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sábado, 11 de julho de 2026

RESENHA- El llano en llamas (Juan Rulfo)


"O tempo é mais pesado que a mais pesada carga que o homem consegue aguentar”


Logo que terminei de ler Pedro Páramo marquei de ler outra obra do autor. É o conjunto de todos os contos que ele publicou, 17 ao total. Ruan Rulfo foi autor de apenas dois romances que compartilham muito dos mesmos temas.



"Os mortos pesam mais que os vivos; esmagam a gente"


Em Planalto em Chamas os contos variam bastante em qualidade, têm alguns muito bons, outros nem tanto. No geral possuem ótimas descrições, ainda assim, difícil de se apegar. É um livro curto, o conto mais longo não deve ter mais de 15 paginas.



"E é que lá o tempo é muito longo. Ninguém faz a conta das horas e ninguém se preocupa em ver como os anos vão se acumulando. Os dias começam e acabam. Depois vem a noite. Só o dia e a noite até o dia da morte, que para eles é uma esperança”


Como Pedro Páramo é uma narrativa regional com uma identidade latina muito forte. Por isso o autor rapidamente se tornou um classico da literatura mexicana e do realismo fantástico. A linguagem de seus personagens é sempre a mais próxima possível da fala do campo. O texto é cheio de expressões populares, porque o narrador é sempre amgueém humilde, do campo. Essa parte foi difícil de entender diretamente no idioma original. Por sorte a edição que li trazia os significados.



"Nenhum de nós diz o que pensa. Já faz tempo que se acabou a nossa vontade de falar. Acabou com o calor. Eu mesmo conversaria à vontade em outro lugar, mas aqui dá trabalho. Aqui a gente fala, e as palavras ficam quentes dentro da boca por causa do calor que faz lá fora, e vão se ressecando na língua da gente até a gente ficar sem fôlego"




Os contos "Luvina", "E nos deram a terra", "Talpa", "É que somos muito pobres", "Você não escuta os cães latirem" e "Anacleto Morones" foram os meus favoritos. No Brasil foi publicado sob o título de Chão em chamas e Planície em Chamas. Do autor ainda restam alguns textos, contos, novelas como El Gallo de Oro y Otros Relatos. Talvez um dia eu tire tempo para ler.



Outros contos da coletânea sao: 1 E nos deram a terra; 2 A colina das comadres; 3 É que somos muito pobres; 4 O homem; 5 Na madrugada; 6 Talpa; 7 Macario ; 8 O chão em chamas; 9 Diga que não me matem; 10 Luvina; 11 A noite em que deixaram ele sozinho; 12 Passo do norte; 13 Lembre-se; 14 Você não escuta os cães latirem; 15 O dia do desmoronamento; 16 A herança de Matilde Arcángel; 17 Anacleto Morones.


Citações




"E Tacha chora ao sentir que sua vaca não volta mais porque o rio a matou. Ela está aqui, ao meu lado, com seu vestido cor-de-rosa, olhando o rio do barranco e sem parar de chorar. Pela sua cara correm fiozinhos de água suja como se o rio tivesse entrado dentro dela. Ela chora cada vez mais. Da sua boca sai um ruído semelhante ao que se arrasta pelas beiras do río, faz ela tremer e se sacudir inteirinha, e enquanto isso a enchente continua subindo. O sabor de podre que vem de lá salpica a cara molhada de Tacha e os dois peitinhos dela se movem para cima e para baixo, sem parar, como se de repente começassem a inchar para começar a trabalhar pela sua perdição"



Sinopse em espanhol



Desde su aparición en 1953, este libro de relatos del mexicano Juan Rulfo se ha traducido a más de veinticinco lenguas y ha dado lugar a múltiples y permanentes reediciones en los países de lengua hispana. Esta edición, unica revisada y autorizada por la Fundación Juan Rulfo, debe ser considerada como su edición definitiva.



Sinopse em português




Livro de estreia do premiado escritor mexicano Juan Rulfo. Obra regionalista, com 17 contos que refletem, em parte, as origens do escritor, nascido em Jalisco, região semiárida e pobre do México. Com linguagem coloquial e extremamente enxuta, Rulfo apresenta um cenário de injustiça, violência, morte e falta de perspectivas, que em alguns casos é consequência da Revolução Mexicana (1910) ou da Guerra Cristera (1927-1929). Em 1945, Juan Rulfo teve seus primeiros contos publicados em revistas, mas foi a partir de Pedro Páramo que alcançou prestígio e passou a ser considerado um dos mais celebrados escritores de língua espanhola. Em Chão em chamas, Juan Rulfo não faz uso do realismo fantástico, como em sua obra célebre, Pedro Páramo; pelo contrário, emprega um realismo puro e intenso, que muitas vezes beira o naturalismo. A edição original de Chão em chamas é de 1953, com quinze contos; em 1970 o mesmo livro ganhou mais dois contos, é esta versão que ganha agora edição de bolso.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

RESENHA - Pedro Páramo (Juan Rulfo)

 

"Nada pode durar tanto, não existe nenhuma recordação que, por intensa que seja, não se apague."

 

É possível dizer muito com poucas páginas, e Juan Rulfo é a prova disso.

Considerado a maior obra da literatura mexicano, o livro não tem sequer 200 páginas.

É de uma linguagem poética linda, sobre um importante momento da vida: o fim dela.

Detalhe: sem ser mórbido.


 

“Deu uma batida seca contra a terra e foi se desmoronando como se fosse um monte de pedras.”

 

Por aí já podemos ver que se trata de um romance extremamente único, e definitivamente hiper mexicano.

Recheado de expressões populares e regionais.


 

“Saiu da casa e olhou o céu. Choviam estrelas. Lamentou aquilo, porque teria gostado de ver um céu quieto. Ouviu o canto dos galos. Sentiu a envoltura da noite cobrindo a terra. A terra, “este vale de lágrimas”

 

Livro curtinho, fenomenal e que imediatamente se tornou um clássico da literatura latina. Há tempos eu queria ler, e pude por fim ter essa chance.

Excelente escolha.

História cativante e fora do comum.


 

"Este mundo, que nos dilacera por todos os lados, que vai esvaziando punhados de nosso pó aqui e acolá, desfazendo-nos em pedaços como se regasse a terra com nosso sangue."

 

Adorei a temática e a escolha do autor em contar a história de diferentes pontos de vistas.

São 68 fragmentos, vários narradores e uma história contada de uma forma não linear. Tempo, espaço e narrador.

Nada disso é fixo.

Esse é um ponto positivo, mas também serve para deixar a narrativa um pouco confusa no começo.

Depois melhora, eu juro.


 

"Em cada suspiro é como se a gente se desfizesse de um sorvo de vida."

 

A genialidade do autor definiu e criou o realismo mágico.

Desta forma, Juan Rulfo foi o percursor do que o Gabriel García Márquez fez com Cem Anos de Solidão, outro romance que está entre meus favoritos.


 

"Estava acostumado a ver morrer a cada dia algum de seus pedaços. Viu como o jasmineiro se sacudia deixando cair suas folhas: 'Todos escolhem o mesmo caminho. Todos se vão'. Depois voltou ao lugar onde tinha deixado seus pensamentos."

 

Pedro Páramo, único romance de Juan Rulfo, me traz "Memórias Póstumas de Brás Cubas" na mente. Um pouco de "A menina que roubava livros" por um único detalhe e "Um Rapaz Latino Americano" de Belchior.

Tudo isso e um pouco mais que me fez terminar com vontade de rever "Coco", viva a vida é uma festa.

 




"Dizem que os mortos se amontoam na terra. Eu acho que se amontoam no ar."

 

SINOPSE EM ESPANHOL

 

Cuando al final de la década de los sesenta la narrativa hispanoamericana alcanzó un prestigio mundial, se volvió la vista atrás en busca de sus «clásicos». La figura gigantesca de Rulfo detacó inmediatamente.


 

En 1955 aparece Pedro Páramo. Novela gestada largamente por un escritor con fama de poco prolífico y que aunó la propia tradición narrativa hispanoamericana con los principales renovadores de la occidental: Joyce, Faulkner, Woolf...

 

Novela rica, apasionante como pocas, que arrastra al lector del desconcierto a la sugestión. Esta edición ofrece el texto definitivo de Pedro Páramo, corregido por la Fundación Juan Rulfo, incluye una nueva Introducción, varios Apéndices sobre variantes, cronología de la historia, anotaciones a los fragmentos y aclaraciones de Rulfo y un nuevo aparato de notas.

 

SINOPSE EM PORTUGUÊS


 

De enredo conciso e preciso, o único romance de Juan Rulfo trata da promessa feita por Juan Preciado à mãe moribunda. O rapaz sai em busca do pai, Pedro Páramo, um lendário assassino. No caminho, encontra impressionantes personagens repletos de memórias, que lhe falam da crueldade implacável de seu pai.

 

Em sua estrutura não há linha temporal exata, tampouco um narrador fixo. Juan Rulfo nos leva a mergulhar e a nos dissolver no turbilhão dos sentimentos de todo um povoado, em torno desse grande homem.


 

Alegoricamente, o romance é o México ferido, que grita suas chagas e suas revoluções, por meio de uma aldeia seca, onde apenas os mortos sobrevivem para narrar os horrores de sua história e política. Pedro Páramo é basicamente sobre a presença da morte em meio à vida. Um livro, de poética simples e concisa, curto e inesquecível.

 

O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem este livro. Desta fonte beberam o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa. A partir da combinação de dois elementos essenciais ao sucesso da literatura latino-amerciana - o realismo fantástico e o regionalismo -, Rulfo se destaca pela sua habilidade em contar uma história reunindo relatos e lembranças.


 

SINOPSE EM INGLÊS

 

In this stunning masterpiece of the surreal, Juan Preciado sets out on a strange quest, bound by a promise to his dying mother. Embarking down a parched and dusty road, Juan goes to seek his father, Pedro Páramo, from whom they fled many years ago.

 

The ruined town of Comala is alive with whispers and shadows. Time shifts from one consciousness to another in a hypnotic flow of desires and memories, a world of ghosts dominated by the tyranny of the Páramo family. Womaniser, overlord and murderer, Juan's notorious father retains an eternal grip over Comala. Its barren and broken-down streets echo the voices of tormented spirits sharing the secrets of the past in an extraordinary chorus of sensory images, violent passions and unfathomable mysteries.

 

CITAÇÕES

 

"Foi crescendo como uma erva daninha."

 

"Que me deixem ao menos o direito que os enforcados têm, o de agitar as pernas!"

 

"E vai ver que quando você dormir, ninguém mais irá despertá-la."

 

"Há esperança para nós, contra o nosso penar."