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sábado, 15 de abril de 2023

Resenha - Je l'aimais (Eu A Amava) – Anna Gavalda




"O perigo é pensar que temos o direito de ser felizes". 


 

Eu adoro livro assim, curtinhos e que são basicamente uma conversa entre os personagens. Esse e super simples. São menos de 160 páginas de uma narrativa fluida e pouco usual:


 

Uma conversa entre Chloe e seu sogro Pierre. O motivo? Chloe acaba de se separar do marido após ser traída por ele.  Pierre ao mesmo tempo está triste pelo filho Adrien que abandona a família e admirado com a coragem deste.


 

Com isso vocês podem esperar um pouco de literatura para quem tem pressa, edição fininha, de bolso, para ler no metrô e depois guardar na mochila sem ocupar muito espaço.


 

A maior parte do texto são diálogos, e a gente termina com a impressão de estar ali do lado, ouvindo tudo, a ironia das palavras, os risos, os infortúnios. Uma narrativa bem construída, um romance da vida real, e por ser tão real pode acontecer com qualquer um. Os assuntos tratados são bem corriqueiros, o que torna a experiencia ainda mais comovente.


 

Anna Gavalda também e escritora de um dos meus livros favoritos e um dos primeiros títulos que li em francês, ainda no Brasil: Ensemble, c'est tout (Enfim, juntos). Esse bem maior com suas mais de 500 folhas e também é um ótimo filme com a atriz de O fabuloso Destino de Amélie Poulain (Audrey Tautou). Como descobri que J’ai L’aimais virou filme quase na mesma época, já marquei de assistir.


 

A escritora é bem apreciada pelo público francês (detalhe aleatório é que moramos a 1h de distância um do outro), principalmente por conta dessa obra. Minha próxima leitura da autora será: Je voudrais que quelqu'un m'attende quelque part (Queria ter alguém à minha espera em algum qualquer).


 

Engraçado que o título no original pode levar a pensar que que seria Chloe contando de seu infortúnio, mas a escolha no português para “Eu a Amava” faz pensar que é a história de infidelidade do sogro a mais importante. No inglês deixaram mais em aberto apenas com “Someone I Loved”.


 

JE L'AIMAIS - Anna Gavalda

Ano: 2002 - Páginas: 157

Idioma: francês - Editora: J'ai lu


 

SINOPSE



Uma mulher jovem, largada há pouco pelo marido, confronta a perda no reencontro com o sogro, homem à primeira vista rígido e lacônico. Aos poucos, o ressentimento dela é invertido pela ternura dele; no lugar de farpas, eles trocam atenção. Assim, sem perceber, somos fisgados pela escrita sem ornamentos da autora, pelo modo como ela, discretamente, tinge um retrato que poderia ser só cinza. O passado imperfeito que as lembranças trazem nos leva a mudar de lado no jogo, perceber que afetos se soldam e enferrujam, dissociar desejo de culpa, não contrapor masculino a feminino. Enquanto isso, Gavalda alcança algo mais raro: liberar o amor do perpétuo romantismo sem condená-lo à banalidade.


 

A-t-on le droit de tout quitter, femme et enfants, simplement parce que l'on se rend compte – un peu tard - que l'on s'est peut-être trompé? Adrien est parti. Chloé et leurs deux filles sont sous le choc. Le père d'Adrien apporte à la jeune femme son réconfort. À sa manière: plutôt que d'accaber son fils, il semble lui porter une certaine admiration. Son geste est égoïste, certe, mais courageux. Lui n'en a pas été capable. Tout au long d'une émouvante confidence, il raconte à sa belle-fille comment, jadis, en voulant lâchement préserver sa vie, il a tout gâché. Après le départ d'Adrien, son mari, Chloé est restée seule avec leurs deux filles. Un soir elle se retrouve face au père d'Adrien, 65 ans, où pour la première fois, il se raconte et livre sa vie. Ou plutôt ce qu'il n'a pas vécu.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

RESENHA| A DELICADEZA





            Nathalie sempre foi discreta. Teve uma adolescência tranquila e sem problemas. Já na vida adulta preferia passar o tempo estudando. Até que um dia conheceu François. Do encontro por acaso em uma rua de Paris surgiu aquele tipo de amor inexplicável capaz de manter duas pessoas unidas por toda a vida.

            Dos anos de namora ao casamento, Nathalie e François eram felizes e formavam um casal perfeito, do tipo que desperta inveja nos demais. Mas em uma manhã de domingo, igual a todas as demais, o amor perfeito de Nathalie termina de forma trágica quando François morre vítima de um atropelamento.

"Em sete anos de vida em comum, ele tivera tempo de se espalhar por tudo, de deixar alguma marca em toda a respiração dela. E ela compreendeu que nada que pudesse viver dali em diante seria capaz de fazê-la esquecer de sua morte"

            Assim, de uma hora para outra, a felicidade desaparece. Para superar o luto, nos três anos seguintes a bela Nathalie mergulha cada vez mais fundo no trabalho, e é justamente nesse ambiente que conhece o tímido e sem nenhum atributo físico (feio mesmo) Markus. Quando por impulso, Nathalie beija o colega, tem início um romance inacreditável.

            Com uma prosa repleta de referências ao cinema, artes plásticas, literatura e música, David Foenkinos constrói uma história sobre a fatalidade da perda, o amor, sofrimento e nossa incrível capacidade humana de recomeçar.

            A Delicadeza é então um romance simples, que mostra a face delicada de toda emoção humana. Há uma interação entre o autor-narrador e o leitor e diversas notas de rodapé escritas pelo próprio Foenkinos que dão um toque de humor bem sofisticado ao livro.

            É engraçado mas o romance me pareceu uma releitura de Betty, a Feia, onde Markus é o funcionário feio, mas de bom coração que se apaixona pela chefa, a bela Nathalie.

            Recomendo a adaptação, que no Brasil se chama "A Delicadeza do Amor", protagonizado pela maravilhosa Audrey Tautou (Amélie Poulain) e François Damiens (A Família Bélier). Na verdade qualquer filme com a Audrey já vale a pena assistir!

Ano: 2011. Editora: Rocco. 191 páginas.

Às vezes, é melhor reencontrar um amor antigo do que conhecer um novo.
~David Foenkinos

Aquele que contempla a beleza está predestinado à morte.
~Morte em Veneza

Café preto e noite em branco, isso nunca foi uma boa mistura.
~David Foenkinos