com o decorrer dos episódios a trama começa a ficar interessante e melhora muito até chegar na segunda temporada. O formato compacto do programa torna a trama sólida, com começo, meio e fim bem definidos. A parte do espaço é bem explorada e os episódios possuem uma trilha sonora bem bacana. A produção surpreende nos efeitos especiais de ótima qualidade, pois quando pensamos em séries a espera é sempre de algo mais econômico. Então obrigado Netflix por investir dinheiro no projeto e tornar a série tão boa.


A narrativa no segundo ano da série inicia com um salto temporal, ou que eu gosto de chamar de "o problema de trabalhar com crianças que crescem na vida real além da idade de seus personagens". Mas esse detalhe não tem nenhuma relevância para o desenvolvimento da segunda temporada, que apresenta episódios realmente emocionantes. O episódio 4 meu foi meu preferido, que trouxe desde descrições geológicas até perfuração de poços, com direito a frase do Will "eu gosto de geologia".


Sobre os personagens, a pobre da Penny é a mais burra da família, palavras da Dra. Smith inclusive. É uma personagem subutilizada, e as linhas de roteiro são igualmente sofríveis, porque ela quase sempre não contribui em nada para a discussão e só acrescenta coisas como "acho uma boa ideia" e "eu também acho". Por isso concordo que a Penny deve passar mais tempo com a Dra. Smith e aprender mais da vida, já que inteligente ela não é, resta aprender outras habilidades.


Apesar da Penny ter passado no teste e o Will não, como a série é sobre o Will e o Robô, ele tem que sempre ser a criança prodígio. Esse segundo ano faltou romance, faltou acontecer algo entre a Judy e o Don, já que ambos do ponto de vista técnico são importantíssimos seria legal estarem juntos. Don West é o típico anti-herói, que sempre está tentando se dar bem, mas no fundo é um bom homem. Maureen e John são dois pés no saco, muito puros, bonzinhos demais e eu detesto esse complexo deles de sempre querer salvar todo mundo. Além do mais acho esse papo família bem entediante.


Gosto da Dra. Smith e adorei a personagem ter ganhado mais importância na segunda temporada. Ela é o que realmente se deve esperar de uma pessoa em uma situação de perigo e risco a própria vida. Autêntica. Outro personagem que gostei da evolução foi o Robô. "NÃO, WILL ROBINSON" foi o auge.


Resumindo: Lost in Space é um show para família, onde sempre reina a dicotomia entre bem e mal. O bem sempre vence e mesmo os personagens malvados são no fundo boas pessoas. Gosto de comparar essa série com The 100, e quem viu ambas as séries vai vez por outra reparar algo em comum, como a facilidade que a narrativa encontra em se prolongar, vulgo vamos passar cada temporada perdidos em um planeta diferente e nunca chegar a Alpha Century. Por fim, deixo meu "Boa sorte aos 98 escolhidos".


The 100 corre aquiiiiii.