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quinta-feira, 14 de maio de 2026

RESENHA - LA BELLA ESTATE (Cesare Pavese)


 "A quei tempi era sempre festa. Bastava uscire di casa e attraversare la strada, per diventare come matte, e tutto era bello, specialmente di notte ..."



Seguindo com minhas tentativas de ler em italiano. Excelente livro para os dias ensolarados. Tem muito daquele gostinho de dia de verão. No Brasil é traduzido como "O belo verão", idêntico ao título original.



Achei um texto atual para a época que foi escrito, bem maduro, e talvez por isso, apesar de ter sido finalizado em 1940 só foi publicado em 1949. O final na verdade é apenas um recorte temporal, o que é bem bacana para uma história que acontece praticamente em uma estação do ano e em um momento da vida.



“Tina ch’era uscita zoppa dall’ospedale e in casa non aveva da mangiare, anche lei rideva per niente, e una sera, trottando dietro gli altri, si era fermata e si era messa a piangere perché dormire era una stupidaggine e rubava tempo all’allegria.”



Cesare Pavese publicou esse conto em um livro intitulado “O belo verão” que se compõe de três narrativas: O belo verão, O diabo nas colinas e Mulheres sós. Não é uma trilogia, mas três contos com muito em comum e considerado um dos melhores livros italianos de todos os tempos. O volume ganhou o Prêmio Strega de 1950. Mês passado li “O Colibri” do Sandro Veronesi, outro ganhador do prêmio.



Dessa vez li uma edição bilíngue, que contém apenas o conto que dá título ao livro.  É curtinho e com um bom ritmo. Entendi razoavelmente bem, acho que por conta do interesse genuíno que senti pela história. Uma espécie de romance jovem e drama coming of age. Gostei como o Pavese escreveu com um toque de humor e das personagens que pareciam ter vida própria. Do mesmo autor também adquiri recentemente “La spiaggia” e pretendo ler em breve. Descobri que tem um filme de 2024. Merece ser assistido.




"Quell’anno faceva tanto caldo che bisognava uscire ogni sera, e a Ginia pareva di non avere mai capito prima che cosa fosse l’estate, tanto era bello uscire ogni notte per passeggiare sotto i viali ..."



Sinopse em português



Vive-se um verão quente, festivo, leve, e Ginia, de dezasseis anos, anseia por aventura. Conhece então Amelia, jovem sofisticada que se move pelo meio cultural boémio, e com ela descobrirá um mundo novo de liberdade intoxicante, repleto de prazeres reservados apenas àquela estação – andar pelos campos para lá das colinas, abrir as janelas e sentir o perfume da noite, descobrir o que há por detrás de um cortinado vermelho. O Belo Verão é uma história intensa e delicada sobre a perda da inocência e o primeiro amor, narrada por um dos mais talentosos autores italianos do século xx. Escrito na primavera de 1940, mas publicado apenas em 1949, O Belo Verão foi distinguido em 1950 com o Prémio Strega.



Sinopse em italiano



Sullo sfondo di una Torino grigia e crepuscolare, si dipana la dolorosa maturazione di un’ingenua adolescente: nell’ambiente corrotto e sregolato della bohème artistica torinese, Ginia si innamora di un giovane pittore da cui, dopo resistenze interiori e rimorsi malcelati, si lascerà sedurre. È l’inizio di un amore disperante, carico di attese e vane illusioni, destinato a consumarsi nel breve attimo di una stagione. Un romanzo intenso e delicato che narra l’iniziazione alla vita, nella fase che segna, con la scoperta dei sensi e della tentazione, il passaggio dall’adolescenza alla maturità e la consapevolezza del proprio inevitabile destino.





quinta-feira, 20 de novembro de 2025

RESENHA - SEDA - Alessandro Barrico


Talvez seja porque a vida, às vezes, se apresenta de maneira tal, que não há mais nada a dizer”


Curtinho e com capítulos que são quase histórias individuais.

Li em três dias. O livro me cativou desde o início.

Com menos de 150 páginas consegue ser extremamente bonito, tocante, bem completo.




"Era o desejo de Hélène, convencida de que a tranquilidade de um refúgio isolado dissolveria o humor melancólico que parecia ter se apossado do marido. Tivera a esperteza, no entanto, de fazê-lo pensar que era um capricho pessoal dela, proporcionando ao homem que amava o prazer de perdoá-lo."


Seda aborda, entre outros temas, o que a falta de comunicação faz com as pessoas.

Obra de Alessandro Baricco, lançado originalmente em italiano, porém li em espanhol.

Publicado pela primeira vez em 1996 saiu no Brasil em 2007 pela Companhia das Letras.



Partiu com oitenta mil francos em ouro e cruzou a fronteira vizinha a Metz, atravessou o Württemberg e a Bavíera, entrou na Áustria, alcançou de trem Viena e Budapeste, e depois prosseguiu até Kiev. Percorreu a cavalo dois mil quilômetros de estepe russa, passou pelos Urais, entrou na Sibéria, viajou por quarenta dias até alcançar o lago Baikal, que as pessoas do lugar chamavam: mar. Desceu o rio Anuir, costeando a fronteira chinesa até o oceano, e, quando chegou ao oceano, deteve-se no porto de Sabirk por onze dias, até que um navio de contrabandistas holandeses o levou ao cabo Teraya, na costa oeste do Japão.”


Parece um exercício de escrita, algo entre um conto, um romance e uma fábula.

Breve e poético, aqui o autor usa a repetição do texto como forma de mostrar a rotina dos personagens.

É uma leitura leve, para quem tem presa e ainda assim, busca algo com certa profundidade.



Comprando e vendendo bichos-da-seda, todo ano Hervé Jouncour ganhava uma quantia suficiente para assegurar a si e à mulher aqueles confortos que na província são considerados luxo. Gozava com discrição de suas posses, e a perspectiva, verossímil, de se tornar rico de fato o deixava completamente indiferente. Era, além disso, um daqueles homens que amam observar a própria vida, julgando imprópria qualquer ambição de vivê-la.”


Citações


Era o ano de 1861. Flaubert escrevia Salammbô, a iluminação elétrica ainda era hipótese, e Abraham Lincoln, do outro lado do oceano, combatia uma guerra cujo fim nunca veria."


"Hélène, como todo ano, ajudou-o, sem nada perguntar, e escondendo sua inquietação. Só na última noite, depois de apagar a luz, encontrou força para lhe dizer

- Prometa-me que voltará.

Com voz firme, sem doçura.

- Prometa-me que voltará.

No escuro, Hervé Joncour respondeu

- Prometo."


Não abra os olhos, e terá minha pele”


Sinopse em português


Uma mistura de romance, conto, fábula e relato de aventura, Seda é a história de um homem que mergulha num universo de mistério, onde vive uma paixão proibida. Mas é, acima de tudo, um livro a respeito de sensações, descritas na prosa ao mesmo tempo concisa e lírica de um dos mais importantes escritores italianos.


É no caráter híbrido, irredutível a classificações imediatas, que reside a riqueza de Seda. A história se desenvolve sobre a trajetória de Hervé Joncour, numa cidade francesa cuja economia floresce, em meados do século XIX, com o incipiente negócio da seda. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o produto, descortina-se para ele um mundo a um tempo arcaico e novo, no qual a estranheza se mistura ao fascínio e à paixão.


Seda é um relato de sensações, de como a realidade objetiva se transmuda na visão, na memória e na linguagem. O texto se desenvolve sobre as imagens possíveis do que é puro mistério para Joncour: o fim do mundo, definido como invisível, cores mais leves que o nada, ideogramas que são como cinzas de uma voz queimada<. É em tal poder evocativo das palavras que o protagonista acaba encontrando, já velho e reconciliado com as lembranças, um sentido para a existência. Nesse tempo pouco definível, entre o passado ainda ardente e a melancolia de um futuro pacífico, ele encontra um modo exato de estar no mundo.


Sinopse em espanhol


El autor presentaba la edición italiana de este libro, que tuvo un éxito extraordinario, con estas palabras: Ésta no es una novela. Ni siquiera es un cuento. Ésta es una historia. Empieza con un hombre que atraviesa el mundo, y acaba con un lago que permanece inmóvil, en una jornada de viento. El hombre se llama Hervé Joncour. El lago, no se sabe. Se podría decir que es una historia de amor. Pero si solamente fuera eso, no habría valido la pena contarla. En ella están entremezclados deseos, y dolores, que no tienen un nombre exacto que los designe. Esto es algo muy antiguo. Cuando no se tiene un nombre para decir las cosas, entonces se utilizan historias. No hay mucho más que añadir. Quizá lo mejor sea aclarar que se trata de una historia decimonónica: lo justo para que nadie se espere aviones, lavadoras o psicoanalistas. No los hay. Quizá en otra ocasión.


Sinopse em italiano



La Francia, i viaggi per mare, il profumo dei gelsi a Lavilledieu, i treni a vapore, la voce di Hélène. Hervé Joncour continuò a raccontare la sua vita, come mai, nella sua vita, aveva fatto. "Questo non è un romanzo. E neppure un racconto. Questa è una storia. Inizia con un uomo che attraversa il mondo, e finisce con un lago che se ne sta lì, in una giornata di vento. L'uomo si chiama Hervé Joncour. Il lago non si sa."


Sinopse em francês



Vers 1860, pour sauver les élevages de vers à soie contaminés par une épidémie, Hervé Joncour entreprend quatre expéditions au Japon pour acheter des neufs sains. Entre les monts du Vivarais et le Japon, c'est le choc de deux mondes, une histoire d'amour et de guerre, une alchimie merveilleuse qui tisse le roman de fils impalpables. Des voyages longs et dangereux, des amours impossibles qui se poursuivent sans jamais avoir commencé, des personnages de désirs et de passions, le velours d'une voix, la sacralisation d'un tissu magnifique et sensuel, et la lenteur, la lenteur des saisons et du temps immuable.


Soie, publié en Italie en 1996 et en France en 1997, est devenu en quelques mois un roman culte - succès mérité pour le plus raffiné des jeunes écrivains italiens.


Sinopse em inglês


The author presented the Italian edition of this book by saying: This is not a novel. It is not even a story. It is a history. It begins with a man who travels the world, and finishes with a lake that remains immobile during a day of wind. The man's name is Hervé Joncour, the lake's name is unknown. You could call it a love story, but if it was only this, it would not have been worth telling. The book combines desires and sorrows that have no name, for when there is no name to call things by, you tell stories.




segunda-feira, 20 de outubro de 2025

RESENHA - IL TORTO DEL SOLDATO (Erri de Luca)



 

"Sono un soldato vinto. Il mio reato è questo, pura verità." Fece il gesto di scuotersi la forfora dalle spalle. "Il torto del soldato è la sconfitta. La vittoria giustifica tutto. Gli Alleati hanno commesso contro la Germania crimini di guerra assolti dal trionfo."



Nova tentativa de ler em italiano e primeira vez lendo Erri de Luca. Apesar da dificuldade com o idioma, gostei bastante. Um livro sobre a Segunda Guerra Mundial como eu não lia a muito tempo.


 

 “O erro do Soldado”, numa tradução literal, vem com menos de 100 páginas, pronto para ser um livro curtinho - leitura de um dia, porém bem denso. Infelizmente ainda sem tradução no Brasil.


   


Livro dividido em duas partes, e duas histórias, que na verdade são 3, de acordo com o número de protagonistas. É um texto de onde podemos tirar várias reflexões, poético sem perder sua objetividade. Uma narrativa sobre memória e arrependimento (ou a falta dele).

 

Il Torto Del Soldato

Erri De Luca

2012

88 páginas



SINOPSE EM ITALIANO

 

Un vecchio criminale di guerra vive con sua figlia, divisa tra la repulsione e il dovere di accudire. Lui è convinto di avere per unico torto la sconfitta. Lei non vuole sapere i capi d’accusa perché il torto di suo padre non è per lei riducibile a circostanza, momento della storia. Insieme vanno a un appuntamento prescritto dalla kabbalà ebraica, che fa coincidere la parola fine con la parola vendetta. Pretesto sono le pagine impugnate da uno sconosciuto in una locanda.


  



quinta-feira, 5 de junho de 2025

RESENHA - FIABE ITALIANE (Italo Calvino)



Livro curtinho com alguns contos tradicionais italianos, ou mais precisamente fábulas italianas, como os contos dos irmãos Grimm ou de Perrault.

Calvino mostra seu talento como excelente autor de contos de fadas, fábulas, anedotas, e textos do folclore italiano.


 

Contém textos bem antigos, surgidos na idade média e transmitidos de geração em geração através da oralidade.

Como podem ver, alguns textos são sem pé nem cabeça.

 

"- Como? Cospe a papa de cevada no meu olho, em mim, filha do Sol, em mim, neta de rei?
- Então você é filha do Sol? - Disse o rei, que estava por perto.
- Sim.
- E é neta de rei?
- Sim.
- E nós achávamos que era uma enjeitada! Agora pode casar com nosso filho.
- Claro que posso!
O filho do rei se curou num instante e casou com a filha do Sol, que daquele dia em diante se tornou uma mulher como todas as outras e não fez mais coisas estranhas."


 


Para compor o livro, o autor, Italo Calvino, fez uma viagem pelo país na busca de cada uma destas histórias transcritas a partir de diferentes dialetos.

O resultado ficou excelente, uma ótima dica de leitura rápida, leve e divertida para crianças e adultos.


 

A edição francesa contém apenas uma parte do trabalho do autor, que terminou com mais de mil paginas e 200 contos.

Imagino que escolheram as melhores, ainda assim, são um pouco repetitivas em certos aspectos, pode ser praticamente a mesma historia narrada de forma a se adaptar a uma região diferente da Itália.


 

Trata-se de uma edição bilíngue, porém, eu li apenas a parte em italiano. Apesar da dificuldade com o idioma, eu consegui entender razoavelmente bem.

 

"Agora que o livro terminou, posso dizer que não foi uma alucinação, uma espécie de doença profissional. Tratou-se de uma confirmação de algo que já sabia desde o início, aquela coisa indefinida à qual me referia antes, aquela única convicção que me arrastava para a viagem entre as fábulas. E penso que seja isto: as fábulas são verdadeiras".


 

SINOPSE EM ITALIANO

 

Italo Calvino ha selezionato questa raccolta dal patrimonio delle 'Fiabe Italiane', da lui recuperato in un'unica opera comprendente la tradizione fiabesca popolare. Le fiabe si rivolgono a bambini grandi e piccoli e offrono uno panorama che passa dalle fiabe-filastrocche ai racconti buffi.


 

SINOPSE EM PORTUGUÊS

 

Em 1956 saía nas edições Einaudi, em Itália, as "Fiabe Italiane", uma obra de cerca de mil páginas, que tinha como objectivo reunir os contos e fábulas das várias regiões italianas, que o escritor Italo Calvino havia compilado, durante dois anos, comparando-os e reescrevendo-os, à semelhança dos irmãos Grimm que, como diz Calvino, não são sózinhos os "autores" dos seus contos, já que o "são também as narradoras e os narradores de cuja boca os Grimm os ouviram, e assim por diante todos os homens e mulheres que transmitiram esses contos de boca em boca sabe-se lá através de quantos séculos".


 

Estes contos e fábulas, "contados por Calvino" com uma linguagem próxima do tom imediato e popular dos dialectos originais tornaram-se assim uma referência como obra de recriação.