sexta-feira, 23 de agosto de 2019

CRÍTICA| ORANGE IS THE NEW BLACK - 7ª E ÚLTIMA TEMPORADA!





O fim do primeiro grande sucesso da Netflix! Um encerramento emocionante e necessário, em vista do desgaste que a série vinha sofrendo desde a quarta-quinta temporada.

Porém o final que assistimos está  longe de ser definitivo, deixando a possibilidade de retorno para daqui a alguns anos. Gostei do que vi, sobretudo os dois últimos episódios que contém uma carga dramática enorme.

Essa nova temporada trouxe temas bastante atuais nos EUA, o mais triste deles o caso dos milhares de imigrantes de diversas nacionalidade que escolhem os EUA como lar e acabam encarcerados em centros de detenção por estarem em situação "ilegal" no país.

Ao final de 7 temporadas, algumas detentas conseguiram passar pela experiência da prisão e se tornarem pessoas melhores, ou no mínimo dentro da lei. Outras acabaram se tornando pessoas muito piores, né Daya?

Foi de enorme satisfação voltar a ver personagens queridas que não víamos desde aquele momento fatídico de transferência de detentos na temporada 5.

Orange Is The New Black foi meu primeiro contanto com a Netflix, antes mesmo de saber o que era Netflix. Foi um show fantástico e nota 10 no quesito representatividade, um verdadeiro marco nesse sentido. Cumpriu um excelente papel, exaltou a diversidade e abriu espaço para que muitas outras produções ousassem ir além do homem/ mulher cis hétero.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CRÍTICA| OUTLANDER - 4ª TEMPORADA



Para quem antes reclamava que a trama era muito focada no casal Claire+Jaime essa 4ª temporada é um agrado. Pela primeira vez temos um episódio completamente livre da participação da Caitriona Balfe e do Sam Heughan. Temos um episódio todinho com a Sophie Skelton e o Richard Rankin, a Brianna e o Roger como protagonistas. E podemos esperar mais do casal Brianna+Roger nas próximas temporadas, além de uma maior participação de outros personagens.


Esse quarto ano é o ano do recomeço para Claire e Jaime. Depois de 20 anos separados o casal finalmente encontra a chance de refazer a vida no Novo Mundo. Longe de ser um lugar tranquilo, e tranquilidade é uma palavra que não existe na vida desses dois, as Colônias acabam se tornando palco de momentos de perigo e reencontros inesperados...


A série continua uma ótima adaptação do material original. A temporada atual é adaptação do 4º livro da saga, intitulado Outlander - Os tambores do Outono, e até o momento é a que mais se distancia dos livros, na ordem dos acontecimentos e sobretudo com personagens assumindo arcos que diferem de suas contraparte nos livros.


Sucesso garantido, a série tem previsão de retorno no primeiro semestre de 2020 para uma 5ª temporada e já tem 6ª temporada confirmada. Provavelmente ainda terá uma 7ª e 8ª temporada, se continuar adaptando um livro por temporada (a série de livros é formada por 8 volumes).


Outlander no momento é minha maior recomendação de programa de TV. É uma super opção de romance de época, mas longe de ser apenas um romance bobo, a série é repleta de ação, aventura e paisagens incríveis. As três primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix, então corre lá e dá uma conferida...

RESENHA| CALL ME BY YOUR NAME



Sou suspeito de dizer qualquer coisa sobre esse livro por vários motivos, e o maior deles é que eu já amava a história do Oliver e do Elio antes mesmo de ler sobre eles. É de certo um dos melhores romances que eu li na vida. É a história do primeiro amor, da descoberta da própria sexualidade em uma paixão de verão que durará a vida inteira. O encontro de almas, as duas metades do pêssego.

Antes de ler o livro eu já havia assistido ao filme duas vezes. E me emocionei de igual forma em ambas as vezes. A leitura foi tudo que eu esperava. A narrativa é construída com um tom de confissão, algo bastante pessoal, como se estivéssemos lendo um diário sem permissão. Uma confusão de sentimentos que nunca conseguiria ser adaptada para o cinema. Comparações deste tipo são inevitáveis. Livro e filme possuem finais diferentes, e me atrevo a dizer que desta vez a adaptação conseguiu construir um desfecho melhor, mais real. De toda forma, meu muito obrigado ao André Aciman por presentear a humanidade com tão grande obra de amor.

“I stopped for a second. If you remember everything, I wanted to say, and if you are really like me, then before you leave tomorrow, or when you’re just ready to shut the door of the taxi and have already said goodbye to everyone else and there’s not a thing left to say in this life, then, just this once, turn to me, even in jest, or as an afterthought, which would have meant everything to me when we were together, and, as you did back then, look me in the face, hold my gaze, and CALL ME BY YOUR NAME”


RESENHA| LA LECCIÓN DE AUGUST (EXTRAORDINARIO)






São poucos os livros que eu li mais de uma vez na vida. Quando isso acontece é como o caso de Extraordinário, que eu li pela primeira vez em 2013 e reli agora, 6 anos depois, em outro idioma.

A vida do Auggie é um desses exemplos de superação capaz de inspirar qualquer pessoa. Guardo um carinho enorme por essa estória. E acredito que deve ser obrigação de todo leitor ter contato com essa obra. Se engana quem pensa que é um livro para crianças. Extraordinário nos ensina muito sobre empatia e ser amigável. A respeitar as diferenças e sempre tentar ser gentil com as pessoas.

Acredito que meu exemplar em português é o livro mais emprestado da minha coleção. A prova disso é que o pobrezinho está em bem acabado. É uma leitura fácil, com poucas páginas e capítulos bem curtinhos.

“Se nos debería recordar por las cosas que hacemos. Las cosas que hacemos son las cosas más importantes de todas. Son más importantes que lo que decimos o que nuestro aspecto. Las cosas que hacemos duran más que nuestras vidas… Las cosas que hacemos están hechas de los recuerdos que la gente tiene de ti. Por eso tus actos son como tus monumentos. Están construidos con recuerdos y no con piedras.”

L E I A

quarta-feira, 17 de julho de 2019

RESENHA| OUTLANDER: Os tambores do outono



O quarto volume desta saga épica continua surpreendendo. 1100 páginas divididas em duas partes e uma história que mais uma vez atravessa o tempo e espaço para mostrar a força do amor. E ao que parece a força do amor entre Claire e Jamie é inesgotável, assim como a habilidade da Diana Gabaldon de escrever sobre eles.

Confesso que fiquei um pouco apreensivo imaginando a motivação da autora para escrever um quarto livro e o que esperar de isso tudo. Outra vez não houve decepção. A trama é bem construída interligando passado, presente e futuro e uma forma cativante. Os detalhes são essenciais quando o assunto é Outlander. Nada acontece por acaso e a autora não cansa de mostrar isso.

Diana Gabaldon é mestra quando o assunto é romances históricos, seja na Escócia, Índias ou América. Nesta nova aventura o foco da narrativa deixa de ser meramente sobre Claire e Jamie e passa a envolver também a filha do casal, Brianna e o namorado Roger. A descoberta de Brianna em 1970 de que um incêndio no século XVIII acabaria com a vida de seus pais, leva a garota a tomar uma decisão drástica e atravessar o círculo em Craigh na Dun e avisar os pais sobre o incêndio fatal. Sem conseguir impedi-la do perigo da travessia, Roger resolve segui-la e apesar dos desencontros o destino guarda fortes emoções a esse novo casal rumo ao desconhecido.

Continuo recomendando OUTLANDER não somente para os que gostam de romance, mas também ficção, aventura e ação. As 3 primeiras temporadas da série de TV estão disponíveis na Netflix, e o material adaptado é bem fiel ao original.

terça-feira, 2 de julho de 2019

DIFERENÇAS ENTRE TURFA, TUFA, TURFO E TUFO



 TURFA

Carvão é o nome dado a diversas rochas sedimentares passíveis de uso como combustível, constituídas de um material heterogêneo originado de restos vegetais depositados em águas rasas, protegidos da ação do oxigênio do ar.  Do ponto de vista químico, os carvões caracterizam-se pelo alto teor de carbono, normalmente 55% a 95%. De acordo com esse teor, têm-se, dos tipos menos ricos para os mais ricos em carbono: turfa, linhito, hulha (ou carvão betuminoso) e antracito.
A turfa é um tipo de carvão húmico, e como tal é considerada uma rocha sedimentar de origem biogênica. Consiste de camadas fracamente consolidadas de várias misturas de plantas herbáceas, visíveis à olho nu e matéria mineral. Arde com chama fuliginosa e cheira a ervas secas queimadas. A porcentagem de carbono varia entre 55% a 60% tendo um alto teor de água e outras impurezas.

TUFA

A tufa calcária é uma rocha calcária muito porosa.Forma-se quando a água flui à superfície das regiões calcárias carregada de carbonato de cálcio dissolvido, ao encontrar-se com a atmosfera, ocorrendo a liberação do CO2 dissolvido (processo favorecido pela existência de vegetação), pelo que a componente calcária precipita, formando a rocha.A precipitação do carbonato de cálcio se dá pela perda de pressão e de temperatura da água.
É uma rocha muito leve e fácil de ser cortada a partir do solo, de modo que é fácil de trabalhar. É uma rocha bastante utilizada em trabalhos de esculpir.Sua coloração pode variar em função da presença de outros metais na água, indo do branco ao amarelo, até mesmo marrom ou preto. Vestígios da flora e fauna local pode ser encontrada no interior destes calcários.
Tipicamente apresentam granulação fina, alta porosidade, predomínio de cálcio em relação ao magnésio nos carbonatos, presença de restos de vegetais, de animais e baixos teores de terrígenos.

TUFO

O tufo é uma rocha sedimentar esponjosa de origem química que, em regra, deixa ver os órgãos vegetais, conchas, etc. sobre os quais fez o deposito.Possui baixa densidade, reduzida consistência intergranular que se traduz na presença de grãos (ou partículas de qualquer natureza) facilmente desagregáveis.Podem ser de dois tipos:

Tufo vulcânico: rochas piroclásticas originadas da consolidação de grãos finos que estiveram soltos, é uma rocha relativamente fácil de cortar e de esculpir, só que, como se forma apenas em erupções submarinas pouco profundas e sujeitas a erosão inicial, é relativamente raro. Seus componentes possuem diâmetro inferior a 4 mm. A maioria possui de 0,062 a 2 mm. Quanto à composição dos fragmentos, podem ser:

·         Vulcânico cristalino — O tufo vulcânico cristalino possui em sua composição mais de 75% de cristais vulcânicos e fragmentos de cristais ejetados.
·         Tufo vulcânico lítico — No tufo vulcânico lítico predominam fragmentos de rochas cristalinas geradas do resfriamento rápido dos materiais vulcânicos.
·         Tufo vulcânico vítreo — Mais de 75% da composição do tufo vulcânico vítreo é constituída por cinza vulcânica endurecida.

Tufo calcário: é uma rocha esbranquiçada originada a partir de sedimentos em água doce ou água subterrânea percolante, cujo depósito de carbonato de cálcio incorpora plantas e conchas ao longo do tempo. O travertino é um tipo mais compacto do tufo calcário.
    
TURFO
Não existe significado para a geologia.




REFERÊNCIAS

O TUFO VULCÂNICO NA CONSTRUÇÃO FAIALENSE. Disponível em <http://geocrusoe.blogspot.com.br/2008/05/o-tufo-vulcnico-na-construo-faialense.html>. Acessado dia 01/08/2016.
PRESS, F, SIEVER R.,GROTZINGER, J. & JORDAN, T. H., 2006. Para Entender a Terra. Tradução RualdoMenegat, 4 ed. – Porto Alegre: Bookman.
TEIXEIRA, Wilson (org.)  et. al; Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000.
TOLEDO, Sérgio L. V;Caracterização das tufas calcárias quaternárias de Ourolândia, Bahia; Universidade Estadual Paulista - UNESP, Rio Claro.



segunda-feira, 13 de maio de 2019

RESENHA| O MITO DA MATURIDADE EM SEDIMENTOLOGIA E ANÁLISE DE PROVENIÊNCIA



Plausible hypotheses often became established as generally accepted facts by the mere passage of
time and the lack of a direct challenge1.
R. Dana Russel (1937)

Neste artigo publicado em 2017 pelo Journal of Sedimentary Research na seção de trabalhos sobre novas perspectivas para a sedimentologia, o renomado cientista Eduardo Garzanti põe em cheque um dos maiores paradigmas da sedimentologia, e por que não dizer da geologia? Fundamentado em quais estudos científicos chegamos à conclusão de que os grãos de areia modernos se tornam mais facilmente arredondados dependendo do tipo de transporte? Em poucas linhas Garzanti apresenta-nos o paradigma em sua totalidade, indo mais longe e ainda discutindo assuntos como a maturidade textural, e como esta tem pouco a dizer sobre a energia e transporte do meio.

Antes de aprofundar-se propriamente sobre o tema, o autor busca definir o que se trata um mito, significância essencial para o entendimento do paradigma. De uma maneira geral, mito é uma narrativa que busca dar sentido para origens misteriosas e funcionamento da natureza. Na geologia os conceitos míticos tornaram-se mais utilizados conforme regredimos no tempo e tentamos explicar fenômenos que ocorreram no Paleozoico e Pré-Cambriano. Pode acontecer também teorias científicas expressas na linguagem de mitos, como a reunificação dos continentes Pangea ou a Teoria Terra Bola de Neve.

De volta a Petrologia Sedimentar, temos o mito que durante o transporte, minerais como olivina, piroxênio, anfibólio ou feldspato são rapidamente eliminados, enquanto os sobreviventes tornam-se cada vez mais arredondados, o que acaba por dar uma noção de distância da fonte desses sedimentos. Em simples palavras os sedimentos aumentam sua “maturidade” ao longo do tempo através de uma série de processos como se seu destino fosse alcançar um estágio final de perfeição representado por grãos de quartos na forma de esferas de igual tamanho.

A explicação de forma simples acabou se tornando popular por conta das razões plausíveis ao invés de evidências observacionais. Tal paradigma evolucionista muito se assemelha a teoria da evolução na biologia, entretanto em sedimentologia o conceito de maturidade caminha para um ponto em que o sedimento tende a adquirir uma forma final inerte e estável.

A partir dessa ideia do mito, palavra que inclusive o autor não se cansa de usar quando se refere às ideias já amplamente aceitas na Geologia, o artigo aborda a limitação dos processos físicos na determinação do enriquecimento progressivos dos grãos relativamente mais duráveis tanto pré deposicionais quanto pós deposicionais. Dessa forma Garzanti divide seu trabalho em duas partes, a primeira que se encarrega em apresentar os ‘equívocos’ do conceito de maturidade mineralógica e seus determinantes e a segunda, sobre os ‘equívocos’ do conceito de maturidade textural.

O autor baseado em seus próprios estudos realizados anteriormente e apoiado em trabalhos de diversos outros autores (cerca de 130 trabalhos referenciados) não tem medo de polêmica e assume francamente os resultados de suas pesquisas. Sobre o intemperismo químico é sucinto e não tem papas na língua ao dizer que não passa de “a hyperbole that betrays mythical thinking2”. No que tange a abrasão mecânica afirma categoricamente “sediments do not ‘‘mature’’ during physical transport in water3’, sobre o grau de seleção dos sedimentos pela água afirma ‘hydrodynamic processes in the depositional environment can modify drastically the mineralogical composition of a sediment locally4’. Uma série de outras afirmações são apresentadas no escopo do trabalho, sendo umas das principais que ‘sediments do not ‘‘mature’’ during recycling5.

Longe dos laboratórios de pesquisa, a popularidade do conceito de maturidade é, sobretudo, uma ideia tendenciosa a partir da concepção comum para explicar por que as partículas de sedimentos detríticos mais finos são usualmente compostas de quartzo. A representação ideal do mito é principalmente observada em desertos, mas por conta dos longos períodos de atividade eólica, isso resultando, portanto de abrasão mecânica.

Essa ideia é atualmente bastante contestada pela falta de arenitos modernos quartzosos que hoje estão condicionados a ambientes bastantes específicos, principalmente hiperúmidos que no passado pode ter sido o responsável pela depletação de minerais menos estáveis e consequentemente enriquecimento do quartzo.

Ao fim da argumentação, Garlanzi volta a questionar o paradigma, apresentado-o agora com um ideal de pureza comum em todas as culturas e religiões, que sempre atraiu a mente humana a ponto de se tornar até mesmo uma obsessão criminal. A partir desse ponto de vista, o processo de maturação como geralmente é visualizado na sedimentologia pode ser percebido como um longo ritual de purificação, representado por dois extremos totalmente opostos que por fim nada mais é que uma representação dualista da natureza.

We need curiosity and spirit of observation to go beyond the comfort provided by armchair
representations of nature6.
Eduardo Garzanti (2017)

1Hipóteses plausíveis muitas vezes se estabeleceram como fatos geralmente aceitos pela mera passagem do tempo e a falta de um desafio direto.
2Um exagero que trai o pensamento mítico.
3Os sedimentos não amadurecem durante o transporte físico na água.
4Processos hidrodinâmicos no ambiente deposicional podem modificar drasticamente a composição mineralógica de um sedimento localmente.
5Os sedimentos não “amadurecem” durante a reciclagem.
6Precisamos de curiosidade e espírito de observação para ir além do conforto proporcionado pelas representações da natureza.

RESENHA| GEOLOGIA DO ESTADO DE RORAIMA, BRASIL

O trabalho escrito pelos geólogos Nelson Reis, Lêda Maria Fraga, Mário Sérgio Faria e Marcelo Almeida foi publicado em forma de artigo científico na edição número 2-3-4 do ano de 2003 da revista Géologie de la France. O texto intitulado “Geologia do Estado de Roraima, Brasil” conta com 13 páginas de um rico material sobre a geologia roraimense, com destaque para a geologia estrutural da região, o Cráton Amazônico e o Escudo da Guianas.

Roraima é uma região bem diversificada em domínios litoestruturais e, por conseguinte em tipos litológicos. São reconhecidos 4 desses domínios, a) Urariquera (WNW-ESE a E-W), terreno vulcano-plutônico-sedimentar em 1,98-1,78 Ga; b) Guiana Central (NE-SW), cinturão de alto grau em 1,94-1,93 Ga e Associação AMG (1,5 Ga); c) Parima (NW-SE a E-W), terreno granito greenstone em 1,97-1,94 Ga e d) Anauá - Jatapu (NW-SE, NE-SW e N-S), terreno granito-gnáissico em 2,03-1,81 Ga.

O Domínio Urariquera ocupa o quadrante nor-nordeste de Roraima e revela um importante arranjo de lineamentos estruturados em EW a WNW-ESE e NW-SE, onde predominam granitos e vulcanitos em corpos alongados, bem como extensa cobertura sedimentar junto à fronteira com a Guiana e Venezuela. A su-sudoeste do domínio ocorrem rochas metassedimentares.

A porção centro-norte de Roraima com prolongamento através da Guiana e Suriname é denominada de Domínio Guiana Central. Assinala lineamentos estruturais NE-SW, impressos em unidades litológicas do Paleo e Mesoproterozoico. Seus limites ao norte e sul estão em grande parte encobertos por sedimentos cenozoicos ou obliterados por intrusões graníticas.

O Domínio Parima recobre a porção oeste de Roraima e revela uma forte estruturação NW-SE a E-W (mesopotâmia Mucajaí - Urariquera). O arcabouço estrutural E-W, mais a leste do domínio é similar àquele do Domínio Urariquera e sugere sua integração em um arranjo de zonas de cisalhamento em um quadro de esforços transpressivos.

Por último, o Domínio Anauá – Jatapu recobre o quadrante sudeste de Roraima e articula-se em um arranjo de lineamentos com direções NW-SE e NE-SW. Os autores optam por adotar uma divisão de Almeida et al. (2002) que distinguiram duas principais áreas de ocorrência de granitos neste domínio: o Terreno Martins Pereira–Anauá, localizado na parte norte e nordeste, e unidades com idades entre 2,03 Ga (Complexo Metamórfico Anauá) a 1,96 Ga (Grupo Uai-Uai, Granito Serra Dourada e Suíte Intrusiva Martins Pereira). E o Terreno Igarapé Azul - Água Branca na porção sudoeste do DAJ, caracterizado por granitos calci-alcalinos com idades situadas no intervalo 1,88 a 1,90 Ga (granitos Igarapé Azul e Água Branca).

A região desempenha papel importante no entendimento da evolução do Cráton Amazônico e das principais características geotectônicas do escudo da Guiana, motivos suficientes para despertar o interesse de estudo de geólogos do Brasil inteiro para a região. Uma das questões pertinentes ao Cráton Amazônico está no reconhecimento de terrenos granito-gnáissicos de idade/herança arqueana ou transamazônica e pós-transamazônica.

Assim, o trabalho de Reis e colaboradores apresenta de forma mais concisa uma série de dados sobre o Cráton Amazônico acumulados no decorrer de vários anos de pesquisa por diversos autores. O diferencial da abordagem do artigo é a tentativa de integrar esses dados geológicos, geocronológicos e estruturais culminando na apresentação de novas informações para a evolução crustal do estado.

Além de apresentar fortes correlações entre os domínios litoestruturais de Roraima, a referência traz novos intervalos de idade correspondente a cada província, e reavalia algumas datações anteriores que atualmente foram obtidas novamente por métodos geocronológicos mais precisos. Diante dessa perspectiva, o texto é um ótimo aparato das novas contribuições geocronológicas para o Cráton Amazônico, avaliando os múltiplos registros de intensa deformação e metamorfismo e como a interpretação destes é essencial para uma melhor caracterização da região. Por fim, esse conhecimento é indispensável para trabalhos de mapeamento do Estado de Roraima.

RESENHA| A REVIEW OF THE RELATIONSHIPS BETWEEN GRANITOID TYPES, THEIRORIGINS AND THEIR GEODYNAMIC ENVIRONMENTS



O artigo intitulado "Uma revisão das relações entre tipos de granitóides, suas origens e seus ambientes geodinâmicos" foi escrito por Bernard Barbarin e publicado pela Revista Científica Elsevier no ano de 1998.
O trabalho aborda principalmente a classificação dos granitos e a correlação destes com o ambiente de formação. A fundamentação para esse tipo de correlação, parte do pressuposto que os principais tipos granitoides não são aleatoriamente distribuídos nos vários ambientes geodinâmicos. Segundo o autor, há evidências claras de fortes relações entre tipos granitoides e ambientes geodinâmicos. Além disso, a maioria dos ambientes geodinâmicos não é caracterizada por um único tipo granitoide.
A tipologia proposta baseia-se no conceito de tectónica de placas e a maioria dos estudos de caso referem-se a Pré-cambriano aos granitoides recentes. Granitoides mais antigos podem, no entanto, ser digitada usando os mesmos critérios que os aqueles usados para granitoides muito mais jovens, porque o paradigma tectônico placa pode ser aplicado de volta para o pré-cambriano
Esta tipologia complementa a maioria das classificações recentes porque não é com base unicamente em critérios químicos e isotópicos, mas também em campo, critérios petrográficos e mineralógicos. Tem assim a vantagem de distinguir os vários tipos granitoides no campo, na maioria dos casos.
O uso de granitoides como traçadores da evolução geodinâmica é possível a partir considerando-se que granitoides peraluminosos são de origem crustal; os granitoides «toleíticos», alcalinos e peralcalinos são de origem do manto; e ambos os tipos de cálcio-alcalino.
Dessa forma, os granitoides são de origem mista e envolvem materiais crustais e manto. Cada tipo de granitoide é gerado e colocado em um ambiente tectônico muito específico, onde cada estágio do ciclo de Wilson é caracterizado por associações típicas de granitoides.
Assim, o estudo das relações entre a origem dos granitoides e a tentativa de correlacionar estes com possíveis ambientes geodinâmicos é importante para trabalhos sobre a origem da crosta, independente do seu período de formação, desenvolvendo assim uma valiosa ferramenta para o entendimento da evolução crustal.

RESENHA| A EVOLUÇÃO TECTÔNICA DO CRATÓN AMAZÔNICO



O artigo escrito por Tassinari e Macambira em 2004, é um estudo sobre as províncias geocronológicas do Cráton Amazônico. O Cráton é localizado na parte norte da América do Sul, sendo circundado por faixas móveis neoproterozoicas de um lado e do outro o oceano atlântico.É uma das maiores áreas cratônicas do mundo, com superfície total de aproximadamente 4,3x105 Km2. Territorialmente é dividido em dois escudos, o do Guaporé e o das Guianas, separados pelas rochas sedimentares da Bacia paleozoica do Amazonas. A fim de melhor compreender a evolução do cráton, o mesmo é dividido em 6 principais províncias geocronológicas: Amazônia Central, Maroni-Itacaiunas; Rio Negro – Juruna, Ventuari – Tapajós, Rondoniano – San Ignácio e Sunsás.
Tassinari e Macambira (1999) definem Província Geocronológica como sendo grandes zonas dentro das áreas cratônicas, onde predomina um determinado padrão geocronológico, com as idades obtidas por diferentes métodos aplicados em distintos materiais, exibindo valores coerentes entre si. Dessa forma os limites entre as províncias são traçados com base nas idades do embasamento metamórfico e nas características geológicas, com suporte de dados geofísicos.
Cada província geocronológica pode conter rochas ígneas anorogênicas e coberturas vulcânicas e sedimentares de distintas idades, desde que mais jovens do que o padrão geocronológico de seu respectivo embasamento metamórfico e em concordância com a evolução tectônica das áreas vizinhas.
As províncias Ventuari-Tapajós, Rio Negro- Juruena e parte das províncias Maroni-Itacaiúnas e Rondoniana-San Ignácio evoluíram através de sucessivos arcos magmáticos produzindo acresções continentais a partir de magmas derivados do manto superior. Por outro lado, a evolução da Província Sunsás e de parte das províncias Rondoniana-San Ignácio e Maroni-Itacaiunas parece estar associada principalmente a processos de colisão continental.
A Província Amazônia Central é composta da crosta continental mais antiga do Cráton Amazônico, e dessa forma, não afetada pela orogenia Transamazônica. É dividida em dois domínios principais: um formado por áreas com embasamento francamente arqueano a Província Mineral Carajás, no sudeste do cráton- e outro formado pela faixa de direção SE- NW que vai da região a oeste da Província Carajás ao Estado de Roraima, sendo parcialmente coberta pela bacia do Amazonas.
A Província Maroni-Itacaiúnas contorna a Província Amazônia Central, definindo uma larga faixa na borda norte- nordeste do Cráton Amazônico com evolução principal ocorrida no intervalo de 2,2 a 1,95 Ga. Após a abertura oceânica e formação de uma crosta juvenil entre 2,26 e 2,20 Ga, seguiram-se movimentos convergentes em ambiente de arco de ilha, gerando magmatismo dominantemente tonalítico (TTG) e sequências greenstone no intervalo de 2,18 a 2,13 Ga. Com o fechamento da bacia de arco e de evolução para movimentos sinistrais, produziram-se magmas graníticos e bacias preenchidas com detritos a cerca de 2,10 Ga.
O Estado de Roraima representa uma área-chave para entendimento da evolução de algumas províncias geocronológicas do Cráton Amazônico uma vez que reúne pontos de entre elas, pouco esclarecidos. O estado é dividido em domínios litoestruturais, que incluem as coberturas vulcânicas e sedimentares, e os granitos tipo A, a exemplo dos grupos Surumu Roraima, granitos Mapuera e Saracura.
Estes domínios situam-se geocronologicamente dentro da Província Maroni–Itacaiúnas, e são divididos em:Domínio Urariquera, no nordeste do estado, constitui terrenos ciclo vulcano-plutônico-sedimentares com idade entre 1,98 e 1,78 as Ga e direção WNW-WSW; Domínio Parima, um terreno granito-greenstone no noroeste com direção NW-SE e E-W e juvenil idades entre 1,97 e 1,94 Ga; Domínio Guiana Central, é um cinturão de alto grau no centro do estado com direção NE-SW e idade entre 1,94 e 1,93 Ga, intrudido por uma associação AMG (anortosito/gabro-mangerito-granito-repakivi) de cerca e de 1,5 Ga e afetado por cisalhamento de cerca de 1,2 Ga (Evento K’Mudku) e Domínio Anauá-Jatapu, no sudeste com direção NW-SE, NE-SW, composto de terrenos granitos-gnáissicos de idade entre 2,03 e 1,81 Ga.
A Província Ventuari-Tapajós trunca o segmento NE-SW do cinturão Maroni-Itacaiúnas, e limita-se também com a parte ocidental da Província Amazônia Central, estendendo-se desde o sul da Venezuela até a região do rio Tapajós, no sudoeste do Estado do Pará.Geologicamente, essa província contrasta fortemente com a Maroni-Itacaiúnas, que possui predomínio de granulitos e rochas metavulcano-sedimentares.
Na Província Ventuari-Tapajós predominam granitos gnáissicos de composição quartzo-dioritica a granodioritica, formados entre 1,95 e 1,8 Ga, a partir de processos de diferenciação mantélica ocorridos pouco tempo antes da formação das rochas, caracterizando a atuação de um arco magmático. Tanto em sua parte norte como sul, ocorrem associações vulcano-plutônicas de ao tendências cálcio-alcalinas e toleíticas isentas de recristalização metamórfica. O magmatismo máfico da Província Ventuari-Tapajós restringe-se a diques e sills de diabásio de composição tipo olivina gabro, que seccionarm tanto as rochas do embasamento como as coberturas vulcânicas e sedimentares.
A Província Rio Negro-Juruena ocorre na porção continental do Cráton Amazônico, dispondo-se paralelamente à Província Ventuari-Tapajós, sendo constituída por uma zona de intensa ocorrência de granitos e migmatitos, desenvolvida através de uma sucessão de arcos magmáticos de idades entre 1,8 e 1,55 Ga. Esses dados mostram claramente que as sequências greestonebelt e as suítes TTG associadas formaram-se principalmente entre 1,8 e 1,75 Ga, a partir de materiais predominantemente juvenis, caracterizando um episódio de acresção continental.
A Província Rondoniana-San Ignácio encontra-se situada na parte sudoeste do Cráton Amazônico limitando-se, em parte, com a Província Rio Negro-Juruena, através da zona de falha Marechal Rondon, que possui direção NW-SE. Inclui rochas polimetamórficas formadas principalmente dentro do intervalo de tempo de 1,55 a 1,30 Ga, mas também contém núcleos antigos preservados.
No interior da Província Rondoniana-San Ignácio, na área de atuação da Orogenia San Ignácio, ocorrem rochas mais antigas, que foram consideradas como Rochas do Embasamento Pré-San Ignácio. Esses dados mostram que uma parte da Província Rondoniana-San na Ignácio formou-se a partir de retrabalhamento de rochas derivadas do manto no Paleo e Mesoproterozóico, durante as orogenias Transamazônica e Rio Negro-Juruena Sequencias supracrustais ocorrem ao longo na região.
A Província Sunsás, situada no extremo sudoeste da na área cratônica, constitui a província geocronológica mais rochas jovem do Cráton Amazônico. Nessa província, os eventos tectônicos e magmáticos ocorreram principalmente no intervalo de tempo entre 1,25 e 1,0 Ga. Ela foi formada através do desenvolvimento da Orogenia Sunsás, que foi caracterizada como sendo um período de sedimentação de material erodido de rochas pré-existentes. A atividade granítica relacionada à orogenia Sunsás compreende vários tipos de plútons circulares ou elípticos, formando batólitos ou stocks. Soerguimento e resfriamento regional ocorreram até 920 Ma, quando se estabeleceu a cratonização dessa imensa massa continental, que hoje constitui o chamado Cratón Amazônico.
Em linhas gerais, o registro geológico da evolução da crosta continental é governado pela repetida agregação e fragmentação de continentes, modulado pelo resfriamento secular do manto e pela acreção de crosta continental. A análise e as interpretação dos dados isotópicos disponíveis para o Cráton agentes Amazônico, em especial as idades-modelo Sm-NdTpM), indicam os períodos de diferenciação mantélica dos protólitos das rochas estudadas permitiram estimar que cerca de 30% da diferenciada área do Cráton Amazônico foi separada do manto superior durante o Arqueano. Os 70 % restantes foram extraídos no Proterozoico, principalmente durante o intervalo de 2,2 a 1,55 Ga, sendo o período em torno de 2,0 Ga o mais importante.
Como consequência da interpretação integrada dos dados geocronológicos disponíveis, pode-se considerar que o protocráton arqueano na região Amazônica era microcontinentes, representados hoje pelos subdomínios Carajás-Xingu-Iricoumé, pelos fragmentos que constituem o complexo de Imataca na Venezuela e o complexo Granulitico de Cupixi e Tartarugal Grande, no Amapá. Esses blocos arqueanos foram soldados ou acrecionados através de orogenias colisionsais, desenvolvidas dentro do intervalo de tempo entre 2,2 e 1,95 Ga, no âmbito da Província Maroni-Itacaiúnas.
Através dos processos de colagens, as atuais províncias Amazônia Central e Maroni-Itacaiúnas constituíam, no final do período Orosiriano (1,8 Ga), uma massa continental cratônica que iniciou um processo colisional com outro bloco cratônico, de idade aparente paleoproterozóica, que seria o embasamento que posteriormente seria retrabalhado pelas orogenias Rondoniana-San Ignácio e Sunsás. Esse processo colisional iniciou-se através de subducções de crosta oceânica que geraram, entre 1,9 e 1,55 Ga, sucessivos arcos magmáticos e, consequentemente, produziram uma grande quantidade de crosta continental juvenil.
Após a desagregação do supercontinente, movimentos convergentes produziriam a orogenia Rondoniana-San Ignácio, envolvendo uma colisão crosta oceânica versus crosta continental, produzindo uma reciclagem de rochas crustas e também a acrescão de material juvenil, através do desenvolvimento de arcos magmáticos. Com a continuidade desse processo seriam gerados sistemas de rifts continentais onde depositaram-se os sedimentos que iriam formar os grupos Aguapei e Sunsás, e posteriormente, essas rochas sedimentares sofreriam deformações e metamorfismos, acompanhados por atividades magmáticas graníticas e máficas, gerando a orogenia Sunsás.


A concepção sobre a evolução tectônica do Cráton Amazônico é baseada em composições isotópicas que provêm de granitoides e ortognaisses, onde os isótopos de Sr, Pb e Nd indicam que provavelmente o protocráton teve origem no Arqueano após a colisão de microcontinentes e sucessivos processos de quelogênese durante o paleoproterozoico. Além disso, houve uma importante formação de crosta continental a partir de um material mais jovem, possivelmente paleo e mesoproterozoico provido diretamente do manto e evoluídos através de sucessivos arcos magmáticos.
Apesar de estar dividido em províncias com idades geocronológicas especificas, estas podem apresentar fragmentos mais antigos de outras províncias já bastante retrabalhados. As idades compreendem um intervalo de tempo desde 2,5Ga a 1,0Ga, idade a partir da qual é assumido que oCratón tem permanecido estável.
De maneira geral, que foi observado que o Cráton Amazônico passou por diferentes estágios até apresentar a configuração atual. Os processos envolveram desde formação de arcos magmáticos e colisões continentais, além disso os blocos rochosos sofreram amalgamamento e fragmentação sucessiva ao longo do período de formação. Todo esse processo gerou cerca 30% da área da crosta continental derivada do manto no Arqueano enquanto os outros 70% foram formados durante o Paleo e o Mesoproterozoico.



SUBAMBIENTE DELTAICO DOMINADO PELO FLUVIAL E POR MARÉ



O domínio fluviomarinho compreende os estuários (regiões com importantes correntes de marés) e os deltas (regiões com fracas correntes de marés e com importantes aportes fluviais) (POPP, 2014).
O sistema deltaico é composto pelo conjunto de subambientes que constituem o ambiente deltaico. Sendo que o delta é uma terminação de um curso d'água dentro do mar ou de um lago, que se divide em vários braços em uma zona onde a sedimentação é importante. Uma definição mais genérica é citada em Suguio (2003) e provém de Wright (1978) que define deltas como acumulações costeiras subaquosas e subaéreas, construídas a partir de sedimentos trazidos por um rio, adjacentes ou em estreita proximidade com o mesmo, incluindo os depósitos reafeiçoados secundariamente pelos diversos agentes da bacia receptora.
Atualmente o conceito de delta é utilizado principalmente num sentido amplo para designar associações e fácies sedimentares, que tem em comum apenas o fato de constituírem zonas de progradação vinculadas a um curso fluvial, tendo sido originalmente construídas a partir de sedimentos carreados por esse rio (SUGUIO, 2003).
Em locais onde as correntes de marés movem-se marés em direção ao continente e ao mar, elas redistribuem os sedimentos deltaicos em barras alongadas paralelas a direção delas mesmas, na maioria desses lugares em ângulos retos em relação à praia (POMEROL et al., 2013).
Em outros locais, a maré é forte a suficiente para impedir a formação de um delta. Em vez disso, o sedimento do rio levado para o fundo do mar é dispersado ao longo da linha de costa, como praias e barras, e é transportado para as águas profundas afora (POMEROL et al., 2013).
Além disso, para que a carga sedimentar carreada por um rio se acumule junto a sua foz e resulte na formação de um delta é necessário, que a energia do meio receptor não atinja o nível suficiente para dispersá-lo ao longo da costa. A energia do rio, expressa principalmente pela velocidade das suas águas, deverá em geral ser suficiente para manter um ou mais canais escavados através dos seus próprios depósitos (SUGIO, 2013).
Vários são os fatores que condicionam os processos de sedimentação deltaica, os quais mudam muito, dando em consequência origem a diferentes tipos de deltas. Alguns ocorrem ao longo de costas com amplitude de maré desprezível e/ou energia de onda mínima, enquanto outros são originados sob condições de grande amplitude de marés e/ou intensa atividade de ondas (SUGIO, 2013).
Diversos autores discutiram sobre os processos costeiros e os seus efeitos e significados na sedimentação deltaica, colocando entre os agentes mais importantes o clima, flutuação da descarga fluvial e da carga sedimentar, processos associados à desembocadura fluvial, energia das ondas, regimes de marés, ventos, correntes litorâneas, declividade da plataforma, tectônica e geometria da bacia receptora (SUGUIO, 2003) Embora esses fatores tenham alguma influência, somente poucos processos atuam mais decisivamente na formação dos diferentes tipos de deltas, como por exemplo:

Regime fluvial -As diferenças de padrão de canaldos regimes fluviais, comumente afetam a granulometria e a seleção das partículas transportadas. Desse modo, descargas extremamente erráticas tendem a transportar e depositar sedimentos mais grossos e pobremente selecionados, enquanto rios com descargas mais homogêneas depositam sedimentos mais finos e mais bem selecionados.O volume de sedimentos supridos, que também depende das variações de descarga e da composição litológica das rochas matrizes da bacia de drenagem, é também importante na taxa e no padrão de crescimentodos deltas (SUGUIO, 2003)

Processos costeiros - Os processos costeiros compreendem principalmente os efeitos das ondas e marés, além de correntes litorâneas. Quando os rios lançam os sedimentos em ambientes com grandes amplitudes de marés, elas passam a desempenhar um papel importante na determinação características dos corpos arenosos deltaicos. Nas desembocaduras dos rios submetidos a macro maréssão encontradas fortes entro correntes bidirecionais que dão origem a cordões arenosos subaquosos. Em geral, os deltas formados nessas áreas exibem sedimentos com feições típicas de planícies de marés e diferem das formadas sob condições de micro (SUGUIO, 2003).

Fatores climáticos -O tipo de clima determina a intensidade de atuação dos processos físicos químicos e biológicos de um sistema fluvial. Em bacias hidrográficas situadas em áreas tropicais verifica-se intensa decomposição química das rochas, formando-se espesso manto de intemperismo, que é protegido da erosão pela densa cobertura vegetal, em geral existente nessas áreas. Os rios transportarão principalmente materiais solúveis e partículas finas em suspensão e poucos sedimentos grossos. Por outro lado, quando o clima da bacia de drenagem for árido, a vegetação é escassa e o regime fluvial é irregular (SUGUIO, 2003).

Scott & Fisher (1969)apud Suguio (2003) adotaram, especificamente para os deltas marinhos, uma classificação baseada em conceitos genéticos (natureza e intensidade dos agentes geológicos oceânicos) e na distribuição de fácies nas porções subaéreas. Desse modo, estabeleceram dois grandes grupos: deltas construtivos (com predominância de fácies fluviais) e deltas destrutivos (com predominância de fácies marinhas). O primeiro grupo foi subdividido em dois subtipos: lobados e alongados; o segundo grupo foi subdividido, conforme a predominância das ondas ou das marés em subtipo em cúspide (ou cuspidado) e em franja (ou franjado) respectivamente.
O tipo delta construtivo é formado por um canal distribuitário, dique marginal e rompimento de dique; planície deltaica (pântano, lagoa e baía interdistributária); frente deltaica, inclusive barra de desembocadura e lençóis de areia e prodelta (POPP, 20014).
Os deltas destrutivos dominados por marés são compostos pelo canal fluvial, barra arenosa de maré, planície deltaica (sem maré), plataforma de canal de maré, planície deltaica de maré é canal de maré (POPP, 20014).
Galloway (1975) apud Pomerol et al. (2013)apresentou uma classificação modificada de Scott & Fisher (1969), baseada na ação recíproca dos processos marinhos e no papel desempenhados por esses processos na construção deltaica, propondo uma grande variedade de deltas, que foram agrupadas em um diagrama triangulas segundo três membros extremos:

Com predominância de maré, que induz embocaduras abertas do tipo estuário com importantes planícies de maré (tidal flats) e barras arenosas retilíneas na embocadura (tidal bars).

Com predominância dos efeitos de onda, que origina uma deriva litorânea de uma parte à outra da embocadura. Edificam-se, então, cordões litorâneos paralelos à costa que aprisionam lagoas e lagunas.

Com predominância da dinâmica fluvial, que gera um delta digitado (tipo pé de pássaro, ou bird foot) com desenvolvimento de canais em leque, bordados por diques marginais.

          Em suma, o delta resulta quase que somente da atividade fluvial somente quando a bacia receptora apresenta baixos níveis de energia. Em contrapartida, quando os níveis de energia da bacia receptora são elevados, a acumulação deltaica resulta da sedimentação marinha devida a ondas e marés, que retrabalham os sedimentos fluviais e constroem o arcabouço deltaico (PRESS et al. 2006).
          Apesar de haver divergências o conceito clássico de delta admite uma subdivisão morfológica, de montante (parte proximal) a jusante (parte distal) os seguintes depósitos(POMEROL et al. 2013):

Planície deltaica:uma planície subaérea, que se detém na linha de costa, onde se prolonga pela zona intermaré. Constitui a superfíciesub-horizontal adjacente à desembocadura da corrente fluvial. Os principais depósitos sedimentares associados à planície deltaica são: depósitos de preenchimento de canais, depósitos de diques naturais, depósitos de planície interdistributária e depósitos de pântanos e lagos

Frentedeltaica: uma frente deltaica, zona de borda pouco profunda, que pode alcançar até 50 km mar adentro. Esta província forma a área frontal de deposição ativa do delta que avança sobre os depósitos de prodelta. Aqui são depositados silte e areias finas fornecidos pelos principais distributários deltaicos. O conjunto desses depósitos recebe o nome de depósitos frontais. Os principais depósitos associados à frente deltaica são: depósitos de barra distal, depósitos de barra de desembocadura de distributários, depósitos de canaldistributários submersos e depósitos de dique natural submerso.

Prodelta:um talude deltaico com uma inclinação de 1 a 10° que se conecta à plataforma continental.A sedimentaçãoprodeltaica é essencialmente argilosa e representa a parte mais avançada de deposição de sedimentos carreados por um rio para uma bacia receptora. Duas feições geológicas diretamente associadas à deposição prodeltaica argilosa são as planícies de lama (mudflats) e os diápiros de lama (mudlumps).

Em corte, o delta é constituído de(POMEROL et al. 2013):

Topsets com depósitos de pântano argilosos e de turfas na sua parte subaérea, e de siltes e argilas da frente do delta associados a depósitos de canais e de diques marginais na sua parte subaquática; 

Foresets constituídos pelas areias e argilas do prodelta, e de areias grossas na desembocadura dos canais distributários; 

Bottomsets que correspondem à decantação das argilas.


REFERÊNCIAS


BOGGS, S. Petrology of Sedimentary Rocks. 2ª ed. Editora Cambridge: New York,  2009. 600p.


NICHOLS, G. Sedimentology and Stratigraphy. 2ª ed. Editora Wiley-Blackwell: Reino Unido, 2009. 419p.


POMEROL, C.; LAGABRIELLE, Y.; RENARD, M.; GUILLOT, S. Princípios de Geologia: técnicas, modelos e teorias. Tradução: Maria Lidia Vignol Lelarge e Pascal François Camille Lelarge. 14ª ed. Porto Alegre. Bookman, 2013. 1017 p.


POPP, J.H. Geologia Geral. 6ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014. 324 p.


PRESS, F, SIEVER R.,GROTZINGER, J. & JORDAN, T. H., 2006. Para Entender a Terra. Tradução Rualdo Menegat, 4 ed. – Porto Alegre: Bookman.


SGARBI, G. N. C. Petrografia macroscópica de rochas ígneas, sedimentares e metamórficas. 2ª Ed. Belo Horizonte. Editora da UFMG, 2012. 632 p.


SUGUIO, K. Geologia Sedimentar. 1ª ed. Editora Blucher: São Paulo, 2003. 400p.


TEIXEIRA, W; FAIRCHILD, T.R; TOLEDO, M.C; TAIOLI, F. Decifrando a Terra. 2ed. São Paulo, 2009.


TUCKER, M. E. Sedimentary Petrology: an introduction to the origin of sedimentary rocks. 3ª ed. Editora Blackweel Publishing: Reino Unido, 2001. 261p.