Mostrando postagens com marcador o conto da aia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o conto da aia. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de setembro de 2024

RESENHA – OS TESTAMENTOS (MARGARET ATWOOD)

 

“Precisamos nos recordar incessantemente dos descaminhos tomados no passado para não voltarmos a repetir os mesmos erros.”

 

Ótima continuação e uma distopia como eu amo.


 

Os Testamentos é a sequência de “O Conto da Aia” (Handmaid’s Tale). É bom sem fazer comparações com o anterior, até porque a autora levou 35 anos para decidir escrevê-lo.

 

“Que tipo de pessoa poderia ficar ao lado de Gilead e não se considerar um monstro? Especialmente sendo mulher.”


 

Li o volume 1 no começo de 2024 então ainda lembro bem do primeiro volume, e mesmo se não lembrasse, o que posso dizer é que os dois livros são independentes. Não é uma continuação direta e sim três outras histórias anos depois do final do livro 1, que servem principalmente para aprofundar outros elementos da organização de Gilead.

 

“Totalitarismos podem desmoronar de dentro para fora, à medida que deixam de cumprir as promessas que os levaram ao poder; ou podem ser atacados de fora para dentro; ou ambas as coisas. Não há fórmulas incríveis, já que muito pouca coisa na história é inevitável.”


 

Diversas personagens foram bem mais trabalhadas nessa continuação, humanizadas e tiveram suas motivações explicadas. Ao narrar diferentes acontecimentos a partir de três pontos de vistas, o romance oferece um panorama bem maior de como as mulheres viviam em Gilead. Acredito que nesse ponto Margaret Atwood acertou em cheio. Sem contar que a prosa dela é muito gostosa de ler.

 

“É melhor que nada, e sou uma grande defensora do melhor que nada. Na falta do melhor que tudo.”


 

Muito drama e ação na medida certa. Posso dizer que com bem mais ação, essa leitura pode não ser tão impactante quanto o primeiro volume, que foi algo mais introspectivo, mas sem dúvidas é um texto bem mais rápido de se ler.

 

SINOPSE – PORTUGUÊS

 

“Os Testamentos” se passa quinze anos após os acontecimentos aterrorizantes de O conto da aia. Mesmo diante de inúmeras tentativas de desestruturação, o regime da República de Gilead permanece de pé, mas há sinais de que suas pilastras começam a apresentar rachaduras. É nesse momento que a vida de três mulheres se entrelaça.


 

Agnes, filha de um comandante, criada dentro da elite e cercada de privilégios. É através do olhar dela que vamos conhecer como as jovens são preparadas para cumprir com suas obrigações como esposas dentro do regime totalitário. Ela faz parte da primeira geração a chegar à idade adulta dentro da nova ordem mundial.

 

Daisy, nascida no Canadá, mantém uma vida normal longe de Gilead. Vai à escola e trabalha em meio período na loja de roupas usadas dos pais. Apesar de experimentar a liberdade negada às mulheres que vivem a milhares de quilômetros dali, não está alheia ao que acontece no lugar que um dia foi chamado de Estados Unidos da América e participa de protestos contra os horrores praticados além da fronteira.


Tia Lydia, uma das executoras do regime, que exerce sua autoridade implacável por meio do acúmulo e da manipulação de segredos de Estado que podem ameaçar todas as estruturas do poder. Segredos dispersos e há muito enterrados, capazes de unir essas três mulheres, fazendo com que elas encarem quem realmente são e decidam até onde podem ir em busca do que acreditam.


Adaptada para a TV na premiadíssima The handmaid’s tale, a distopia de Margaret Atwood, que começou com O conto da aia, ganha ainda mais profundidade em Os testamentos. Uma narrativa que vai percorrer a infância e juventude das mulheres de dentro e fora de Gilead, os segredos sobre as verdadeiras personalidades das Tias, as engrenagens de um regime ditatorial e como a resistência pode ser o único caminho para implodi-lo.


 

SINOPSE - INGLÊS

 

In this brilliant sequel to The Handmaid's Tale, acclaimed author Margaret Atwood answers the questions that have tantalized readers for decades.

 

When the van door slammed on Offred's future at the end of The Handmaid's Tale, readers had no way of telling what lay ahead for her—freedom, prison or death.


 

With The Testaments, the wait is over.

 

Margaret Atwood's sequel picks up the story fifteen years after Offred stepped into the unknown, with the explosive testaments of three female narrators from Gilead.

 

"Dear Readers: Everything you've ever asked me about Gilead and its inner workings is the inspiration for this book. Well, almost everything! The other inspiration is the world we've been living in." —Margaret Atwood


 

CITAÇÕES FAVORITAS


“A verdade pode ser um perigo para aqueles que não deveriam conhecê-la”.

"Keep your friends close but your enemies closer. Having no friends, I must make do with enemies."


 

"Escrevo essas palavras no meu gabinete particular dentro da biblioteca do Ardua Hall, uma das poucas bibliotecas restantes após as animadas fogueiras de livros que têm ocorrido em nossa terra. As digitais pútridas e ensanguentadas do passado precisam ser expurgadas para deixar uma tábula rasa para a geração moralmente pura que com certeza vai nos suceder. Em teoria, pelo menos, é isso."

 

"Como é que eu pude ser tão má, tão cruel, tão burra? Você vai se perguntar. Você pessoalmente nunca teria feito as coisas daquele jeito! Mas você pessoalmente nunca precisou fazê-las."



"Em meu fim, está o meu começo."

 

“As they say, history does not repeat itself, but it rhymes.”


 

"Espera-se que toda mulher tenha as mesmas motivações, ou então que seja um monstro."

"Uma pessoa sozinha não é uma pessoa inteira: existimos em relação com os outros."

"O terror não reina, não exatamente. Ele paralisa."

 

"O plano de Deus não é o plano dos homens...

... e com toda certeza não é nem um pouco o plano das mulheres."


 

"Onde existir vácuo, a mente o preencherá com avidez"

 

"As aves do céu levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto. O amor é forte como a morte."

 

"Love is as strong as death."



O CONTO DA AIA: SINOPSE EM PORTUGUÊS

 

A história de O conto da aia passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes - tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado - há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar.


Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.

 

O CONTO DA AIA: SINOPSE EM FRANCÊS

 

Devant la chute drastique de la fécondité, la république de Gilead, récemment fondée par des fanatiques religieux, a réduit au rang d'esclaves sexuelles les quelques femmes encore fertiles. Vêtue de rouge, Defred, « servante écarlate » parmi d'autres, à qui l'on a ôté jusqu'à son nom, met donc son corps au service de son Commandant et de son épouse. Le soir, en regagnant sa chambre à l'austérité monacale, elle songe au temps où les femmes avaient le droit de lire, de travailler... En rejoignant un réseau secret, elle va tout tenter pour recouvrer sa liberté.

 

O CONTO DA AIA: SINOPSE EM INGLÊS

 

The Republic of Gilead offers Offred only one function: to breed. If she deviates, she will, like dissenters, be hanged at the wall or sent out to die slowly of radiation sickness. But even a repressive state cannot obliterate desire – neither Offred's nor that of the two men on which her future hangs.


Brilliantly conceived and executed, this powerful evocation of twenty-first-century America gives full rein to Margaret Atwood's devastating irony, wit and astute perception.

 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

O CONTO DA AIA – MARGARET ATWOOD (The handmaid’s tale)

 

Que livro perfeito. Imediatamente adicionado na minha lista de distopias preferidas. Desde que surgiu a série eu queria muito assisti-la, porém não sem antes ler o livro. Pronto, estou livre da minha promessa.

 

O conto da Aia tem o que eu mais gosto em distopias. Esse recorte de um só momento da história daquele universo e não necessariamente ela por inteira. As distopias YA da atualidade sempre mostram algum tipo de herói colocando fim ao sistema. Tem sempre o bem vencendo o mal. Eu prefiro esses finais abertos. E aqui temos um final bem diferente.

  

“Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define.”

 

O romance é contado em primeira pessoa, o texto oscila entre presente e passado. Algumas cenas são bem pesadas, necessitam de um tempo para serem digeridas, mas fora isso, é uma leitura rápida e interessante. A narrativa é tocante, bem íntima e repleta de momentos reflexivos.

 

“A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora.”

 

A obra de Margaret Atwood é um dos clássicos que nunca deixam de ganhar reedições. Ele é um livro bem datado, como Fahrenheit 451 no quesito tecnologia ainda falando de disquetes e outras invenções antiquadas. Porém, em seu conteúdo, continua mais atual que nunca. Talvez seja por isso que a série de televisão homônima (The handmaid’s tale, no original e produzida pelo canal de streaming Hulu) faz/fez tanto sucesso.


"Considero todas essas possibilidades ociosamente. Cada uma delas parece ter a mesma medida que todas as outras. Nem uma parece preferível. A fadiga está aqui, em meu corpo, em minhas pernas e olhos. Isso é o que derruba você no final. Fé é apenas uma palavra bordada."

 

Li a tradução em francês e uma coisa que gostei foi o uso do ‘De’ para posse, como no francês. No Brasil ficou igual ao original em inglês, como se fossem nomes, Ofglen, Ofcharles, Ofwayne, Offred. No francês ficou Defred, Deglen etc. E falando em França, como Simone de Beauvoir diria: ‘Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.’

 


SINOPSE EM PORTUGUÊS

 

A história de O conto da aia passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes - tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado - há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar.



Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.

 

SINOPSE EM FRANCÊS

 

Devant la chute drastique de la fécondité, la république de Gilead, récemment fondée par des fanatiques religieux, a réduit au rang d'esclaves sexuelles les quelques femmes encore fertiles. Vêtue de rouge, Defred, «servante écarlate» parmi d'autres, à qui l'on a ôté jusqu'à son nom, met donc son corps au service de son Commandant et de son épouse. Le soir, en regagnant sa chambre à l'austérité monacale, elle songe au temps où les femmes avaient le droit de lire, de travailler... En rejoignant un réseau secret, elle va tout tenter pour recouvrer sa liberté.

 

SINOPSE EM INGLÊS

 

The Republic of Gilead offers Offred only one function: to breed. If she deviates, she will, like dissenters, be hanged at the wall or sent out to die slowly of radiation sickness. But even a repressive state cannot obliterate desire – neither Offred's nor that of the two men on which her future hangs.

Brilliantly conceived and executed, this powerful evocation of twenty-first-century America gives full rein to Margaret Atwood's devastating irony, wit and astute perception.

 

CITAÇÕES FAVORITAS



“Se acontecer de você ser homem, em qualquer tempo no futuro, e tiver chegado até aqui, por favor lembre-se: você nunca será submetido à tentação de sentir que tem de perdoar um homem como uma mulher. É difícil de resistir, acredite.
Mas lembre-se de que o perdão também é um poder. Suplicar por ele é um poder, e recusá-lo ou concedê-lo é um poder, talvez de todos o maior.
Talvez nada disso seja a respeito de controle. Talvez não seja realmente sobre quem pode possuir quem, quem pode fazer o que com quem e sair impune, mesmo que seja até levar à morte. Talvez não seja sobre quem pode se sentar e quem tem de se ajoelhar ou ficar de pé ou se deitar, de pernas arreganhadas. Talvez seja sobre quem pode fazer o que com quem e ser perdoado por isso. Nunca me diga que dá no mesmo. "

 

"Não deixem que os bastardos esmaguem vocês."

 

"Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver luz sem sombra; ou melhor, não pode haver sombra a menos que também haja luz."

 

"Falhei mais uma vez em satisfazer as expectativas dos outros, que se tornaram minhas próprias expectativas."



"Mãe nenhuma jamais corresponde, completamente, a ideia de uma filha do que a mãe deveria ser, e imagino que isso também seja verdade no sentido inverso."


"Um rato num labirinto está livre para ir a qualquer lugar, desde que permaneça dentro do labirinto."