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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Resenha – Deux sœurs (DAVID FOENKINOS)



Ainda sem lancamento no Brasil, DUAS IRMÃS (tradução literal) lembra muito A DELICADEZA, primeiro romance que li do autor.


Ambas as obras são separadas por um intervalo de publicação de 10 anos (Deux sœurs, Gallimard, 2019 - La Délicatesse, Gallimard, 2009). Apesar disso algumas cenas são descritas de maneira quase idênticas. Infelizmente essa semelhança é, na minha opinião, um ponto positivo.


Foi uma história que me tocou de uma forma muito particular, então levei bastante tempo para lê-la apesar de suas 190 páginas. Digeri com lentidão suas palavras, e várias vezes tive que fechar o livro diante de uma centra um pouco pessoal demais.


Um final chocante, totalmente inesperado, mas que reflete a evolução da personagem principal. Um livro que disseca a alma humana, mostrando o que uma pessoa é capaz de fazer ao ser confrontada com a dor de um amor que chega ao fim.


 

SINOPSE

 

Du jour au lendemain, Étienne décide de quitter Mathilde, et l’univers de la jeune femme s’effondre. Comment ne pas sombrer devant ce vide aussi soudain qu’inacceptable ? Quel avenir composer avec le fantôme d’un amour disparu ? Dévastée, Mathilde est recueillie par sa sœur Agathe dans le petit appartement qu’elle occupe avec son mari Frédéric et leur fille Lili. De nouveaux liens se tissent progressivement au sein de ce huis clos familial, où chacun peine de plus en plus à trouver un équilibre. Il suffira d’un rien pour que tout bascule… David Foenkinos dresse le portrait d’une femme aux prises avec les tourments de l’abandon. Mathilde révèle peu à peu une nouvelle personnalité, glaçante, inattendue. Deux sœurs, ou la restitution précise d’une passion amoureuse et de ses dérives.

 

Durante a noite, Étienne decide deixar Mathilde, e o mundo da jovem desaba. Como não afundar diante deste vazio tão repentino quanto inaceitável? Com que futuro podemos lidar com o fantasma de um amor desaparecido? Devastada, Mathilde é acolhida pela irmã Agathe no pequeno apartamento que ocupa com o marido Frédéric e a filha Lili. Novos vínculos vão sendo gradualmente forjados neste círculo familiar fechado, onde todos lutam cada vez mais para encontrar o equilíbrio. Basta um pouco para que tudo mude… David Foenkinos pinta o retrato de uma mulher que luta contra os tormentos do abandono. Mathilde revela gradualmente uma personalidade nova, arrepiante e inesperada. Duas irmãs, onde a restituição precisa de uma paixão romântica e seus excessos.

 

Sobre o Autor

 

Auteur de nombreux romans traduits dans plus de 40 langues, David Foenkinos est notamment l’auteur de Charlotte, récompensé par le prix Renaudot 2014 et le prix Goncourt des lycéens, et du Mystère Henri Pick. Il a réalisé avec son frère Stéphane Foenkinos une adaptation cinématographique de son roman La délicatesse, avec Audrey Tautou et François Damiens.

  

Autor de numerosos romances traduzidos para mais de 40 línguas, David Foenkinos é nomeadamente o autor de Charlotte, galardoado com o Prémio Renaudot 2014 e o Prémio Goncourt  e de Mystère Henri Pick. Com seu irmão Stéphane Foenkinos, dirigiu uma adaptação cinematográfica de seu romance La Délicesse, com Audrey Tautou e François Damiens.


 

 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

RESENHA| A DELICADEZA





            Nathalie sempre foi discreta. Teve uma adolescência tranquila e sem problemas. Já na vida adulta preferia passar o tempo estudando. Até que um dia conheceu François. Do encontro por acaso em uma rua de Paris surgiu aquele tipo de amor inexplicável capaz de manter duas pessoas unidas por toda a vida.

            Dos anos de namora ao casamento, Nathalie e François eram felizes e formavam um casal perfeito, do tipo que desperta inveja nos demais. Mas em uma manhã de domingo, igual a todas as demais, o amor perfeito de Nathalie termina de forma trágica quando François morre vítima de um atropelamento.

"Em sete anos de vida em comum, ele tivera tempo de se espalhar por tudo, de deixar alguma marca em toda a respiração dela. E ela compreendeu que nada que pudesse viver dali em diante seria capaz de fazê-la esquecer de sua morte"

            Assim, de uma hora para outra, a felicidade desaparece. Para superar o luto, nos três anos seguintes a bela Nathalie mergulha cada vez mais fundo no trabalho, e é justamente nesse ambiente que conhece o tímido e sem nenhum atributo físico (feio mesmo) Markus. Quando por impulso, Nathalie beija o colega, tem início um romance inacreditável.

            Com uma prosa repleta de referências ao cinema, artes plásticas, literatura e música, David Foenkinos constrói uma história sobre a fatalidade da perda, o amor, sofrimento e nossa incrível capacidade humana de recomeçar.

            A Delicadeza é então um romance simples, que mostra a face delicada de toda emoção humana. Há uma interação entre o autor-narrador e o leitor e diversas notas de rodapé escritas pelo próprio Foenkinos que dão um toque de humor bem sofisticado ao livro.

            É engraçado mas o romance me pareceu uma releitura de Betty, a Feia, onde Markus é o funcionário feio, mas de bom coração que se apaixona pela chefa, a bela Nathalie.

            Recomendo a adaptação, que no Brasil se chama "A Delicadeza do Amor", protagonizado pela maravilhosa Audrey Tautou (Amélie Poulain) e François Damiens (A Família Bélier). Na verdade qualquer filme com a Audrey já vale a pena assistir!

Ano: 2011. Editora: Rocco. 191 páginas.

Às vezes, é melhor reencontrar um amor antigo do que conhecer um novo.
~David Foenkinos

Aquele que contempla a beleza está predestinado à morte.
~Morte em Veneza

Café preto e noite em branco, isso nunca foi uma boa mistura.
~David Foenkinos