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domingo, 20 de setembro de 2015

A Evolução do Linux



Linux é um sistema operacional de código aberto e gratuito. Seu núcleo (Kernel) foi lançado por Linus Torvalds em 1991. Atualmente, segundo o site DistroWatch, existem 321 distribuições do Linux.
No Brasil, diversos computadores já podem ser comprados com versões do Linux e seu uso cresce a cada dia. No entanto, esse sucesso teve um começo revolucionário.
Em meados da década de 1980, os sistemas operacionais tinham uma origem comum: o UNIX (Uniplexed Information and Computing System), um sistema operacional criado, em 1970, por pesquisadores do Bell Labs, incluindo Ken Thompson, Dennis Ritchie, Brian Kernighan, Douglas McIlroy e Joe Ossanna. O UNIX foi usado como base para a criação dos sistemas operacionais da Microsoft e da Apple, por exemplo. As principais características desse sistema eram o suporte a multitarefa e multiusuários.
Diversas empresas licenciaram o UNIX para servir de base para seus sistemas operacionais. No entanto, em 1983, Richard Stallman começou o projeto GNU (acrônimo para “Gnu is Not Unix”), com o objetivo de construir um sistema operacional parecido com o UNIX e gratuito. Sua contribuição mais famosa é a licença GPL (GNU General Public License), a mais usada para a divulgação de software livre. A licença permite a distribuição, cópia e alteração do software, desde que os produtos derivados também sejam distribuídos com a licença GPL.
Em 1990, o projeto GNU já possuía praticamente todo o código fonte para um sistema operacional completo. No entanto, seu núcleo, chamado Hurd, não atraia a atenção dos desenvolvedores, deixando o desenvolvimento incompleto.
Em 1986, no entanto, Maurice J. Bach, do Bell Labs, publicou o livro intitulado The Design of the UNIX Operation System (O projeto do sistema operacional UNIX, em tradução livre). Esse livro foi à descrição definitiva do sistema UNIX na época e norteou a criação dos sistemas que o seguiram.
Em 1987, Andrew S. Tanembaum criou o MINIX, um sistema operacional baseado no UNIX e focado no uso acadêmico. Embora o código do MINIX estivesse disponível, modificações e redistribuições eram restritas. Além disso, a arquitetura de 16 bits do sistema operacional não se adaptava bem às características dos processadores da família 386 da Intel, que ficavam cada vez mais baratos e populares. Esses fatores e a falta de um kernel gratuito e largamente adotado fizeram com que o jovem Linus Torvalds começasse seu projeto. Segundo Torvalds, ele nunca teria feito seu kernel se outros estivessem disponíveis na época.

O início de tudo

Em 1991, na cidade finlandesa de Helsinki, Linus começou o projeto que se tornaria o núcleo do sistema Linux. Inicialmente, o projeto visava criar um emulador de terminal, que permitiria Linus acessar os servidores UNIX da universidade. Ele escreveu o programa especificamente para o seu computador e sem usar um sistema operacional específico, pois desejava usar todas as funções do seu novo computador, com processador 80386 da Intel.
O desenvolvimento se baseou no MINIX. Como Linus Torvalds escreveu em seu livro "Just For Fun: The Story of an Accidental Revolutionary" (Apenas por Diversão: A história de um Revolucionário Acidental, em tradução livre), ele eventualmente percebeu que tinha construído um sistema operacional. Em 25 de agosto de 1991, Linus anunciou seu sistema através de uma mensagem para o grupo de notícias “comp.os.minix”, da rede Usenet.

Instalação complexa

Diferentemente dos sistemas comerciais, que vinham nos computadores prontos para serem usados, a instalação do sistema operacional de Linus Torvalds era complexa. O sistema vinha em disquetes de 5,25 polegadas, usados para executar o Linux. Para instalá-lo em um disco rígido, o usuário precisava de um editor hexadecimal para inserir as primeiras instruções diretamente na MBR (Master Boot Record) do disco. Essa não era uma tarefa para qualquer programador e, por isso, começaram a surgir as primeiras instruções, feitas por Erik Ratcliffe, as quais chama-se, hoje, de tutoriais (HOWTO).
Linus Torvalds
Em 1992, Andrew S. Tanenbaum, cientista da computação reconhecido e autor do sistema Minix, escreveu um artigo para o mesmo grupo de notícias que Linux havia anunciado o Linux. Seu artigo, intitulado de “Linux is obsolete” (Linux está obsoleto), marcava o começo de um famoso debate sobre a estrutura do recente Linux.
As principais críticas envolviam a estrutura monolítica do kernel, que previa a inclusão de todos os drivers no próprio kernel e gerava baixa compatibilidade com hardwares diferentes. Essa característica foi modificada e, atualmente, o kernel do Linux é modular, permitindo a inclusão de drivers sob demanda, sem precisar reiniciar o sistema. A baixa compatibilidade era fruto, também, do código para as funcionalidades do processador Intel 386, que não eram genéricos, forçando o uso deste processador.
Outras críticas, no entanto, se mostraram equivocadas, sobretudo com relação ao sistema ser multitarefa e ao modelo de desenvolvimento livre do Linux. Observando hoje, as predições de Tanenbaum sobre o Linux ser abandonado em poucos anos e substituído pelo GNU Hurd provaram-se incorretas. Contudo, seus questionamentos foram importantes, pois permitiram a evolução no sistema, fazendo com que fosse portado para todas as principais plataformas, bem como seu modelo de desenvolvimento aberto se tornasse um exemplo a ser seguido.

A primeira distribuição Linux

Em 1992, a primeira distribuição do Linux foi montada por Owen Le Blanc, do centro de computação de Manchester, e ficou conhecida como MCC Interim Linux. Era uma coleção de disquetes que, uma vez instalados no seu sistema, ofereciam um ambiente básico do UNIX, em terminal. Algum tempo depois, a primeira distribuição a possuir interface gráfica foi lançada pela universidade A&M do Texas. Chamada de TAMU-1.0A, o uso da interface gráfica era inicial e as configurações usadas faziam com que uma fumaça saísse do monitor, em alguns casos. Ambas essas distribuições foram desenvolvidas para uso interno das universidades.
A primeira distribuição comercial do Linux foi a Yggdrasil. Por comercial, entende-se que tinha o público em geral como seu usuário. Lançada em dezembro de 1992 por uma empresa de Berkeley, na Califórnia, a Yggdrasil foi a primeira distribuição a trazer o conceito de Live CD, o qual permite utilizar o sistema diretamente do CD-ROM distribuído, sem a necessidade de instalá-lo no disco rígido. A distribuição era anunciada como “Plug and Play” (conecte e jogue), uma vez que ela detectava o hardware do usuário e se configurava usá-lo automaticamente.
Em maio de 1992, a Softland Linux System (SLS) foi lançada por Peter Mac Donald. Essa foi a primeira distribuição Linux largamente reconhecida e usada. Foi o primeiro grande avanço para a adoção do Linux e chegou a dominar o mercado até que seus desenvolvedores tomaram a decisão de mudar o formato dos arquivos executáveis. Essa mudança não foi bem recebida pelos usuários e, na mesma época, Patrick Volkerding adaptou, modificou e ajustou a distribuição SLS, criando uma nova, que ele chamou de Slackware. Com as direções tomadas pela SLS, o Slackware rapidamente a substituiu e se tornou a distribuição dominante. Ainda hoje, o Slackware é usado.

A chegada do SuSE e outras distros famosas

Toda essa história da criação e crescimento do Linux ocorreu em apenas três anos. Nesses dias, a velocidade de mudanças foi inacreditável. Entre 1991 e 1995, diversas distribuições surgiram e se foram. Alguns nomes conhecidos atualmente, como Red Hat, Debian, TurboLinux e SuSE se tornavam populares. Com as novas interfaces gráficas desenvolvidas, como o Gnome e o KDE, as distribuições de Linux chegaram até mesmo a usuários comuns. Desde então, o Linux atrai mais e mais usuários oferecendo sistemas operacionais gratuitos, eficientes e completos.
Em 1996, Linus Torvalds anunciou que o Linux tinha um mascote, um pinguim. A escolha deu-se por uma menção de Linus ao pinguim da espécie Little Penguim, vista por Linus em uma visita ao National Zoo & Aquarium, em Camberra, na Austrália. Larry Ewing esboçou os primeiros rascunhos do mascote que conhecemos hoje. O nome do mascote foi sugerido por James Hughes, como uma derivação de Torvalds’ UniX (TUX).

O Linux hoje

Desde o começo da década de 1990, quando o Linux foi lançado e as primeiras distribuições começaram a ser construídas, muito trabalho foi feito para que chegássemos hoje às 321 distribuições monitoradas pelo DistroWatch.
Como vimos, o sistema é feito com mais do que marcas famosas como Mint, Ubuntu e Fedora, que hoje dominam o mercado de distribuições Linux. O Linux possui um fator psicológico e revolucionário que visa promover a liberdade e o compartilhamento de conhecimento entre as pessoas.
Hoje o Linux é um dos sistemas operacionais mais conhecidos da atualidade e conta com uma série de distribuições mundo afora. Mas você sabe como tudo começou?

Quem foi Linus Torvalds?

Linus Torvalds nasceu em 28 de dezembro de 1969 em Helsinki na Finlândia e sua família era uma das poucas cuja linguagem adotada como principal era o Sueco ao invés do Finlandês. Embora fosse filho de jornalistas, Linus começou a demonstrar seu interesse pelo “mundo geek” cedo, obtendo sempre grande destaque em campos como a Matemática e Física.
Em 1988, Linus ingressou na Universidade de Helsinki no curso de Ciências da Computação. Após montar um computador no qual passou a adotar o Minix (um sistema operacional baseado no Unix, porém gratuito). Devido a observar as dificuldades deste sistema (especialmente com relação ao uso de terminal para conexão), Linus resolveu criar um programa para a emulação de terminal que funcionasse independente do Minix.
Como o programa de emulação mostrou-se mais satisfatório do que o esperado, Linus começou a pensar que outras carências do Minix poderiam ser supridas. É nesse ponto que a história principal deste artigo começa.
Em 1993, Linux conheceu Tove Monni, uma estudante que mandou um email convidando-o para um encontro. Posteriormente, eles se casaram e tiveram três filhas. Em 1997, mudou-se com sua família para a Califórnia quando aceitou uma posição na empresa Transmeta na qual permaneceu até junho de 2003.
Ainda em 2003 Linus começou a trabalhar em conjunto com a Open Source Development Labs (OSDL), um consórcio criado para promover o desenvolvimento do Linux, para concentrar-se exclusivamente neste kernel.

As origens: por que o Linux foi sequer pensado?

Em 1991, com relação aos sistemas operacionais, você tinha poucas escolhas. O DOS exercia sua soberania absoluta com relação aos computadores pessoais, até por uma questão de falta de escolha. Por mais que os Macs existissem seus preços eram astronômicos, fato que tornava quase impossível a aquisição de um deles para um usuário final.
Além deles, havia o Unix que certamente era ainda mais caro do que um Mac e adotado quase exclusivamente por grandes empresas. Nessa altura, o código do Unix, que uma vez foi utilizado como material de estudo em universidades, já se encontrava proprietário e não mais para conhecimento público.
Nesse clima, um professor holandês chamado Andrew S. Tanenbaum criou um sistema operacional baseado no Unix, o Minix. Montado para funcionar com a linha de processadores Intel 8086. Como primariamente, o Minix tinha objetivos acadêmicos (o ensino do funcionamento de um SO em universidades), ele estava longe de resolver todos os problemas de um usuário final, porém seu código-fonte era disponibilizado por Tanenbaum.
Nesse ponto da história, o estudante Linus Torvalds, frustrado com as carências do Minix começou a idealizar como seria bom ter um SO que, além de gratuito, pudesse efetuar tarefas como emulação de terminal e transferência e armazenamento de arquivos. Então, em 25 de agosto de 1991, Linus anunciou por meio de um email na Usenet (a Unix User Network) que estava desenvolvendo um sistema operacional.
O famoso email relata que ele estava criando um sistema operacional desde abril do mesmo ano, porém que não intencionava torná-lo uma coisa realmente grande e profissional como o GNU (SO de código aberto baseado no Unix), sendo mais um hobby. Ele pedia sugestões e críticas, porém dizia que talvez sequer chegasse a programar-lo de fato.
Linus pretendia chamar sua criação de “Freax”, porém trocou para Linux ao aceitar esta sugestão de um de seus amigos.

E nasce o novo sistema

Na mesma época (1991), estudantes do mundo todo que se interessavam por informática, e compartilhavam os ideais de que os programas deveriam ser livres para o uso e melhoria por todos, foram inspirados por Richard Stallman e seu projeto GNU (acrônimo recursivo para GNU is not Unix). O projeto de Stallman, em poucas palavras, era um movimento que visava a fornecer software livre com qualidade.
Ainda neste ano, o projeto GNU havia criado uma série de ferramentas úteis para programadores e estudantes, porém seu sistema operacional propriamente dito ainda precisava de um kernel. Este núcleo, batizado de GNU HURD ainda estava em fase de criação e seu lançamento previsto para alguns anos.
Foi então que Linus libertou a primeira versão de seu sistema, o Linux versão 0.01 em setembro de 1991. Ao contrário do que muitos devem estar pensando, Linus recebeu críticas pesadas de grandes nomes da computação na época, como Tanenbaum, que inclusive citou que se Linus fosse seu aluno não receberia uma boa nota por aquele sistema tão mal arquitetado.
Entretanto, Linus continuou seu trabalho e agora contava com um grande número de colaboradores interessados para auxiliá-lo. Em um próximo passo e utilizando uma ampla gama das ferramentas do GNU (inclusive o próprio sistema de Stallman), o Linux iniciou sua ascensão, licenciado pela GPL (GNU Public License), para garantir que continuasse livre para cópia, estudo e alteração.
Com isso, não demorou para que algumas empresas como Red Hat e Caldera compilassem versões do programa (com fins comerciais) e fizessem alterações para deixá-lo mais parecido com o que os usuários estavam acostumados. Entretanto, programadores voluntários mantiveram distribuições gratuitas, como a famosa Debian.
Então, já contando com uma interface gráfica e uma série de melhorias ocorrendo em paralelo, às distribuições do Linux começaram a tornar-se cada vez mais populares entre os usuários.

De um hobby para um sistema poderoso: quase duas décadas de Linux

Como quase todas as previsões de grandes catástrofes apocalípticas costumam estar erradas, não foi diferente com o Linux. Hoje, com quase duas décadas, ele continua sendo um dos sistemas operacionais com o crescimento mais rápido da história. Sem dúvidas, o melhor aspecto deste sistema é que sempre que um novo hardware é criado, há um programador disposto a adaptar o Linux para oferecer compatibilidade.
Com o aumento do suporte para o SO, grandes empresas perderam o receio e passaram a utilizar o Linux em suas máquina. Da mesma forma, com as interfaces gráficas, diversos usuários passaram a adotá-lo por tratar-se de um sistema de qualidade e gratuito.

Tux: o queridinho dos usuários

Há diversas histórias sobre o motivo de ser um pinguim o mascote do Linux. O fato é que no início de 1996 vários colaboradores conversavam sobre um logotipo ou mascote para o sistema na lista de emails do kernel. Após várias sugestões, Linus mencionou de forma descomprometida que gostava de pinguins.
A frase imediatamente finalizou qualquer outro debate sobre o assunto e começaram, então, os esforços para montar o desenho. O nome, a princípio veio da junção (T)orvalds e (U)ni(X), embora muitas pessoas tenham achado que era uma abreviação para “Tuxedo” (terno) por ser “a vestimenta” de um pinguim.

Em 1991 Linus lançou a primeira versão oficial do Linux que desde então passou a “pertencer” a todos. Ao contrário de Bill Gates, Linus não virou um bilionário e continua uma pessoa acessível e presente na comunidade de programadores, embora tenha seu nome e obra conhecidos mundialmente.

Um breve histórico

O Linux surgiu idealizado pelo Linus Torvalds, um estudante computação da Finlândia, que desejava possuir um sistema operacional que pudesse estudar e até fazer a suas implementações, mas, via os sistemas operacionais proprietários muitas vezes com preços proibitivos que impossibilitavam muitos de possuírem, principalmente aqueles que o desejassem aprofundar no seu conhecimento. No dia 25 de agosto de 1991 foi o início de tudo, quando Linus Torvalds divulgou no newsgroupcomp.os.minix que estava desenvolvendo como hobby um sistema operacional livre para computadores AT-386. Este poderia ter sido mais um projeto de qualquer estudante ou desenvolvedor, mas, graças à internet e de milhares de pessoas dispostas a auxiliar Linus em sua tarefa, dias depois foi disponibilizada uma versão 0.01, que para todos os efeitos pelo próprio número era muito limitado. Nos seus primórdios, o Linux mal podia ser chamado de sistema operacional. O que realmente existia eram alguns drives de dispositivos e um suporte rudimentar a discos rígidos. Linhas de código embrionárias rodavam contornando MS-DOS do 386, mas precisavam do mesmo MS-Dos para as demais funções, incluindo a inicialização da máquina. Mas o objetivo de Linus era fazer um sistema mais estável e modular que o Dos, que pudesse ser melhorado por qualquer um, independente de um fornecedor comercial.O dia 5 de janeiro de 1992 marca o lançamento do Kernel 0.12, e Torvalds autoriza o uso comercial do Linux. Era um embrião de licença livre, mas ainda muito restritiva se comparada à GPL. Já no fim de 1992 já existiam os primeiros conceitos de distribuição Linux: pacotes contendo Kernel e aplicativos diversos que formariam o kit de instalação e utilização. Ainda nada profissionais, pois, eram uns monstrengos que eram baixados da internet e gravados em disquetes. O inicio da profissionalização teve como o marco uma outra distribuição realizada pela Yggdrasil, que disponibilizou em CD-Rom e determinou praticamente todos os padrões subsequentes. Em 16 de abril de 1994 o kernel chega à versão 1.0, que pelo próprio nome sugere estava pronto. Quatro meses depois surge o Red Hat, uma distribuição que usou um conceito moderno aceito até hoje, um sistema GNU/Linux em CD-Rom, com várias aplicações de escritórios a de servidores específicos e manuais de instalação e utilização. O surgimento do Red Hat é uma referência para o Linux, pois dele surgiram.

Introdução

 

A humanidade tem aperfeiçoado suas ferramentas através dos avanços tecnológicos ao passar dos anos.
Por conta da complexidade relacionada à operação de um computador, muitas vezes, por cientistas extremamente capacitados para designar tarefas triviais, que geralmente, resultavam em simples operações, foram necessárias sérias mudanças no cenário tecnológico para que estas tarefas fossem otimizadas.
Com o advento do BASIC (Beginner's All Purpose Symbolic Instruction Code, ou em português: Código de Instruções Simbólicas de Uso Geral para Principiantes), em meados de 1960 e 1970, uma linguagem de alto nível, criada visando os principiantes que tinham interesse em expandir a capacidade dos computadores e o conhecimento tecnocientífico, a tecnologia caminhou com o intuito de transformar computadores primários em dispositivos programáveis, capazes de obedecer a determinados comandos e emitir alguns resultados.
Na década de 1980, pode-se relatar um grande avanço no desenvolvimento de sistemas com o objetivo de, resumidamente, gerenciar as operações nos computadores.
Dentre os coparticipantes deste avanço, destacam-se Ken Thompson e Dennis Ritchie (pesquisadores da Bell Labs), que desenvolveram a primeira versão do UNIX (em linguagem C), já com suporte multitarefa.
Cita-se também, o lançamento do projeto GNU por Richard Stallman, cientista do MIT, que tinha a pretensão de criar um SO do tipo Unix gratuito.
Em seguida, tem-se o desenvolvimento do Minix (por Andrew Tannenbaum), Sistema Operacional didático baseado na API do UNIX.
Destacam-se estes eventos por terem servido de base para a criação do Linux, em 1991, por Linux Torvalds. Sistema operacional que viria a revolucionar a ideia de Software Livre, atraindo milhares de simpatizantes que, posteriormente, aderiram à causa e à ideia de liberdade de softwares.

Evolução do Linux

 

Criado em meados de 1991, a ideia era apenas um projeto paralelo feito em casa, para fins recreativos por Linus Torvalds, e hoje é o sistema operacional livre mais famoso do mundo, mas mesmo assim vem perdendo mercado em desktop, pois muitas pessoas ouve história de que “Linux é difícil de usar” e tal, mas nem sequer tentou usar, mas enfim aqui vou mostrar que você pode estar usando o Linux e nem sequer tem conta disso então vamos lá.

Grandes servidores

Serviços que você utiliza todos os dias, como Google e Facebook têm Linux rodando em seus servidores para armazenar muito conteúdo. Todos os serviços de web da Google, como Docs, Agenda e Calendário, ficam hospedados em máquinas com o sistema operacional do pinguim.

 

Sistemas de controle de tráfego aéreo


Para que as pessoas viajem em segurança de uma parte a outra do mundo, há a necessidade de controle de tráfego aéreo. A maioria das máquinas operadas pelos controladores de voo usa Linux para garantir que o avião que carrega você de um ponto a outro decole e pouse em segurança.

Sistemas de alta tecnologia para controle de tráfego


Segundo o site LinuxforDevices.com, a cidade de San Francisco, uma das mais populosas dos Estados Unidos, usa um sistema de alta tecnologia para controle de tráfego terrestre. O município tem um trânsito caótico e é com Linux rodando em seus computadores que a prefeitura local pretende reduzir esse problema.

Android


O Android é o sistema operacional desenvolvido pela Google para dispositivos portáteis. Ele é um dos mais usados do gênero e cada vez mais novos aparelhos de grandes fabricantes são lançados com ele instalado. Pois se você ainda não sabia, agora é a hora: Android é desenvolvido tendo como base o Linux.

Trem de alta velocidade japonês


Outra ajuda que o Linux dá ao mundo dos transportes é funcionando nos computadores que operam o sistema de trens de alta velocidade no Japão. Sempre que nessas enormes e velozes máquinas de ferro embarcam passageiros e eles partem rumo ao seu destino, é o sistema criado por Linus Torvalds demonstrando a sua versatilidade.

Bolsa de Nova York


A Bolsa de Valores de Nova York também usa Linux. Desde 2007, o local que é o ponto nevrálgico do sistema financeiro estadunidense optou por instalar o sistema livre em suas máquinas. Os motivos são simples e claros: redução de custos (afinal, Linux é de graça e não se paga licença) e aumento de flexibilidade (não à toa o sistema é chamado de “livre”).

Supercomputadores


Outra informação recorrente no mundo do software livre é a preferência de desenvolvedores de supercomputadores pelo Linux. Estimativas apontam para cerca de 90% das supermáquinas existentes hoje rodando alguma variação de Linux. A explicação talvez seja a mais óbvia: o sistema livre é gratuito e flexível.

Carros inteligentes da Toyota


Recentemente, de acordo com o site LinuxInsider, a Toyota aderiu à Linux Foundation, a fundação criada em 2007 e que é responsável pela colaboração para aprimoramento do sistema. A justificativa, segundo o gerente geral de projetos da empresa Kenichi Murata, foi o fato de o sistema Linux possuir “a flexibilidade e a maturidade tecnológica” de que eles precisam para desenvolver veículos inteligentes.

Acelerador de partícula

A Cern, Organização Europeia para a Investigação Nuclear, maior laboratório de física de partículas do mundo e referência global no assunto, faz uso do sistema em suas pesquisas relacionadas a partículas de energia. O famoso acelerador de partículas do laboratório funciona com Linux.

Submarinos nucleares


A Lockheed Martin, maior produtora de produtos aeroespaciais para fins militares do mundo, apresentou, em 2004, a linha de submarinos nucleares BAEs Astute-class. O sistema central dessas máquinas subaquáticas possui a distribuição de Linux Red Hat instalada.

O Linux no Brasil, era visto como um sistema operacional voltado aos nerds, mas sem muitas esperanças dentro de empresas multinacionais como Telecom, bancos ou indústrias, isso devido à falta do suporte corporativo, onde em caso de problemas, era possível ligar ou culpar alguém.
Dai que em 2002-2003 surge o RedHat Advanced Edtion 2.1, uma distribuição paga (no caso você pagava o direito ao suporte e atualização do produto, isso vale até hoje que eu saiba), foi um marco para muitos que já trabalham com Linux, já sabíamos da sua capacidade e versatilidade, mas eram proibidos de serem instalados nos servidores devido a tão temida: Falta de Suporte.
Hoje eu chego mais rápido neste raciocínio: Se eu vendo um serviço com um SLA ao meu cliente, preciso ter o mesmo SLA ou melhor junto aos fornecedores da infraestrutura fornecida ao meu cliente, e isso não existia para sistemas operacionais Linux até a RedHat ter criado.
Vários projetos de instalação de ambientes Linux foram executados em paralelo com servidores Windows, Sun e IBM, servidores estes que dominavam os datacenters. Lembro-me da quantidade de freezers rodando Solaris, os servidores 10K e 15K em empresas de Telecom pelo Rio de Janeiro, se você não soubesse mexer em um Solaris, tinha o seu salário bem reduzido.
Dai começamos a instalar e configurar os servidores com RedHat Advanced Edition 2.1, depois de poucas horas e alguns CD`s, tínhamos um servidor Linux prontinho para testes. Logo era percebido a sua velocidade devido ao tempo do boot. A compilação de um HTTP Server Apache em um servidor Linux era no mínimo 2,5x mais rápida que em um servidor Solaris, incluindo SSL e outros módulos, isso sem falar na desempenho de ambientes JAVA. A BEA havia comprado o JDK Jrockit, versão essa que prometia ser 2x mais rápida que a fornecida pela SUN, mas que em ambiente Linux era até 4x mais rápidas.
Durantes alguns meses, nós tivemos ambientes duplicados com Sun Solaris e Linux, rodando servidores aplicacionais JAVA, já que muitos ainda desconfiavam da performance e do suporte em caso de problemas, mas logo essa desconfiança foi superada e os servidores Sun Solaris, como os Windows e os AIX foram substituídos por Linux, a cada compra de novos servidores nós já planejávamos a instalação de novos ambientes Linux e isso acontece até hoje, onde trabalho em um ambiente que possui mais de 70% dos seus servidores baseados em Linux, restando os 30% divididos entre Windows e Unix(Solaris,AIX e afins).
O crescimento quanto à utilização do Linux graças à iniciativa da RedHat gerou uma coisa muito importante no mercado de TI, confiança, confiança essa em produtos e serviços criados por comunidades, e que funcionam e é possível realizar alterações sem pedir permissão; o importante é criar, funcionar, poder alterar e compartilhar. Isso é opensource para mim.
Vários produtos e serviços são utilizados por empresas que trabalham com ambientes em missão críticas, seja Telecom, Bancos, NASA e hospitais. A Microsoft vem correndo atrás do prejuízo, e de anos e anos falando mal do mundo opensource, isso já até virou piada.
O custo de suporte de uma série de operações em TI foi reduzido em mais de 50% com a implementação de sistemas opensource e isso continua a crescer, veja o caso do Cloud Computing, onde grande parte das soluções oferecidas no mercado são suportadas em ambientes Linux, sem falar no Google que roda a quase 100% em Linux.
O Linux veio para ficar e só tende a crescer.


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A HISTÓRIA DO PETRÓLEO


 “Pegue madeira boa e construa para você uma grande barca. Faça divisões nela e tape todos os buracos com piche, por dentro e por fora.” (Gêneses 6:14).

Essa citação bíblica nos permite saber que a origem do petróleo é mais remota do que imaginamos, já que, o piche é uma substância originada a partir da evaporação natural do petróleo. Os povos antigos e medievais faziam pouco uso deste combustível fóssil usando-o no tratamento de doenças, no embalsamento de múmias, em guerras, na iluminação, entre outras aplicações.
Foi no início do século XIX que o petróleo atingiu um nível industrial, com a produção do óleo de iluminação a partir do combustível, o que originou o primeiro magnata da história do petróleo, o austríaco José Hecker. Porém, a lâmpada criada por Hecker, apresentava certas falhas que foram superadas quando o farmacêutico Josef Lukasiewicz se propôs a criar uma lâmpada melhor, também a partir do petróleo. O sucesso da sua lâmpada criada em 1852 foi tão grande que esta se tornou o produto que influenciou o consumo em larga escala do petróleo em toda a Europa, já que ele era mais barato e consumia menos combustível.
Com as revoluções industriais houve a evolução do maquinário que exigia dos donos de indústrias lubrificantes mais eficientes do que o azeite que era usado. Estudiosos concluíram que a melhor opção era o petróleo. A busca pelo lubrificante levou à obtenção de querosene a partir do carvão betuminoso.
Porém foi somente em 1855 que o americano Benjamin Silliman, depois de vários estudos, submeteu o petróleo a aquecimento e verificou que este se dividia em diversos subprodutos, dois dos quais ainda não eram conhecidos na época, mas que futuramente seriam produtos de alto valor econômico. Um era a gasolina, produto muito leve e facilmente inflamável que aos poucos se tornava popular. O outro era a nafta, produto mais pesado, menos inflamável, mas também com grande capacidade energética.
A gasolina foi usada primeiramente como combustível  trinta anos depois pelo alemão Gottlied Daimler em um motor que o mesmo tinha inventado. Já a nafta, foi posteriormente usada por outro alemão, Rudolf Diesel, que faria o mesmo com esse produto, mas num tipo diferente de máquina a combustão interna, que atualmente é conhecido como motor diesel.
Com essas e outras descobertas, como, por exemplo, a do escocês John Loudon McAdam – que pôs em prática suas teorias sobre pavimentação com piche ou asfalto – o petróleo tornou-se inteiramente aproveitável, e passou a ser procurado com maior frequência em diversas regiões do mundo, como na Rússia, na Romênia, no Oriente Médio e na Venezuela. Mas foi nos Estados Unidos que a busca do petróleo assumiu grandes proporções. E como a maior parte das usinas era estadunidense e estas também eram as mais ricas, o país logo se tornou o primeiro produtor mundial.
O petróleo também foi descoberto durante a colonização por acaso. Os colonos procuravam sal e em vez disso encontravam petróleo, porém ainda não tinham noção de como usá-lo e o deixava, após muito trabalho cavando poços, para ir cavar em outro lugar.
Samuel Kier foi o primeiro homem a explorar o petróleo na Pensilvânia, Estados Unidos, pois possuía muitos prejuízos com seus poços de sal inundados do óleo escuro. Passou a utilizar o petróleo, visto somente como prejuízo, e o tratou, fazendo do líquido malcheiroso derivado para uso medicinal e compensar seus prejuízos.
Kier alavancou o uso do petróleo e este se tornou muito procurado, porém a procura do petróleo era sem técnica e a ordem era cavar poços até acontecer exsudações, método que, apesar de suas precariedades, se conseguiam grandes depósitos petrolíferos.
A ciência avançou e junto com ela os técnicos da área arranjaram novas formas para modernizar a extração do petróleo, alguns sem êxito, outros muitos pensativos, tendo ideias revolucionárias e sendo chamados de “loucos”. Entretanto são essas ideias, algumas inventadas por Edwin Drake, que o desenvolvimento de técnicas de perfuração de poços aconteceu, dando aos EUA novas técnicas as quais permitiram que o país fosse buscar petróleo no interior da terra, em vez de esperar que ele aflorasse à superfície.
A divulgação de novos métodos tornou-se mais difundidos e a produção americana desenvolveu-se. A industrialização do petróleo chegou e junto a ela a concorrência, refinarias se instalaram, grandes empresas enriqueceram visando levar o petróleo ao consumo cotidiano, transformando-o em derivados como querosene, parafina, lubrificante e gasolina. Até então a concorrência era entre as empresas dos EUA, como a organização de John Davison, a chamada Standard Oil Company, as organizações Texas Oil Company e Gulf Oil Corporation que disputavam sem conseguir superar o domínio de vendas mundial da empresa de Rockfeller na época.
A cada dia, a concorrência, a busca pelo antigo óleo escuro continua e a industrialização avança transformando o que conhecemos hoje em passado e fazendo do petróleo, um dos produtos mais utilizados e extraídos do mundo.


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XENOFOBIA NA ALEMANHA


A xenofobia (termo derivado do grego – xénos: "estrangeiro"; e phóbos: "medo”) é um dos fenômenos mais presentes na história e também um dos mais característicos de nossa sociedade. Em uma definição mais geral, pode-se dizer que é uma aversão pelo que é diferente, pelo outro, que geralmente nos assusta com sua alteridade. Mas é também um termo usado para denominar um transtorno psiquiátrico que gera um medo excessivo, sem controle algum, ao que é desconhecido – objetos ou pessoas.
Este conceito também se estende, de forma um tanto polêmica, a qualquer discriminação de ordem racial, grupal – em referência a grupos minoritários – ou cultural. Esta acepção causa certa ausência de clareza, pois é assim confundida com preconceitos, e nem todos eles são considerados fobias. 
Ocorre principalmente nos países mais desenvolvidos, onde há maior contingente de imigrantes. Isso devido, basicamente, às diferenças socioculturais existentes entre pessoas de países diferentes e, principalmente, à relação tensa entre os trabalhadores dos países ricos e os estrangeiros, vindos de países mais pobres, que disputam os mesmos postos de trabalho.
Os impulsos migratórios são, geralmente, motivados por questões econômicas: de um lado, ligados a fatores de repulsão de emigrantes (crises econômicas, guerras, conflitos em geral, fome, etc.); e, de outro, a fatores de atração (oportunidades de emprego, sonhos de enriquecimento rápido, melhoria na qualidade de vida, etc.).
Embates sociais e xenofobia crescente marcam o momento da História em países da Ásia, América e Europa. Na Europa, alguns grupos xenófobos são conhecidos entre nós, como os Skinheads, na Inglaterra, e os Neonazistas, na Alemanha. Outros grupos não são tão conhecidos assim, como os Bloc Identitaire (França), Casa Pound (Itália) e English Defence League (Reino Unido).

HISTÓRIA DA XENOFOBIA NA EUROPA E NA ALEMANHA

         A Reconquista Cristã da Península Ibérica, que levou à formação de Portugal em 1147, foi a grande responsável pela primeira tentativa consciente de separação das raças. Foi nesta época que se criou o mito dos aristocratas terem sangue azul. Especialistas afirmam que o conceito de sangue azul era um conceito racista, tendo sido criado como um eufemismo para ser branco, visto que as veias das pessoas muito brancas parecem ser de cor azul.
         Após a “Reconquista” e a expulsão das forças árabes para fora da Península, fez-se aquilo que ficou conhecido por “Limpeza do Sangue”. Numa primeira fase a “Limpeza” consistia em vedar o acesso a alguns dos direitos mais importantes na sociedade aos “Cristãos-novos” (Judeus e Muçulmanos convertidos à força pela Inquisição Católica). Esta “Limpeza” acabou por se fixar mais na raça da pessoa do que na religião dos seus antepassados, visto que para aceder às ordens religiosas e militares era necessário que as pessoas entregassem o comprovativo em como o seu sangue era “limpo” (não eram ou não descendiam de Cristãos-novos).
Esta perseguição aos Judeus feita pela Igreja Católica na Península Ibérica provocou a debandada de uma enorme massa de Judeus para a Europa Central (Holanda, Alemanha, etc.) e fez com que Portugal e Espanha perdessem uma média e alta burguesia culta e empreendedora, o que mudou para sempre a história socioeconómica da Europa e do Mundo.
No Holocausto, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, os nazistas exterminaram aproximadamente seis milhões de judeus. Isso por que acreditavam que os judeus eram uma raça inferior e manchavam o nome da Alemanha de Hitler, e, logo, deveriam ser exterminados.

XENOFOBIA NOS DIAS ATUAIS

Em meados do século 20, os fluxos migratórios internacionais conheceram uma inversão. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), existem cerca de 200 milhões de migrantes no mundo, sendo que 60% deles são pessoas que saíram de países subdesenvolvidos rumo a países desenvolvidos, tendo como principais destinos os Estados Unidos (35 milhões, em 2000), a Europa (56 milhões, em 2000) e o Japão (1,5 milhões, em 1998).
Porém, esse novo fluxo de imigração internacional, acirrado pelas desigualdades entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, deve ser entendido a partir de dois momentos.
O primeiro deles ocorre entre a década de 50 e fins da de 70, quando alguns países da Europa, os Estados Unidos e o Japão estimulavam a imigração, a fim de conseguir mão-de-obra para ocupar as vagas de menor qualificação e baixa remuneração, desprezadas por suas populações locais. Os imigrantes, então, eram bem-vindos, mas controlados. Geralmente, na Europa, chegavam imigrantes vindos de suas colônias (ou ex-colônias); nos Estados Unidos, mexicanos eram convocados a trabalhar no campo através do "bracero program"; e, no Japão, os "dekasseguis" (trabalhadores brasileiros com ascendência japonesa) eram bem recebidos.
Quanto ao segundo momento, da década de 80 em diante, a intensificação do processo de globalização e a ascensão do neoliberalismo trouxe maior pressão à abertura dos mercados e acelerou o desenvolvimento técnico-científico, o que possibilitou maior aceleração da produção e da circulação de mercadorias no mundo - e menor (ou diferenciada) participação do Estado nos assuntos ligados à economia.
Todos esses elementos acabaram permitindo às indústrias dos países ricos que elas migrassem pelo mundo, em busca de novos mercados e de mão-de-obra barata, gerando crescente desemprego e diferenças salariais entre os trabalhadores dos países desenvolvidos.
Desse período em diante, com exceção dos trabalhadores com alto grau de qualificação vindos de países mais pobres (a chamada "fuga de cérebros"), os trabalhadores com baixa qualificação já não seriam mais bem-vindos, pois passariam a disputar diretamente os postos de trabalho com parte da população local, gerando cada vez mais discriminação e preconceito.
          As reações contra os trabalhadores estrangeiros ainda são pequenas, mas a tendência é aumentar prevê Gabriela Boeing, da Organização para Migração Internacional, em Londres. Tem sido comum em pesquisas ver imigrantes roubam nossos empregos. É mais fácil culpar estrangeiros do que a política econômica. Trabalhos que vinham sendo feitos por imigrantes como serviços domésticos, de limpeza, construção civil, agricultura são cada vez mais disputados. O governo também está tomando medidas para diminuir o número de estrangeiros oferecendo pacote de retorno voluntário, com adiantamento do seguro desemprego.
Na Alemanha, onde imigrantes representam importante parcela da mão-de-obra em vista do envelhecimento da população, a crise aumentará a xenofobia se durar e terá repercussões, crê Udo Ludwing, do Instituto de Pesquisa Econômica de Halle.

XENOFOBIA NA ALEMANHA NOS DIAS ATUAIS

Um relatório apresentado em Berlim e que compõe a segunda parte de um estudo iniciado em 2006. Na primeira fase, cinco mil alemães acima dos 14 anos foram interrogados sobre suas opiniões a respeito do extremismo de direita. Concluiu-se que um entre cada quatro alemães defendia pontos de vista xenófobos.
Nesta segunda fase, os pesquisadores procuraram estabelecer as raízes dos preconceitos. Para tal, convidaram uma seleção de 150 dos participantes para discussões em grupo. "Queríamos examinar as opiniões dos entrevistados no contexto de suas vidas", explica Decker coordenador das pesquisas.
A conclusão foi surpreendente: a xenofobia está se tornando cada vez mais mainstream na Alemanha. Os participantes do debate expressaram rejeição em relação a estrangeiros "com uma trivialidade preocupante, inclusive pessoas que na primeira enquete não haviam chamado a atenção por atitudes de extrema direita", comentou o psicólogo.
"Foi assustadora para nós a facilidade com que os entrevistados estavam dispostos a trocar a democracia mais modesta em favor de estruturas autoritárias, nas quais supostamente reinassem ordem, tranquilidade e igualdade de chances", comenta Oliver Decker.
Outra revelação chocante é que o problema se encontra no próprio centro da sociedade alemã, contradizendo a teoria de que os celeiros do extremismo de direita se encontrariam nas partes do país afetadas pelo desemprego e a decadência social.
Segundo 37% da população, os imigrantes viriam para a Alemanha "para explorar o Estado de bem-estar"; 39% consideram o país "perigosamente superpovoado de estrangeiros". E 26% gostariam que houvesse "um único partido forte para representar a comunidade alemã".
Ficou ainda claro que a maioria dos participantes só apoia a democracia na medida em que garante a prosperidade pessoal. Caso contrário, passam imediatamente à intolerância. Uma atitude semelhante marcou também a década de 1950 na Alemanha, observaram os pesquisadores da Fundação Friedrich Ebert. Na época, o milagre econômico provou-se um obstáculo à reelaboração do passado nazista.
 Normalmente só se discute sobre isso quando um perigo emergente já se torna tão perceptível que a situação possa vir a piorar. Até então, costuma-se acreditar que esse problema seja coisa passada e que a discriminação nos últimos anos tenha diminuído. Mas a realidade, que novamente confirma o caráter contraditório da existência humana, demonstra que a história não necessariamente ruma numa direção positiva, como se quer acreditar, mas que avanços contrastam com recuos. Ideias que se tinha como fora de moda, absurdas e retrógradas, podem novamente vir a ser atuais e modernas. Isso significa que as ideais não morrem pelo simples decurso do tempo e que, em conformidade com o espírito de uma época, podem retornar.
Na Alemanha, onde especialmente o antissemitismo marcou a história, impera o silêncio diante do avanço da extrema-direita nos países vizinhos. O NPD (Partido Democrático Nacional da Alemanha) que, segundo o atual governo, deveria ser proibido comemora o sucesso da extrema-direita na Europa, especialmente na França e na Holanda. Apesar dos partidos de extrema-direita na Alemanha estar fragmentados e até agora não terem conseguido o mínimo de 5% de votos necessários para ocupar uma vaga no Congresso, eles vislumbram, agora, boas perspectivas para frente.

QUEM SOFRE MAIS COM A XENOFOBIA NA ALEMANHA?

Os principais alvos de preconceito são os turcos e os russos, considerados parasitas e gananciosos. Entretanto, os pesquisadores também identificaram a emergência do que denominaram "racismo cultural": preconceitos contra grupos marginais, tais como os desempregados e os socialmente desprivilegiados. Tal fato revelaria uma forte pressão para corresponder à norma social percebida, e a consequente condenação dos que fracassam neste processo.
Aproximadamente 10% da população alemã são compostas por estrangeiros, dos quais 28% são turcos, os mais atingidos pela discriminação. A discriminação é especialmente visível em demonstrações da extrema-direita e músicas, sendo que estas últimas já criaram um novo mercado: o mercado do rock de direita. Felizmente, ocorrem paralelos a muitas demonstrações nazistas – que já há bastante tempo vem acontecendo, com ódio a imigrantes e resistência contra o governo alemão –, manifestações contrárias de combate a um possível crescimento da xenofobia.
Evidentemente, o avanço da extrema-direita não ocorre por acaso. A crise da economia e do Estado de bem-estar social, associada às rápidas transformações tecnológicas, ocasionou um crescente desemprego e colocou a competitividade a qualquer custo como única alternativa de sobrevivência. Esta conjuntura gera insegurança, ressentimento e violência.
A extrema direita procura enfocar os problemas dos países que afetam diretamente a maioria da população e propõe soluções simples e discriminadoras, mas que exercem um forte poder de atração. É, por exemplo, mais fácil responsabilizar os estrangeiros pelo desemprego, pela criminalidade e pela insegurança, do que entender as complexas razões dos problemas. As soluções apresentadas são, então, também bem simples e conduzem à xenofobia, quando os estrangeiros são tratados como concorrência indesejada.
A Alemanha, por exemplo, continua sem ratificar o Protocolo nº 12 da Convenção Europeia para os Direitos Humanos, que estabelece a proibição geral da discriminação. As autoridades alemãs continuam com objeções na hora de deixar de fazer distinções sobre a base da nacionalidade, por exemplo, em relação aos benefícios sociais cuja aplicação é contrária ao Protocolo nº 12.
Motivações racistas não foram inclusas no Código Penal alemão como circunstância agravante de um crime. Duas iniciativas neste sentido foram bloqueadas em 2008 e em 2012 pelo Conselho Federal da Alemanha. E ainda, segundo uma apreciação do Conselho Europeu, o ódio e a incitação ao ódio desfrutam, na Alemanha, de um “considerável grau de impunidade”, conforme informou a publicação semanal Der Spiegel. Os colégios alemães adverte um informativo da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, constituem um alarmante criadouro de ódio baseado na etnia e na orientação sexual, sem que exista uma estratégia federal que esclareça sobre esses assuntos e estipule tolerância.
A Lei de Igualdade no Tratamento (AGG) alemã não menciona explicitamente os critérios de língua e nacionalidade como motivo de discriminação passível de punição, brecha normativa que prejudica muitas crianças espanholas nos colégios alemães, onde são discriminados inclusive por parte dos professores e de outros alunos porque, ainda recém-chegados, não sabem falar alemão corretamente.
Segundo dados do informativo “Jovens na Alemanha como responsável e vítimas da violência”, do Ministério do Interior germânico, um em cada sete adolescente alemães, 14,4%, se consideram “muito racistas diante dos estrangeiros”, e 30% responderam “sim” ao serem questionados se há estrangeiros em excesso no país. Essa pesquisa também mostra que 5% dos 44.600 jovens de quinze anos consultados são membros de algum grupo de extrema direita e que 6.4% dos adolescentes homens têm pontos de vista antissemita.
A maior proporção de neonazistas está no leste da Alemanha, antiga região comunista, onde mais dos 14% dos participantes do estudo tendiam a olhar o Holocausto como um fato “não horrível”, enquanto um número similar acreditava que os judeus, por seu comportamento, não foram totalmente inocentes.

A xenofobia (termo derivado do grego – xénos: "estrangeiro"; e phóbos: "medo”) é um dos fenômenos mais presentes na história e também um dos mais característicos de nossa sociedade. Em uma definição mais geral, pode-se dizer que é uma aversão pelo que é diferente, pelo outro, que geralmente nos assusta com sua alteridade. Mas é também um termo usado para denominar um transtorno psiquiátrico que gera um medo excessivo, sem controle algum, ao que é desconhecido – objetos ou pessoas.
Este conceito também se estende, de forma um tanto polêmica, a qualquer discriminação de ordem racial, grupal – em referência a grupos minoritários – ou cultural. Esta acepção causa certa ausência de clareza, pois é assim confundida com preconceitos, e nem todos eles são considerados fobias. 
Ocorre principalmente nos países mais desenvolvidos, onde há maior contingente de imigrantes. Isso devido, basicamente, às diferenças socioculturais existentes entre pessoas de países diferentes e, principalmente, à relação tensa entre os trabalhadores dos países ricos e os estrangeiros, vindos de países mais pobres, que disputam os mesmos postos de trabalho.
Os impulsos migratórios são, geralmente, motivados por questões econômicas: de um lado, ligados a fatores de repulsão de emigrantes (crises econômicas, guerras, conflitos em geral, fome, etc.); e, de outro, a fatores de atração (oportunidades de emprego, sonhos de enriquecimento rápido, melhoria na qualidade de vida, etc.).
Embates sociais e xenofobia crescente marcam o momento da História em países da Ásia, América e Europa. Na Europa, alguns grupos xenófobos são conhecidos entre nós, como os Skinheads, na Inglaterra, e os Neonazistas, na Alemanha. Outros grupos não são tão conhecidos assim, como os Bloc Identitaire (França), Casa Pound (Itália) e English Defence League (Reino Unido).

HISTÓRIA DA XENOFOBIA NA EUROPA E NA ALEMANHA

         A Reconquista Cristã da Península Ibérica, que levou à formação de Portugal em 1147, foi a grande responsável pela primeira tentativa consciente de separação das raças. Foi nesta época que se criou o mito dos aristocratas terem sangue azul. Especialistas afirmam que o conceito de sangue azul era um conceito racista, tendo sido criado como um eufemismo para ser branco, visto que as veias das pessoas muito brancas parecem ser de cor azul.
         Após a “Reconquista” e a expulsão das forças árabes para fora da Península, fez-se aquilo que ficou conhecido por “Limpeza do Sangue”. Numa primeira fase a “Limpeza” consistia em vedar o acesso a alguns dos direitos mais importantes na sociedade aos “Cristãos-novos” (Judeus e Muçulmanos convertidos à força pela Inquisição Católica). Esta “Limpeza” acabou por se fixar mais na raça da pessoa do que na religião dos seus antepassados, visto que para aceder às ordens religiosas e militares era necessário que as pessoas entregassem o comprovativo em como o seu sangue era “limpo” (não eram ou não descendiam de Cristãos-novos).
Esta perseguição aos Judeus feita pela Igreja Católica na Península Ibérica provocou a debandada de uma enorme massa de Judeus para a Europa Central (Holanda, Alemanha, etc.) e fez com que Portugal e Espanha perdessem uma média e alta burguesia culta e empreendedora, o que mudou para sempre a história socioeconómica da Europa e do Mundo.
No Holocausto, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, os nazistas exterminaram aproximadamente seis milhões de judeus. Isso por que acreditavam que os judeus eram uma raça inferior e manchavam o nome da Alemanha de Hitler, e, logo, deveriam ser exterminados.

XENOFOBIA NOS DIAS ATUAIS

Em meados do século 20, os fluxos migratórios internacionais conheceram uma inversão. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), existem cerca de 200 milhões de migrantes no mundo, sendo que 60% deles são pessoas que saíram de países subdesenvolvidos rumo a países desenvolvidos, tendo como principais destinos os Estados Unidos (35 milhões, em 2000), a Europa (56 milhões, em 2000) e o Japão (1,5 milhões, em 1998).
Porém, esse novo fluxo de imigração internacional, acirrado pelas desigualdades entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, deve ser entendido a partir de dois momentos.
O primeiro deles ocorre entre a década de 50 e fins da de 70, quando alguns países da Europa, os Estados Unidos e o Japão estimulavam a imigração, a fim de conseguir mão-de-obra para ocupar as vagas de menor qualificação e baixa remuneração, desprezadas por suas populações locais. Os imigrantes, então, eram bem-vindos, mas controlados. Geralmente, na Europa, chegavam imigrantes vindos de suas colônias (ou ex-colônias); nos Estados Unidos, mexicanos eram convocados a trabalhar no campo através do "bracero program"; e, no Japão, os "dekasseguis" (trabalhadores brasileiros com ascendência japonesa) eram bem recebidos.
Quanto ao segundo momento, da década de 80 em diante, a intensificação do processo de globalização e a ascensão do neoliberalismo trouxe maior pressão à abertura dos mercados e acelerou o desenvolvimento técnico-científico, o que possibilitou maior aceleração da produção e da circulação de mercadorias no mundo - e menor (ou diferenciada) participação do Estado nos assuntos ligados à economia.
Todos esses elementos acabaram permitindo às indústrias dos países ricos que elas migrassem pelo mundo, em busca de novos mercados e de mão-de-obra barata, gerando crescente desemprego e diferenças salariais entre os trabalhadores dos países desenvolvidos.
Desse período em diante, com exceção dos trabalhadores com alto grau de qualificação vindos de países mais pobres (a chamada "fuga de cérebros"), os trabalhadores com baixa qualificação já não seriam mais bem-vindos, pois passariam a disputar diretamente os postos de trabalho com parte da população local, gerando cada vez mais discriminação e preconceito.
          As reações contra os trabalhadores estrangeiros ainda são pequenas, mas a tendência é aumentar prevê Gabriela Boeing, da Organização para Migração Internacional, em Londres. Tem sido comum em pesquisas ver imigrantes roubam nossos empregos. É mais fácil culpar estrangeiros do que a política econômica. Trabalhos que vinham sendo feitos por imigrantes como serviços domésticos, de limpeza, construção civil, agricultura são cada vez mais disputados. O governo também está tomando medidas para diminuir o número de estrangeiros oferecendo pacote de retorno voluntário, com adiantamento do seguro desemprego.
Na Alemanha, onde imigrantes representam importante parcela da mão-de-obra em vista do envelhecimento da população, a crise aumentará a xenofobia se durar e terá repercussões, crê Udo Ludwing, do Instituto de Pesquisa Econômica de Halle.

XENOFOBIA NA ALEMANHA NOS DIAS ATUAIS

O fenômeno da xenofobia está de volta. Ou ele nem sequer foi superado?

Um relatório apresentado em Berlim e que compõe a segunda parte de um estudo iniciado em 2006. Na primeira fase, cinco mil alemães acima dos 14 anos foram interrogados sobre suas opiniões a respeito do extremismo de direita. Concluiu-se que um entre cada quatro alemães defendia pontos de vista xenófobos.
Nesta segunda fase, os pesquisadores procuraram estabelecer as raízes dos preconceitos. Para tal, convidaram uma seleção de 150 dos participantes para discussões em grupo. "Queríamos examinar as opiniões dos entrevistados no contexto de suas vidas", explica Decker coordenador das pesquisas.
A conclusão foi surpreendente: a xenofobia está se tornando cada vez mais mainstream na Alemanha. Os participantes do debate expressaram rejeição em relação a estrangeiros "com uma trivialidade preocupante, inclusive pessoas que na primeira enquete não haviam chamado a atenção por atitudes de extrema direita", comentou o psicólogo.
"Foi assustadora para nós a facilidade com que os entrevistados estavam dispostos a trocar a democracia mais modesta em favor de estruturas autoritárias, nas quais supostamente reinassem ordem, tranquilidade e igualdade de chances", comenta Oliver Decker.
Outra revelação chocante é que o problema se encontra no próprio centro da sociedade alemã, contradizendo a teoria de que os celeiros do extremismo de direita se encontrariam nas partes do país afetadas pelo desemprego e a decadência social.
Segundo 37% da população, os imigrantes viriam para a Alemanha "para explorar o Estado de bem-estar"; 39% consideram o país "perigosamente superpovoado de estrangeiros". E 26% gostariam que houvesse "um único partido forte para representar a comunidade alemã".
Ficou ainda claro que a maioria dos participantes só apoia a democracia na medida em que garante a prosperidade pessoal. Caso contrário, passam imediatamente à intolerância. Uma atitude semelhante marcou também a década de 1950 na Alemanha, observaram os pesquisadores da Fundação Friedrich Ebert. Na época, o milagre econômico provou-se um obstáculo à reelaboração do passado nazista.
 Normalmente só se discute sobre isso quando um perigo emergente já se torna tão perceptível que a situação possa vir a piorar. Até então, costuma-se acreditar que esse problema seja coisa passada e que a discriminação nos últimos anos tenha diminuído. Mas a realidade, que novamente confirma o caráter contraditório da existência humana, demonstra que a história não necessariamente ruma numa direção positiva, como se quer acreditar, mas que avanços contrastam com recuos. Ideias que se tinha como fora de moda, absurdas e retrógradas, podem novamente vir a ser atuais e modernas. Isso significa que as ideais não morrem pelo simples decurso do tempo e que, em conformidade com o espírito de uma época, podem retornar.
Na Alemanha, onde especialmente o antissemitismo marcou a história, impera o silêncio diante do avanço da extrema-direita nos países vizinhos. O NPD (Partido Democrático Nacional da Alemanha) que, segundo o atual governo, deveria ser proibido comemora o sucesso da extrema-direita na Europa, especialmente na França e na Holanda. Apesar dos partidos de extrema-direita na Alemanha estar fragmentados e até agora não terem conseguido o mínimo de 5% de votos necessários para ocupar uma vaga no Congresso, eles vislumbram, agora, boas perspectivas para frente.

QUEM SOFRE MAIS COM A XENOFOBIA NA ALEMANHA?

Os principais alvos de preconceito são os turcos e os russos, considerados parasitas e gananciosos. Entretanto, os pesquisadores também identificaram a emergência do que denominaram "racismo cultural": preconceitos contra grupos marginais, tais como os desempregados e os socialmente desprivilegiados. Tal fato revelaria uma forte pressão para corresponder à norma social percebida, e a consequente condenação dos que fracassam neste processo.
Aproximadamente 10% da população alemã são compostas por estrangeiros, dos quais 28% são turcos, os mais atingidos pela discriminação. A discriminação é especialmente visível em demonstrações da extrema-direita e músicas, sendo que estas últimas já criaram um novo mercado: o mercado do rock de direita. Felizmente, ocorrem paralelos a muitas demonstrações nazistas – que já há bastante tempo vem acontecendo, com ódio a imigrantes e resistência contra o governo alemão –, manifestações contrárias de combate a um possível crescimento da xenofobia.
Evidentemente, o avanço da extrema-direita não ocorre por acaso. A crise da economia e do Estado de bem-estar social, associada às rápidas transformações tecnológicas, ocasionou um crescente desemprego e colocou a competitividade a qualquer custo como única alternativa de sobrevivência. Esta conjuntura gera insegurança, ressentimento e violência.
A extrema direita procura enfocar os problemas dos países que afetam diretamente a maioria da população e propõe soluções simples e discriminadoras, mas que exercem um forte poder de atração. É, por exemplo, mais fácil responsabilizar os estrangeiros pelo desemprego, pela criminalidade e pela insegurança, do que entender as complexas razões dos problemas. As soluções apresentadas são, então, também bem simples e conduzem à xenofobia, quando os estrangeiros são tratados como concorrência indesejada.
A Alemanha, por exemplo, continua sem ratificar o Protocolo nº 12 da Convenção Europeia para os Direitos Humanos, que estabelece a proibição geral da discriminação. As autoridades alemãs continuam com objeções na hora de deixar de fazer distinções sobre a base da nacionalidade, por exemplo, em relação aos benefícios sociais cuja aplicação é contrária ao Protocolo nº 12.
Motivações racistas não foram inclusas no Código Penal alemão como circunstância agravante de um crime. Duas iniciativas neste sentido foram bloqueadas em 2008 e em 2012 pelo Conselho Federal da Alemanha. E ainda, segundo uma apreciação do Conselho Europeu, o ódio e a incitação ao ódio desfrutam, na Alemanha, de um “considerável grau de impunidade”, conforme informou a publicação semanal Der Spiegel. Os colégios alemães adverte um informativo da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, constituem um alarmante criadouro de ódio baseado na etnia e na orientação sexual, sem que exista uma estratégia federal que esclareça sobre esses assuntos e estipule tolerância.
A Lei de Igualdade no Tratamento (AGG) alemã não menciona explicitamente os critérios de língua e nacionalidade como motivo de discriminação passível de punição, brecha normativa que prejudica muitas crianças espanholas nos colégios alemães, onde são discriminados inclusive por parte dos professores e de outros alunos porque, ainda recém-chegados, não sabem falar alemão corretamente.
Segundo dados do informativo “Jovens na Alemanha como responsável e vítimas da violência”, do Ministério do Interior germânico, um em cada sete adolescente alemães, 14,4%, se consideram “muito racistas diante dos estrangeiros”, e 30% responderam “sim” ao serem questionados se há estrangeiros em excesso no país. Essa pesquisa também mostra que 5% dos 44.600 jovens de quinze anos consultados são membros de algum grupo de extrema direita e que 6.4% dos adolescentes homens têm pontos de vista antissemita.

A maior proporção de neonazistas está no leste da Alemanha, antiga região comunista, onde mais dos 14% dos participantes do estudo tendiam a olhar o Holocausto como um fato “não horrível”, enquanto um número similar acreditava que os judeus, por seu comportamento, não foram totalmente inocentes.

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