sábado, 24 de outubro de 2026

Resenha - A correspondente (Virginia Evans)

 

"A meu ver, é preciso se esmerar na comunicação. Lembre-se: as palavras, principalmente quando escritas, são imortais"



Um livro inteiramente ouvido pelo Spotify. Escolhi a versão em francês, pois prefiro o sotaque da França que qualquer voz em inglês. Desde o ano passado tento ouvir no mínimo dois livros por ano. Ajuda, para além da leitura, praticar a escuta em língua estrangeira. Escuto em francês e inglês, por enquanto. Ouvi "Rejection" em inglês e agora "La Correspondante" em francês.



“Os trechos de estrada tomados pela ventania são muito mais comuns que as paradas confortáveis, e não estamos sempre tentando voltar a uma época mais feliz?”



Um romance epistolar. São aproximadamente 171 correspondências (número de capítulos no audiolivro), formadas por cartas, e-mails, bilhetes e outros documentos de diferentes tamanhos. Não é à toa que o livro se chama "A Correspondente". Esse formato torna a leitura fluida e agradável.



"Ou as pessoas se agarram e se unem ainda mais, ou se soltam e ali nasce um muro alto demais para atravessar"



Uma história que vamos descobrindo aos poucos, um texto profundo que ao final nos deixa com lágrimas nos olhos. Como todo livro em forma de cartas, pode ser difícil no começo para situar os personagens, saber quem é quem, e sempre há o problema da homogeneidade da escrita, parece que todo mundo escreve igual. Fora isso, a Correspondente tem algo em livros que gosto muito, o fato de ser um livro que cita outros livros.



"E o conceito de fim da vida, embora pareça banal dizer isso, me fez relembrar e ponderar o passado de novas maneiras"



O texto possui um caráter bem intimista. Virginia Evans soube dosar o mistério que prende o leitor, apesar de o final ser como esperávamos, pois não tinha forma de terminar melhor. É um romance recente, de 2024 chegou ao Brasil esse ano de 2026. Um dos livros mais recentes que li até agora. Escrevo cartas postais com muita frequência, visto que viajo regularmente, e ao terminar essa leitura fiquei com vontade de escrever cartas. Quem sabe eu não comece...



Citações favoritas


“Só posso pensar que passaremos por todas elas uma única vez. Nascemos e passamos pela infância na primavera. Vivemos aqueles anos animados, interessantes e gloriosos dos 20, 30 e 40 anos no verão. Encontramos paz em nós mesmos no outono, numa época fresca, mas não fria ainda, saborosa e aromática. E, no inverno, envelhecemos (brutalmente) e morremos.”



“Em pensar que a história da vida de alguém se preserva de alguma forma, que esta mesmíssima carta pode, um dia, significar alguma coisa, ainda que pequenina, para alguém?”



“É típico da sua geração pegar uma pessoa absolutamente brilhante e transformar suas peculiaridades em um problema.”



"Você tem razão no que disse: no coração, é como se ainda tivéssemos 30 anos, antes de toda a frustração e de todas as formas como a vida se tornou mais dolorosa do que imaginávamos que seria. Mas, em todo caso, ela também foi mágica."



“Imagine: as cartas que alguém manda pelo mundo e aquelas que recebe em troca são como as peças de um magnífico quebra-cabeça ou, numa metáfora melhor, ainda que datada, os elos de uma longa corrente.”



“Dizem que é uma ‘luta’. A luta contra o câncer. Lutar por meio dos tratamentos, travar um combate.”



“Preciso dizer que você me retratou sob uma luz um tanto heroica. É gentileza sua, mas não fui nenhuma heroína, Caroline. Cometi erros, tomei decisões que tiveram efeitos duradouros na vida de pessoas desconhecidas.”



“As cartas são o alicerce da minha vida, enquanto passei apenas cerca de 30 anos trabalhando nos tribunais. A assessoria ao juiz foi meu trabalho; as cartas constituem quem eu sou.”



“Ele me ensinou a agir assim, a dizer o que os outros queriam ouvir, não necessariamente a verdade, pois a maioria das pessoas diz que quer a verdade, mas não quer, e se você diz a verdade ela se volta contra você como uma serpente mordendo a própria cauda.”



Sinopse - Português




Mãe, avó, filha adotiva, mulher divorciada e aposentada após uma brilhante carreira no direito, Sybil van Antwerp desempenhou muitos papéis na vida. E algo sempre a acompanhou: a paixão por cartas. Elas dão sentido a seu mundo e a ajudam a entender seu lugar nele. Todos os dias, Sybil escreve a destinatários variados – o irmão, a melhor amiga, a diretora da faculdade de Letras, escritores como Joan Didion e Diana Gabaldon – e fala sobre o que a comove e a incomoda, o que a inspira e a entristece. Aos 73 anos, ela mora sozinha e almeja apenas uma vida tranquila, cuidando do jardim e lendo os romances que tanto ama. Mas, à medida que sua visão se deteriora, cartas anônimas ameaçadoras são depositadas em sua caixa de correio, forçando-a a mergulhar novamente em um passado doloroso – e a finalmente terminar uma longa carta que vem escrevendo há muitos anos, sem jamais enviar.



Sinopse - Inglês


”Filled with knowledge that only comes from a life fully lived, The Correspondent is a gem of a novel about the power of finding solace in literature and connection with people we might never meet in person. It is about the hubris of youth and the wisdom of old age, and the mistakes and acts of kindness that occur during a lifetime. Sybil Van Antwerp has throughout her life used letters to make sense of the world and her place in it. Most mornings, around half past ten, Sybil sits down to write letters—to her brother, to her best friend, to the president of the university who will not allow her to audit a class she desperately wants to take, to Joan Didion and Larry McMurtry to tell them what she thinks of their latest books, and to one person to whom she writes often yet never sends the letter. Sybil expects her world to go on as it always has—a mother, grandmother, wife, divorcee, distinguished lawyer, she has lived a very full life. But when letters from someone in her past force her to examine one of the most painful periods of her life, she realizes that the letter she has been writing over the years needs to be read and that she cannot move forward until she finds it in her heart to offer forgiveness. Sybil Van Antwerp’s life of letters might be “a very small thing,” but she also might be one of the most memorable characters you will ever read.


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