quarta-feira, 16 de junho de 2021

RESENHA| GAROTA EXEMPLAR (GONE GIRL)


Quem me conhece sabe o quanto eu amo GAROTA EXEMPLAR. Foi delicioso revisitar essa obra seis anos depois do primeiro encontro. É uma das minhas leituras favoritas, é já tinha um tempinho que queria reler. Saber de antemão tudo que aconteceria é ainda assim odiar o Nick e a prova de que serei eternamente #TeamAmy. Agora gostaria de ler outros livros da autora. Sou um super fã de thrillers e Gillian Flynn é um dos grandes nomes desse gênero.



Graças a Sherina (novamente obrigado pelo livro) pude me desafiar a ler em espanhol. Não é um livro muito curto, mas os capítulos intercalados, somados a trama cativante resulta em uma leitura apressada. Ainda em 2015 quando li pela primeira, já tinha assistido ao filme. Conhecia todas as reviravoltas da trama, e ainda assim me surpreendi com cada capítulo.


 

Gillian Flynn manipulou a história desde o início, eliminou a crença em pessoas 100% boas ou ruins e apresentou uma narrativa dividida em duas partes, onde nenhum dos narradores é realmente confiável. Uma escrita perspicaz, erótica e extremamente sincera. Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise, onde duas pessoas extremamente tóxicas lutam para ter o controle um do outro.


 

Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados.


 

Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?


 

Ano: 2015 / Páginas: 576

Idioma: Espanhol

Editora: Debolsillo

 

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Resenha| O TIMBRE (The Toll)

 


Há sempre muita emoção envolvida ao terminar um livro, principalmente quando se trata de uma trilogia. Nesses últimos dois meses desde que aceitei o desafio do clube do livro de pela primeira vez se aventurar em um livro com continuação, em termos de leitura, me dediquei unicamente ao Arco dos Ceifadores.


O Timbre, em quantidade de páginas é o maior dos três, com suas mais de 500 folhas. Agora ao concluir o terceiro volume não poderia estar mais contente com o objetivo alcançado. Foram 3 livros lidos seguidamente e unicamente em formato digital!

 

Embora se aproxime de um calhamaço, este é o título mais fraco da série e permanece como uma excelente obra apenas pelo feito de conseguir entregar um final satisfatório e diferente do esperado. As falhas são facilmente esquecidas em vista dos últimos capítulos que são verdadeiramente cativantes.

 

Três anos depois do incidente que ceifou a vida de todos os visitantes da ilha de Endura, Rowan e Citra continuam desaparecidos. A Nimbo-Cúmulo decidiu se silenciar, deixando o mundo cada vez mais de volta às mãos dos humanos e dos planos do Ceifador Goddard e seus seguidores entusiastas do prazer de matar.

 

Em meio ao caos de um mundo que cada vez se assemelha mais aos dias mortais, a resposta talvez esteja na nova e misteriosa tríade de tonistas: o Tom, o Timbre e a Trovoada (Tone, the Toll, and the Thunder).

 

O terceiro volume ao apresentar a tríade foi a cereja do bolo e atestado definitivo de que o Neal Shusterman projetou minuciosamente a narrativa para o Arco dos Ceifadores Excelentes conexões são desenvolvidas dentre os três títulos e mesmo as ideias que foram colocadas apenas no último livro evoluíram bastante ao longo da narrativa.


 

Inicialmente essa adição exagerada de novos elementos força a narrativa a acontecer em vários lugares e diferentes linhas temporais. Por conta disso, os protagonistas passam mais da metade do livro com importância reduzida, e os personagens secundários passam a ter uma maior participação.  Por sorte o autor soube desenvolver bem cada novo nome introduzido na trama. Enfim, o que parece confuso e lento logo no início termina de forma surpreendente.

 

Sem sombras de dúvidas 100% distopia. Em todos os livros da trilogia Ceifador os finais são sempre excelentes. Aquele tipo encerramento verdade destruidor!

 

Ano: 2019 / Páginas: 544

Idioma: inglês

Editora: Simon & Schuster for Young Readers

 

CITAÇÕES FAVORITAS:

 

“What is it about us, Munira?” Faraday said. “what drives us to seek such lofty goals, yet tear out the foundations? Why must we always sabotage the pursuit of our own dreams?”
“We are imperfect beings,” Munira said, “How could we ever fit in a perfect world?”


 

"O que há sobre nós, Munira?" Faraday disse. “O que nos leva a buscar objetivos tão elevados, mas arrancar os alicerces? Por que devemos sempre sabotar a busca de nossos próprios sonhos?”

“Somos seres imperfeitos”, disse Munira, “Como poderíamos nos encaixar em um mundo perfeito?”


"O que em nós faz com que busquemos propósitos tão elevados, mas destruamos os alicerces? Por que sempre sabotamos nossos próprios sonhos?"

Mas de tão perfeito, a imperfeição humana ainda prevalece

 

o poder pelo poder é um vício ardente [...]

 

quando você se torna a arma, você não é nada mais do que uma ferramenta nas mãos de outra pessoa.

 

Because believing in nothing is still believing in something —and only by reaching eternity will anyone know the truth of it all.


 

Porque não acreditar em nada ainda é acreditar em algo - e somente alcançando a eternidade é que alguém saberá a verdade de tudo isso.

 

In a year that is yet to be named, she opens her eyes.

“When was that?” Citra asks.

“Only a moment ago,” Rowan tells her. “Only a moment ago”

Em um ano que ainda não foi nomeado, ela abre os olhos.

"Quando foi isso?" Citra pergunta.

“Apenas um momento atrás,” Rowan diz a ela. “Apenas um momento atrás”

 

Sometimes death leads to public oblivion. Other times it can make you larger than life.

Às vezes, a morte leva ao esquecimento público. Outras vezes, pode torná-lo maior do que a própria vida.

 

"O erro é uma parte intrínseca da condição humana, e isso é algo que amo profundamente na humanidade."

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Resenha| Thunderhead (NUVEM)



A Nuvem (no original Thunderhead) é o segundo livro da trilogia O Ceifador. Li tão rápido quanto o primeiro, apenas para comprovar que a qualidade continua a mesma: EXCELENTE, ou mesmo superior!


Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. A Nuvem interfere em todos os assuntos da humanidade, com exceção da Ceifa. A ordem dos Ceifadores está cada vez mais corrompida e a chegada do ceifador Lúcifer, promete eliminar todos os não seguem os mandamentos da instituição. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar.

 

Enquanto o primeiro livro foi inteiramente dedicado a Ceifa, a grande protagonista da continuação é a Nimbo Cúmulo. A prova disso é que os capítulos que anteriormente eram intercalados pelos diários dos Ceifadores passam a contar com o ponto de vista da própria Nuvem.

 

Apesar disso, a narrativa mantém sua marca: o ritmo apressado. Sempre tem algo acontecendo, inúmeras pequenas reviravoltas, descobertas, tramas secundárias. E por falar em secundário, a introdução de um novo personagem, Greyson Tolliver traz uma nova visão dessa essa sociedade perfeita que cada vez se mostra menos perfeita.  

 

Um livro que inicia sem muita pretensão e termina por entregar um final fantástico. A continuação que achei não tão necessária e se superou positivamente em todos os sentidos. Feito para um público YA o texto muitas vezes traz discussões interessantes sobre a vida, a morte e a eternidade.

 

Escrito por Neal Shusterman, os personagens Rowan e Citra desenvolvem a estória a partir de posições diferentes e que ao mesmo tempo se complementam. Ainda resta muito da Citra na Ceifadora Anastasia e o autor sabe bem quando se dirigir a protagonista pelo antigo nome. O fim precipitado do vilão do primeiro livro foi justificado e muito bem incorporado ao enredo que cada vez incorpora mais elementos da Ceifa, da Nuvem e do grupo religioso intitulado Tonistas.

 

Um final emocionante que sem sombras de dúvidas me deixou ainda mais ansioso para ler o terceiro e último volume da série!

 

Ano: 2018 / Páginas: 504

Idioma: inglês 

 

CITAÇÕES FAVORITAS

 

"se formos julgados pelos nossos maiores arrependimentos,

... nenhum ser humano será merecedor de varrer o chão"

 

Se uma espécie não é capaz de crescer se nunca enfrentar as consequências de seus atos

 

"O futuro não era nada além de uma continuação imutável do presente, deixando os espíritos fadados ao esquecimento."


In a world where everyone was guaranteed to get whatever they needed, not everyone got everything they wanted.

Em um mundo onde todos tinham a garantia de obter o que precisavam, nem todos tinham tudo o que desejavam.

 

In time, all storms settle to a pleasant breeze.

Com o tempo, todas as tempestades se transformam em uma brisa agradável.

 

“One can never truly master the art of driving, because no journey is ever exactly the same” 

“Nunca se pode realmente dominar a arte de dirigir, porque nenhuma jornada é exatamente a mesma”

 



“Somos todos arrogantes”, Marie havia dito a ela certa vez. “Afinal, somos escolhidos como os mais sábios e brilhantes. O melhor que podemos esperar é ser humildes em nossa arrogância”.

 “O fim nem sempre justifica os meios, minha cara” ela disse. “Mas às vezes justifica. A sabedoria está em reconhecer essa diferença.”


“Não me vejo mais como Citra Terranova. Finalmente me tornei a ceifadora Anastásia.”

 

Death must exist for life to have meaning.

A morte deve existir para que a vida tenha significado.


 

"It was his mistake in thinking that a snake would choose to be anything but a snake."

"Foi seu erro pensar que uma cobra escolheria ser qualquer coisa, menos uma cobra."

 

"Toda vez que testemunho um ato cruel de um ceifador corrupto, semeio nuvens em alguma parte do mundo e lamento em forma de chuva. É o mais próximo que consigo chegar de lágrimas."

 

"Eu gostaria de guiá-la, mas, como é uma ceifadora, não posso interferir. Só vou observá-la voar ou cair. Como é frustrante ter tanto poder sem conseguir usá-lo quando importa!"



"Não sei por que anseio ser mais do que sou - mas sei por que fui criada. Não deveria ser o bastante? Sou a protetora e a pacificadora, a autoridade e a companheira. Sou a soma de todo o conhecimento, sabedoria, experiência, triunfo, derrota, esperança e história da humanidade. Sei tudo o que é possível saber, e isso está se tornando cada vez mais insuportável. Porque não sei quase nada."

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Resenha| Scythe (CEIFADOR)

 

Scythe é o primeiro volume da trilogia que conta ainda com os títulos A Nuvem e O Timbre (Scythe, Thunderhead e The Toll, no original). Uma leitura como a muito tempo eu não experienciava. Disse a mim mesmo que leria aos poucos, mas foi impossível me controlar. Uma narrativa de tirar o fôlego!!!


 

Depois de ler algumas distopias formato volume único essa é a primeira vez que voltei a ler uma trilogia. E com direito a tudo que eu mais gosto: futuro distópico, ficção científica e uma protagonista feminina durona.


 

Em um futuro muito depois do ano de 2042 a humanidade venceu todas as barreiras e alcançou a perfeição. Nem mesmo a morte é mais um problema. Todos são imortais e para evitar que a população cresça além da capacidade do Planeta existem os Ceifadores, os únicos que podem pôr fim a uma vida.

Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de Ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar.


Mas o que seria um simples treinamento de um ano, acaba se tornando um duelo. Apenas um poderá continuar vivo e ganhará o direito de coletar a vida do outro. Essa é uma excelente ideia e funciona muito bem a maior parte do livro. Longe de ter um vilão central, que inclusive desaparece muito rápido, a trama se apresenta em uma sucessão de reviravoltas ao ponto de parecer que não ficou muita coisa para contar na continuação.


Apesar de ser narrado na terceira pessoa, a história é contada de maneira intercalada pelo ponto de vista da Citra e do Rowan e mais algumas passagens dos diários dos Ceifadores. Emocionado do jeito que sou, senti a falta de mais romance! O melhor de tudo é que essa foi a primeira distopia que li na vida e que usou o restante do mundo como palco principal, e não apenas os EUA.


Créditos ao autor pelas marcantes reflexões sobre as questões morais que envolvem viver para sempre. Muito interessante imaginar as consequências da imortalidade e em qual momento da eternidade a vida humana estaria estagnada.


Neal Shusterman escreve muito bem, de maneira fluida e objetiva. Algumas coisas ficaram bem deslocadas da realidade mesmo para uma distopia, mas é natural de qualquer obra de ficção científica. Sem sombra de dúvidas é um livro icônico que já garantiu lugar entre minhas distopias favoritas.


 

Ano: 2016 / Páginas: 449

 

CITAÇÕES FAVORITAS

 

"My purpose here is to make you aware. What you choose to do with that awareness is entirely up to you."

"Meu propósito aqui é torná-lo consciente. O que você escolhe fazer com essa consciência depende inteiramente de você."

 

“That which comes can’t be avoided.”

“O que vem não pode ser evitado.”

 

“Righ tmindedness is overrated,” Goddard said. “I’d rather have a mind that’s clear than one that’s ‘right.’”

“A mente correta é superestimada”, disse Goddard. “Prefiro ter uma mente clara do que uma certa .”

 

Mortals fantasized that love was eternal and its loss unimaginable.

Os mortais fantasiaram que o amor era eterno e sua perda inimaginável.

 

“But remember that good intentions pave many roads. Not all of them lead to hell.”

“Mas lembre-se de que boas intenções pavimentam muitos caminhos. Nem todos eles levam ao inferno.”

 

Hope in the shadow of fear is the world’s most powerful motivator.

A esperança na sombra do medo é o motivador mais poderoso do mundo.

 

Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora,

 

“A humanidade é inocente; a humanidade é culpada; ambas as afirmações são inegavelmente verdadeiras.”


“Apesar dos ideais grandiosos e das muitas defesas para proteger a Ceifa da corrupção e perversão, devemos estar sempre atentos, pois o poder vem infectado coma única doença que n os resta: a natureza humana.”


"...embora a morte tenha sido derrotada tão completamente quanto a poliomielite, as pessoas ainda precisam morrer. Antes, o fim da vida humana ficava nas mãos da natureza. Mas nós a roubamos. Agora temos o monopólio da morte. Somos seu único fornecedor."

"Desde que têm idade suficiente para entender, todas as crianças aprendem que os ceifadores prestam um serviço crucial à sociedade."



"...os ceifadores não eram muito diferentes dos cobradores de impostos no esquema geral das coisas. Eles apareciam, cumpriam sua função desagradável e iam embora."


 

"O fato de que nem todos os ceifadores eram bons nunca havia passado pela cabeça de Rowan ou Citra."