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"Esta é, incrédulos do mundo inteiro, a verdadeira história da Mamãe Grande..."
Livro reunindo 8 contos dentro do universo de Macondo. Excelente edição comentada e bilíngue, apesar de ter lido apenas em espanhol. Edições desse tipo é o único jeito de encontrar livros no idioma original aqui na França. Publicado em 1962, todos os contos têm final aberto, ou seja, nada decisivo. Vejo esses textos como um prelúdio para o que viria depois, a grande obra do autor: Cem anos de solidão
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" [...] tinha a serenidade escrupulosa da gente acostumada à pobreza."
Do mesmo autor li Cem anos de solidão, traduzido pois foi em 2015. 10 anos depois li La increíble y triste história de la cándida Eréndira y de su abuela desalmada, no idioma original, eoutro livro de contos e desta vez li Los funerales de la Mamá Grande. Futuramente pretendo reler Cien años de soledad, em espanhol. Além de Memória de mis putas tristes, El amor en los tiempos del cólera e Crónica de una muerte anunciada, igualmente em espanhol.
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" Se você quer ser feliz, não se confesse com estranhos."
Os funerais da mamãe grande é uma reunião de contos interligados sobre o cotidiano das pessoas. Cada conto possui um ou mais protagonista vindos de diferentes esferas de poder, classe e prestígio. Ou seja, trata de temas bem latino-americanos. Por coincidência descobri que é leitura obrigatória para o vestibular Unicamp 2027. Então tem muita gente lendo a obra nesse momento. Fora essa razão, para ler esse livro tem que gostar do Gabriel García Márquez e do seu estilo particular de escrita e gostar de ler contos. Ah, e é claro, tem que gostar de literatura fantástica.
"Só faltava então que alguém encostasse um tamborete na porta para contar esta história, lição e escarmento das gerações futuras, e que nenhum dos incrédulos do mundo"
Contos por ordem de preferência:
"Nesta terra não há ladrões"
"A sesta da terça-feira"
"A viúva Montiel"
"As flores artificiais"
"A prodigiosa tarde de Baltazar"
"Os funerais da mamãe grande"
"Um dia depois do sábado"
"Um dia desses"
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Sinopse em português
No último texto é preciso enterrar a Mamã Grande, soberana absoluta deste mundo, que faleceu com a fama de santidade aos 92 anos e a cujos funerais compareceu não só o Presidente da República, como até o Supremo Pontífice, na sua gôndola papal, além de camponeses, contrabandistas, cultivadores de arroz, prostitutas, feiticeiros e bananeiros, que ali se deslocaram propositadamente. Os seus bens, que datavam da época da conquista, eram incalculáveis. Abarcavam cinco municípios, 352 famílias e também a «riqueza do subsolo, as águas territoriais, as cores da bandeira, a soberania nacional, os partidos tradicionais, os direitos do homem, as liberdades dos cidadãos, o primeiro magistrado, a segunda instância, o terceiro debate, as cartas de recomendação», etc. Demora três horas a enumeração dos bens terrenos da Mamã Grande. Os seus herdeiros, no momento em que retiram do interior da casa o cadáver da defunta, fecham as portas e começam vorazmente a repartir a herança.
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Sinopse em espanhol
En Los funerales de la Mamá Grande (1962) se reúnen siete cuents y la novela corta que dá título al volumen, en la que se narran las fastuosas exequias de esa mujer muerta en olor de santidad a los noventa y dos años de edad, auténtica soberana de Macondo.
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Citações
“- o senhor vai nos pagar agora vinte mortos, tenente.”
"— Enxugue as lágrimas — disse. O alcaide assim fez. Estava tremendo. Enquanto o dentista lavava as mãos, olhou o teto esburacado e uma teia de aranha empoeirada com ovos de aranha e insetos mortos. O dentista voltou enxugando as mãos. “Vá para a cama — disse — e faça bochechos com água e sal.” O alcaide levantou-se, despediu-se com uma displicente continência, e dirigiu-se à porta esticando as pernas, sem abotoar o dólmã. — Mande-me a conta — disse. — Ao senhor ou ao município? O alcaide não o olhou. Fechou a porta, e disse através da tela metálica: — Dá no mesmo."
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