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“Pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras”
Um livro sobre o amor. Gostei logo na primeira página. Muito tocante. Texto bonito, curtinho, simples e com belíssimas citações. Escrito como se fosse uma carta, de texto corrido, formando um longo relato da relação entre o autor e sua esposa. Pode ser lido de uma só vez.
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“É isto: a paixão amorosa é um modo de entrar em ressonância com o outro, corpo e alma, e somente com ele ou ela. Estamos aquém e além da filosofia”
Lettre à D. - Histoire d'un amour é uma ode ao amor. Ganhei o livro de presente do @, após ele ter visto que li “Todos os Homens são Mortais”, da Simone de Beauvoir, já que Goez foi igualmente contemporâneo e discípulo de Sartre.
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“É preciso aceitar ser finito: estar aqui e em nenhum outro lugar, fazer isto e não outra coisa, agora e não sempre ou nunca [...], ter apenas esta vida”
Surpreso de ter encontrado tradução no Brasil (Carta a D. - História de um amor). Acho que por conta de o autor ser muito conhecido por seus trabalhos nas áreas da filosofia e sociologia. Inclusive esse foi o último trabalho dele. Um texto sobre paixão, militância e uma vida juntos de quase sessenta anos. Fiquei comovido ao terminar a leitura e descobrir que fim teve o autor e sua esposa.
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“No final das contas, só uma coisa me era realmente essencial: estar com você. Eu não posso me imaginar escrevendo se você não mais existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância”
André Gorz, Folio, 2009, 96 páginas.
Sinopse em português
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Uma das declarações de amor mais conhecidas e emocionantes de nosso tempo, este livro é também uma afirmação comovente de companheirismo entre duas pessoas apaixonadas. "Você está para fazer 82 anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca." Assim André Gorz inicia sua carta de amor a Dorine, mulher ao lado de quem ele passou a vida e que há alguns anos sofria de uma doença degenerativa incurável. Como um dos principais filósofos do pós-guerra francês, Gorz escreveu inúmeros livros influentes, mas nenhuma de suas obras será tão amplamente lida e lembrada quanto esta carta simples e bela, em que ele rememora tanto a história de companheirismo, amor e militância do casal como a trajetória intelectual que percorreram juntos. Um ano após a publicação de Carta a D., um bilhete encontrado na casa onde moravam fez as vezes de pós-escrito à narrativa: André e Dorine tiraram a própria vida juntos, numa renúncia comovente a viver sozinhos.
Sinopse em francês
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"Tu vas avoir quatre-vingt-deux ans. Tu as rapetissé de six centimètres, tu ne pèses que quarante-cinq kilos et tu es toujours belle, gracieuse et désirable. Cela fait cinquante-huit ans que nous vivons ensemble et je t'aime plus que jamais. Je porte de nouveau au creux de ma poitrine un vide dévorant que seule comble la chaleur de ton corps contre le mien." André Gorz revient avec cinquante ans de recul sur les années décisives de son histoire. Il restait beaucoup à dire. Car ce n'était pas la sienne seulement. Biographie de l'auteur André Gorz, de son vrai nom Gérard Horst, est né à Vienne en février 1923. Ecrivain et philosophe, il a notamment publié Le traître (1958), préfacé par Sartre, Adieux au prolétariat : au-delà du socialisme (1980), et L'Immatériel : connaissance, valeur et capital (2003). Parallèlement à son oeuvre philosophique, André Gort a poursuivi une carrière de journaliste, à L'Express, puis au Nouvel Observateur à partir de 1981, où il écrivit sous le pseudonyme de Michel Bosquet. Il est mort en septembre 2007.
Citações
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«Tu vas avoir quatre-vingt-deux ans. Tu as rapetissé de six centimètres, tu ne pèses que quarante-cinq kilos et tu es toujours belle, gracieuse et désirable. Cela fait cinquante-huit ans que nous vivons ensemble et je t'aime plus que jamais. Je porte de nouveau au creux de ma poitrine un vide dévorant que seule comble la chaleur de ton corps contre le mien»
“Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher.”
"Até onde consigo lembrar, eu sempre procurei não existir. Você deve ter trabalhado anos a fio até me fazer assumir minha existência"
"Quando te conheci sabia desde o início que éramos feitos um para compreender o outro"
“Quando tudo tiver sido dito, tudo ainda ficará por dizer, sempre restará tudo a dizer, em outras palavras, é-o dizer que importa, não o dito”
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“Que o amor é o fascínio recíproco de duas pessoas por aquilo que elas têm de menos dizível”
“Você era o complemento da irrealização do real”
“Só uma coisa me era realmente essencial: estar com você. Eu não posso me imaginar escrevendo se você não existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância.”
"Preciso reconstituir a história do nosso amor para compreender seu significado. Ela foi o que nos permitiu nos tornarmos quem somos, um pelo outro. Escrevo para entender o que vivi, o que vivemos juntos.”
“Você foi a primeira mulher que consegui amar de corpo e alma, com quem eu me sentia em ressonância profunda; meu primeiro amor verdadeiro, para dizer tudo. Se eu fosse incapaz de amá-la de verdade, nunca poderia amar ninguém. Encontrei palavras que nunca soubera pronunciar; palavras para lhe dizer que eu queria que permanecêssemos juntos para sempre. Mas também acho, que veio de um lugar de culpa. ‘Amar um escritor é amar que ele escreva’, dizia você. Então escreva!”’
"Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la juntos."
"Você me dava acesso a uma dimensão de alteridade suplementar - a mim, que sempre rejeitei toda identidade e juntei uma identidade na outra, sem que nenhuma fosse realmente a minha."
"Eu tinha a impressão de construir com você um mundo protegido e protetor."
"Não tínhamos um lugar assegurado no mundo, e só teríamos aquele que fizéssemos para nós."
"Tinha algo de você em tudo o que você fazia."
"Eu admirava sua segurança, sua confiança no futuro, sua capacidade de captar os instantes de felicidade que se ofereciam."
"Você tinha uma cumplicidade contagiosa com tudo o que é vivo, e me ensinou a olhar e a apreciar o campo, as árvores e os animais. Você descobriu para mim a riqueza da vida, e eu a amava através de você."
"Você me deu toda sua vida e tudo de si; e eu gostaria de poder lhe dar tudo de mim durante o tempo que nos resta."
"O mundo está vazio, não quero mais viver."
“Mas nada disso dá conta da ligação invisível pela qual nós nos sentimos unidos desde o início. Por mais que tivéssemos sido profundamente diferentes, mas eu não deixava de sentir que alguma coisa fundamental era comum a nós, um tipo de ferida original”
“Você não tinha nenhum lugar que fosse seu no mundo dos adultos. Estava condenada a ser forte porque todo o seu universo era precário. Eu sempre senti, ao mesmo tempo, a sua força e a sua fragilidade subjacente. Eu gostava da sua fragilidade superada, admirava a sua força frágil. Nós éramos, eu e você, filhos da precariedade e do conflito. Fomos feitos para nos proteger mutuamente contra ambos, e precisávamos criar juntos, um pelo outro, o lugar no mundo que originalmente nos tinha sido negado. Por isso, no entanto, seria necessário que o nosso amor fosse também um pacto para a vida inteira.”
“Eu estava consciente de precisar de você para encontrar o meu caminho, de só poder amar você.”
“Lembro de ter escrito a E. que no final das contas, só uma coisa me era realmente essencial: estar com você. Eu não posso me imaginar escrevendo se você não mais existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância.”







