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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

RESENHA – A VOLTA POR CIMA (FERNANDO SABINO)



“Tudo que acontece tem seu lado bom. Toda mudança é para melhor.” 
 
Lançado em 1990, A Volta por cima é uma coletânea de crônicas curtas. Não é um texto realmente interessante. Tem seus momentos bons e ruins. Li, pois, admiro muito o trabalho do autor e também porque é difícil encontrar livros impressos em português por aqui. Inclusive ele é um dos autores nacionais que eu mais li.

 
Comecei com Zélia, Uma Paixão (1991), um livro antigo perdido lá por casa em meados de 2012, um pouco como agora, quando eu lia qualquer coisa que encontrasse pela frente.

 
Depois em 2020 li O Encontro Marcado (1956), meu favorito dele, de onde vem aquela frase clássica sobre recomeços que eu adoro. Pelas minhas tentativas de ser escritor, esse livro em particular fala muito comigo.

 
Em 2021 ganhei A Faca de Dois Gumes (1985) de presente. Outra obra excelente do autor. Amei os três contos, e não é por menos: este é um dos maiores sucessos do autor.

 
Agora em 2024 foi a vez de A Volta por Cima. Os temas das crônicas são os mais variados possíveis, e ao há realmente qualquer tipo de ligação entre as diferentes narrativas que podem ser pura ficção ou memorias da vida pessoal do autor.

 
Entre as muitas coisas que esse livro é, pode dizer que é um livro datado e acho que faz tempo que não vê uma reedição. Só para informação, Fernando Sabino completaria 100 anos em outubro de 2023.

 
Li recentemente e é impossível não ver o lado politicamente incorreto do humor que o Sabino tenta trazer passa suas histórias. Algumas crônicas me pareceram levemente machistas ou homofóbica, gordofóbico também e com representações estereotipadas e antiquadas.

Ano: 1991 / Páginas: 204
Idioma: português
Editora: Record

terça-feira, 20 de julho de 2021

RESENHA| A FACA DE DOIS GUMES (FERNANDO SABINO)


Fernando Sabino escreve maravilhosamente bem. Não precisa usar uma prosa complicada para impressionar. É simples, e na simplicidade, surpreende. São histórias engraçadas, ou no mínimo interessantes e você se sente ali do ladinho do autor ouvindo-o contar o que está acontecendo.


 

A Faca de Dois Gumes é na verdade três romances: O BOM LADRÃO, MARTÍNI SECO e o romance que dá título à obra, A FACA DE DOIS GUMES. Por trás dessas histórias bem humoradas o autor escancara facilmente a natureza humana.


 

Com 3 casos diferentes e sem qualquer conexão, essa trilogia de amor, intriga e mistério, lembra muito o longa-metragem Relatos Selvagens, filme argentino indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015.


 

Aqui, mais uma vez o mestre do romance brasileiro não decepciona. Um livro gostoso de ler, a ponto de ser difícil escolher uma história favorita. Eu arriscaria dizer que gostei mais de O Bom Ladrão. Talvez pela trama ser engenhosa e divertida. As demais são perfeitas para quem gosta de mistério, com aquele toque de investigação policial.


 

Em retrospectiva, o primeiro trabalho que li do Sabino foi Encontro Marcado. Terminei o livro impactado, e porque não dizer MARCADO? Os elogios que deixo aqui para o falecido autor são quase os mesmos de quando concluí minha primeira leitura de seu legado. Outra coisa, é que aproveitei para reler a dedicatória única no exemplar que tenho. Obrigado Carol pelo livro. Amei o presente em todos os sentidos. Ah, não sei se você chegou a ler o título das histórias, mas a primeira se chama O BOM LADRÃO...

 

SABINO, Fernando. A Faca de dois gumes. Rio de Janeiro: Record, 1985. 239 p.


SINOPSE

 

Quem é o culpado? A esquiva Isabel, que o marido insinua ser uma ladra, ou ele próprio, que acaba preso e chamado a si mesmo de "bom ladrão"?


 

Uma mulher vai à polícia denunciar o marido, que ameaça matá-la "como fez com a outra" e dizer que foi suicídio. O marido vai à polícia alegar que a primeira mulher se suicidou tomando martíni seco com veneno, e a atual pretende fazer o mesmo, para que a culpa recaia sobre ele.


 

Quem é o culpado? O álibi deste outro marido é tão perfeito que jamais conseguirá provar a sua culpa, mesmo para salvar o filho, preso como culpado. E se não pretendia matar a mulher e o amante, por que tão requintado plano para surpreendê-los em flagrante? É este o outro gume da faca? Quem é o culpado?