sábado, 24 de outubro de 2026

Resenha - Jogos Vorazes - Amanhecer na Colheita (Suzanne Collins)


"Quando você está fadado a perder tudo que ama, pelo que ainda vale a pena lutar?"



Demorei, demorei, e resolvi me esforçar para ler antes do lançamento do filme. Comprei o livro e fui lendo aos poucos. Nisso foram meses. Leitura lentas desse tipo é bom porque a gente acaba vivendo a história intensamente. E Jogos Vorazes é algo que tem um cantinho especial no meu coração. 14 anos separam a primeira vez que li a trilogia original e o dia de hoje. A lentidão na leitura não durou muito. No final li mais da metade do livro em 2 dias, um pouco como fazia na adolescência.



"Nada que possam tirar de mim merecia ser guardado, e ela é a coisa mais preciosa que já tive"




Acredito que o plano da Suzanne Collins é terminar com uma nova trilogia. Seja com uma história após a primeira trilogia, o que parece bacana já que fez um livro sobre as origens, esse outro sobre o meio, e por isso um sobre o após revolta cairia bem. Também pode querer escrever sobre a queda de Panem (Dias Sombrios), ou algum outro personagem como o Finnick.



“I would welcome death, if it wasn’t for my promise to Lenore Dove that I would somehow keep the sun from rising on the reaping”



Com relação a Amanhecer na Colheita, novamente dividido em partes, gostei mais da primeira parte. Mais desconhecida para os fãs. A segunda parte, quando começam os jogos é bem mais rápida, por vezes achei os acontecimentos confusos. Acredito que a parte dos jogos foi relativamente rápida por ser menos importante, tendo em vista que o vencedor era conhecido. Li em inglês e algumas partes foram difíceis de entender, as cenas mudavam subitamente, tinha muita ação acontecendo. Tornava a leitura apressada.



"Não há vencedores, apenas sobreviventes”



Diferente da trilogia, Suzanne Collins traz um livro mais maduro em suas ideias, mais realista, mais cruel. Sunrise on the Reaping (Amanhecer na Colheita) se assemelha muito a Cantiga dos Pássaros e da Serpente. Acho que por isso gostei mais do que o previsto. Claramente é um livro para os fãs, porém, quem ainda não leu a trilogia original pode gostar igualmente. Mesmo sabendo como todos os personagens terminarão, a gente se apega, o que é estranhamente bom. Com isso, terminei esse livro super ansioso pelo livro!



Citações favoritas



“Adeus, Maysilee Donner, que eu detestava, depois passei a respeitar meio a contragosto e cheguei a amar. Não como namorada nem como amiga. Uma irmã, eu diria. Mas o que essa palavra significa, exatamente? Penso na nossa jornada, desde as trocas de farpas nos dias logo depois da colheita à batalha com as aves cor-de-rosa. Acho que essa é a resposta. Uma irmã é alguém com quem você briga e por quem você briga. Com unhas e dentes.”


 

"Eles não vão usar minhas lágrimas para o entretenimento deles."



"A capital nunca mais vai poder tirar Lenore Dove de mim. Nunca conseguiram, nem na primeira vez. Nada que possam tirar de mim merecia ser guardado, e ela é a coisa mais preciosa que já tive"



Talvez não aconteça hoje, talvez não aconteça enquanto estivermos vivos. Talvez leve gerações. Nós somos parte de um contínuo. As coisas perdem o sentido por isso?



"Ninguém ganha os Jogos Vorazes. Há sobreviventes, mas nenhum vencedor."



“Tentar esquecer é meu trabalho em tempo integral agora.”


 

"Porque o mundo não precisa ser tão apavorante. Isso é culpa das pessoas, não do mundo."




Sinopse em português



Quando você está fadado a perder tudo que ama, pelo que ainda vale a pena lutar? Ao amanhecer do dia da colheita da Quinquagésima Edição dos Jogos Vorazes, o medo toma conta dos distritos de Panem. Nesse ano, em comemoração ao Massacre Quaternário, o dobro de tributos será levado de suas casas. No Distrito 12, Haymitch Abernathy está tentando não pensar muito nas suas chances de ser sorteado – só quer sobreviver ao dia e passar um tempo com a garota que ama. Mas, ao ser escolhido, todos os sonhos de Haymitch desmoronam. Ele é separado da família e da namorada e enviado para a Capital com outros três tributos do Distrito 12: uma menina que considera quase uma irmã, um rapaz viciado em calcular chances e apostas, e a garota mais arrogante da cidade. Conforme os Jogos se aproximam, Haymitch compreende que está tudo armado para o seu fracasso, mas parte dele deseja lutar... e deseja também que essa luta reverbere muito além da arena mortal.



Sinopse em inglês



When you've been set up to lose everything you love, what is there left to fight for? As the day dawns on the fiftieth annual Hunger Games, fear grips the districts of Panem. This year, in honor of the Quarter Quell, twice as many tributes will be taken from their homes. Back in District 12, Haymitch Abernathy is trying not to think too hard about his chances. All he cares about is making it through the day and being with the girl he loves. When Haymitch's name is called, he can feel all his dreams break. He's torn from his family and his love, shuttled to the Capitol with the three other District 12 a young friend who's nearly a sister to him, a compulsive oddsmaker, and the most stuck-up girl in town. As the Games begin, Haymitch understands he's been set up to fail. But there's something in him that wants to fight . . . and have that fight reverberate far beyond the deadly arena.




Resenha - As Máscaras do Destino (Florbela Espanca)

 

“Os mortos continuam vivos dentro de nós…” 


Descobrindo a autora portuguesa Florbela Espanca. Livro de contos, extremamente marcante. A morte é uma temática recorrente, já que a própria autora dedica a coletânea ao irmão falecido em um trágico acidente de avião em 1927, que foi inspiração para sua escrita. Um livro sobre o amor que não desaparece. Quase 100 anos depois e a memória dele permanece viva nesse livro.



"Os mortos são na vida os nossos vivos, andam pelos nossos passos, trazemo-los ao colo pela vida fora e só morrem conosco. Mas eu não queria, não queria que meu morto morresse comigo. Não queria! E escrevi essas páginas..."



Com relação a ler em português do Portugal, é sempre raro quando faço isso, sobretudo para um livro em prosa, em contos. O mais difícil são os substantivos, pois há muitas palavras que não usamos no Brasil, que parecem arcaicas, o que não é o caso em Portugal.



"Todos nós, que aqui estamos, conhecemos mulheres que em épocas dolorosas de sua vida procuraram um consolo, um analgésico, como ela dizia, na religião,... no amor, no sacrifício... "



Publicado pela primeira vez postumamente em 1931, esse livro de 8 contos me fez muito pensar em Clarice Lispector, pela introspecção, os temas abordados e a própria vida da autora, sendo a de Florbela Espanca bem mais trágica diga-se de passagem. Texto muito bonito, coisa de sentir, entre poesia e filosofia. Os temas são escuros e melancólicos. Surpresa positiva com a escrita dessa autora que partiu muito jovem. Deixo como dica de leitura para quem gosta de poesia, dessa vez transformada em contos.



"um caiu mais cedo, outro mais tarde; que lhes importa?"


Contos por ordem de preferência



A Paixão de Manuel Garcia : conto de uma tristeza enorme, e de uma beleza sublime.



Os Mortos não voltam : deixa claro o que encontraremos nesse livro.


O resto é perfume : no fim, é só isso.  "A vida é este cacho de lilás... Mais nada. O resto é perfume...".



A morta : um conto gótico.


As orações de Soror Maria da Pureza : um dos poucos com início, meio e fim.


O Aviador : diretamente ligado a vida do irmão da autora.


O Inventor


O Sobrenatural


Citações favoritas



"A Morta caminhava num passo de morta, um ciciar de brisa na folhagem; os sapatinhos de cetim branco mal pousavam nas pedras de aminho; as pupilas sem luz não tinham olhar e viam. A Morta sabia onde ia."



"As nossas conversas eram sempre um longo monólogo: ele falava, eu ouvia."


Sinopse em português



A poetisa Florbela Espanca (1894-1930) é considerada pela crítica como um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Com a morte do irmão, Apeles Espanca, em 1927, Florbela fica cada vez mais doente e começa a escrever a obra narrativa (publicada postumamente) As máscaras do destino, em homenagem ao irmão. Da mesma forma, este trabalho integra na obra florbeliana um novo desejo da autora, que agora se aventura pelo mundo dos contos. Certamente, se não fosse sua morte prematura, Florbela dar-nos-ia, a leitores e críticos, uma vasta obra em prosa; por isso se faz necessário, para compreender seus últimos passos como escritora, conhecer como ela inicia suas produções contistas..



Resenha - A correspondente (Virginia Evans)

 

"A meu ver, é preciso se esmerar na comunicação. Lembre-se: as palavras, principalmente quando escritas, são imortais"



Um livro inteiramente ouvido pelo Spotify. Escolhi a versão em francês, pois prefiro o sotaque da França que qualquer voz em inglês. Desde o ano passado tento ouvir no mínimo dois livros por ano. Ajuda, para além da leitura, praticar a escuta em língua estrangeira. Escuto em francês e inglês, por enquanto. Ouvi "Rejection" em inglês e agora "La Correspondante" em francês.



“Os trechos de estrada tomados pela ventania são muito mais comuns que as paradas confortáveis, e não estamos sempre tentando voltar a uma época mais feliz?”



Um romance epistolar. São aproximadamente 171 correspondências (número de capítulos no audiolivro), formadas por cartas, e-mails, bilhetes e outros documentos de diferentes tamanhos. Não é à toa que o livro se chama "A Correspondente". Esse formato torna a leitura fluida e agradável.



"Ou as pessoas se agarram e se unem ainda mais, ou se soltam e ali nasce um muro alto demais para atravessar"



Uma história que vamos descobrindo aos poucos, um texto profundo que ao final nos deixa com lágrimas nos olhos. Como todo livro em forma de cartas, pode ser difícil no começo para situar os personagens, saber quem é quem, e sempre há o problema da homogeneidade da escrita, parece que todo mundo escreve igual. Fora isso, a Correspondente tem algo em livros que gosto muito, o fato de ser um livro que cita outros livros.



"E o conceito de fim da vida, embora pareça banal dizer isso, me fez relembrar e ponderar o passado de novas maneiras"



O texto possui um caráter bem intimista. Virginia Evans soube dosar o mistério que prende o leitor, apesar de o final ser como esperávamos, pois não tinha forma de terminar melhor. É um romance recente, de 2024 chegou ao Brasil esse ano de 2026. Um dos livros mais recentes que li até agora. Escrevo cartas postais com muita frequência, visto que viajo regularmente, e ao terminar essa leitura fiquei com vontade de escrever cartas. Quem sabe eu não comece...



Citações favoritas


“Só posso pensar que passaremos por todas elas uma única vez. Nascemos e passamos pela infância na primavera. Vivemos aqueles anos animados, interessantes e gloriosos dos 20, 30 e 40 anos no verão. Encontramos paz em nós mesmos no outono, numa época fresca, mas não fria ainda, saborosa e aromática. E, no inverno, envelhecemos (brutalmente) e morremos.”



“Em pensar que a história da vida de alguém se preserva de alguma forma, que esta mesmíssima carta pode, um dia, significar alguma coisa, ainda que pequenina, para alguém?”



“É típico da sua geração pegar uma pessoa absolutamente brilhante e transformar suas peculiaridades em um problema.”



"Você tem razão no que disse: no coração, é como se ainda tivéssemos 30 anos, antes de toda a frustração e de todas as formas como a vida se tornou mais dolorosa do que imaginávamos que seria. Mas, em todo caso, ela também foi mágica."



“Imagine: as cartas que alguém manda pelo mundo e aquelas que recebe em troca são como as peças de um magnífico quebra-cabeça ou, numa metáfora melhor, ainda que datada, os elos de uma longa corrente.”



“Dizem que é uma ‘luta’. A luta contra o câncer. Lutar por meio dos tratamentos, travar um combate.”



“Preciso dizer que você me retratou sob uma luz um tanto heroica. É gentileza sua, mas não fui nenhuma heroína, Caroline. Cometi erros, tomei decisões que tiveram efeitos duradouros na vida de pessoas desconhecidas.”



“As cartas são o alicerce da minha vida, enquanto passei apenas cerca de 30 anos trabalhando nos tribunais. A assessoria ao juiz foi meu trabalho; as cartas constituem quem eu sou.”



“Ele me ensinou a agir assim, a dizer o que os outros queriam ouvir, não necessariamente a verdade, pois a maioria das pessoas diz que quer a verdade, mas não quer, e se você diz a verdade ela se volta contra você como uma serpente mordendo a própria cauda.”



Sinopse - Português




Mãe, avó, filha adotiva, mulher divorciada e aposentada após uma brilhante carreira no direito, Sybil van Antwerp desempenhou muitos papéis na vida. E algo sempre a acompanhou: a paixão por cartas. Elas dão sentido a seu mundo e a ajudam a entender seu lugar nele. Todos os dias, Sybil escreve a destinatários variados – o irmão, a melhor amiga, a diretora da faculdade de Letras, escritores como Joan Didion e Diana Gabaldon – e fala sobre o que a comove e a incomoda, o que a inspira e a entristece. Aos 73 anos, ela mora sozinha e almeja apenas uma vida tranquila, cuidando do jardim e lendo os romances que tanto ama. Mas, à medida que sua visão se deteriora, cartas anônimas ameaçadoras são depositadas em sua caixa de correio, forçando-a a mergulhar novamente em um passado doloroso – e a finalmente terminar uma longa carta que vem escrevendo há muitos anos, sem jamais enviar.



Sinopse - Inglês


”Filled with knowledge that only comes from a life fully lived, The Correspondent is a gem of a novel about the power of finding solace in literature and connection with people we might never meet in person. It is about the hubris of youth and the wisdom of old age, and the mistakes and acts of kindness that occur during a lifetime. Sybil Van Antwerp has throughout her life used letters to make sense of the world and her place in it. Most mornings, around half past ten, Sybil sits down to write letters—to her brother, to her best friend, to the president of the university who will not allow her to audit a class she desperately wants to take, to Joan Didion and Larry McMurtry to tell them what she thinks of their latest books, and to one person to whom she writes often yet never sends the letter. Sybil expects her world to go on as it always has—a mother, grandmother, wife, divorcee, distinguished lawyer, she has lived a very full life. But when letters from someone in her past force her to examine one of the most painful periods of her life, she realizes that the letter she has been writing over the years needs to be read and that she cannot move forward until she finds it in her heart to offer forgiveness. Sybil Van Antwerp’s life of letters might be “a very small thing,” but she also might be one of the most memorable characters you will ever read.