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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

RESENHA - BRAVE NEW WORLD (Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley)


Eu reclamo o direito de ser infeliz”



Uma história sobre o preço da liberdade. Uma sociedade onde tudo é banal. Um futuro que pode estar cada vez mais próximo de se tornar realidade. Aqui a dominação vem pelo oposto da violência e a felicidade excessiva é usada para incomodar o leitor.



"comunidade, identidade e estabilidade"



Algumas partes chocantes, ainda mais para a época da publicação (1932), no que diz respeito ao sexo, drogas, os diversos vícios e a religião. Um livro sombrio e filosófico apresentado uma Londres retro futurístico, que cada vez mais se aproxima do nosso presente. O autor teve muita criatividade para compor esse romance em uma época em que a tecnologia estava engatinhando.



" As palavras cantantes vergastaram-no com seu sarcasmo. "Como é bela a humanidade! Oh! admirável mundo novo...!



Foi uma leitura demorada, nada que diminua a qualidade do romance. Realmente um mundo novo, cheio de coisas inacreditáveis. Tem também todos os preconceitos da época, principalmente as representações femininas. De maneira geral, faltou desenvolver melhor os personagens, como a maior parte dos livros do gênero, ele passa mais tempo mostrando vislumbres do futuro - e de como o autor o enxergava-, do que propriamente nos personagens.



"As pessoas são felizes, conseguem o que querem e nunca querem o que não podem ver!"



Ao lado de obras como Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, 1984 de George Orwell, que apresentavam governos totalitários de esquerda e de direita, Admirável Mundo Novo vem recheado da crítica afiada e influente mesclando ficção e política.


Todos pertencem a todos”



Com Admirável Mundo Novo acredito que li quase todos os grandes mestres da ficção científica e distopias mais clássicas tais como Aldous Huxley, Philip K. Dick, Margaret Atwood, George Orwell, Ray Bradbury e Anthony Burgess. Todos com obras de grande impacto na cultura pop. Nos próximos meses quero ler algo do H G Wells e Nós, escrito por Iêvgueni Zamiátin.


"O fim é melhor que o meio. Quanto mais roupas se rasgam, mais roupas se compram"



Esse não é o tipo de livro para ler quando jovem, e para ser lido com mais madurez, para entender a sátira, a ficção que flerta com a realidade. Definitivamente é um livro que ressona para fora das páginas, durante e após cada capítulo.



Se tornar os indivíduos felizes é fazê-los amar a sua servidão, a função da planificação consiste em continuar a gerar as condições presentes e futuras dessa felicidade servil.”



CITAÇÕES


"I'm claiming the right to be unhappy"


"O brave new world." By some malice of his memory the Savage found himself repeating Miranda’s words. "O brave new world that has such people in it!".


"But I don't want comfort. I want God, I want poetry, I want real danger, I want freedom, I want goodness. I want sin."


But think of the enormous, immeasurable durations it can give you out of time. Every soma-holiday is a bit of what our ancestors used to call eternity.


That the purpose of life was not the maintenance of well-being, but some intensification and refining of consciousness, some enlargement of knowledge.”



"I know quite well that one needs ridiculous, mad situations like that; one can't write really well about anything else. Why was that old fellow such a marvellous propaganda technician? Because he had so many insane, excruciating things to get excited about. You've got to be hurt and upset; otherwise you can't think of the really good, penetrating, X-rayish phrases.”


"'Oh brave new world!' It was a challenge, a command."



"Livraram-se deles. Sim, é bem o modo de os senhores procederem. Livrar-se de tudo o que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. É mais nobre para a alma sofrer os açoites do azar e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las... Mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil demais".


“— É o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo o condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar.”


"O Selvagem concordou inclinando a cabeça com tristeza. Em Malpaís, sofrera porque o haviam excluído das atividades comunitárias do pueblo, na Londres civilizada, sofria porque nunca podia fugir dessas atividades comunitárias, nunca podia estar sossegado e só".


O condicionamento para a morte começa aos dezoito meses. Cada petiz passa duas manhãs, todas as semanas, num hospital para moribundos. Lá encontram os brinquedos mais aperfeiçoados, e dão-lhes creme de chocolate nos dias em que há mortes. Aprendem, dessa forma, a considerar a morte como uma coisa banal.”


SINOPSE EM PORTUGUÊS


Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.


Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.


Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo.


SINOPSE EM INGLÊS


Far in the future, the World Controllers have finally created the ideal society. In laboratories worldwide, genetic science has brought the human race to perfection. From the Alpha-Plus mandarin class to the Epsilon-Minus Semi-Morons, designed to perform menial tasks, man is bred and educated to be blissfully content with his pre-destined role. But, in the Central London Hatchery and Conditioning Centre, Bernard Marx is unhappy. Harbouring an unnatural desire for solitude, feeling only distaste for the endless pleasures of compulsory promiscuity, Bernard has an ill-defined longing to break free. A visit to one of the few remaining Savage Reservations where the old, imperfect life still continues, may be the cure for his distress…



quinta-feira, 17 de julho de 2025

RESENHA - 1984 (George Orwell)



"Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado."

 

A ficção cada dia mais perto de se tornar realidade.

Um livro atemporal e assombrador.

Um verdadeiro clássico da literatura universal pois reflete, em algum momento, o futuro de quase todos os países.

 

“[...] a escolha para a humanidade estava entre a liberdade e a felicidade, e que, para a grande maioria da humanidade, a felicidade era melhor.”

 

1984 é um livro de política e ficção.

Livro interessante, principalmente a parte 2 e 3.

Na parte 2 tem um livro dentro do livro então é bem cansativa.

É nela que o autor mergulha fundo no viés ideológico da obra.


 

"A longo termo, uma sociedade hierárquica só era possível num mundo de pobreza e ignorância."

 

A obra trata do controle do Estado e alienação em seu apogeu.

George Orwell soube escrever um livro que desde o início causou polêmica e continua até hoje.

No fim das contas o que me deixou mais surpreso foi a parte do sexo.

Publicado originalmente em 1949, este clássico de George Orwell é incrivelmente moderno.

 

"Se você quer formar uma imagem do futuro, imagine uma bota pisoteando um rosto humano para sempre"

 

Como outras obras do estilo, as previsões tecnológicas estão bem distantes da realidade, bem arcaicas para dizer a verdade. A tecnologia evoluiu rápido e por um caminho que ele não soube prever.

De resto ele acertou e segue acertando.

Infelizmente 1984 está cada vez mais atual.


 

"Com exceção dos poucos centímetros que cada um possuía dentro do cérebro, ninguém tinha nada seu."

 

Como distopia pós-Guerra, reflete muito como a sociedade da época imaginava o futuro.

É mais parecido com Laranja Mecânica e o Conto da Aia. Ou seja, extremamente diferente das distopias jovens que foram lançadas nos últimos anos.

Nisso eu tenho certeza. Tirei o ano para ler os grandes clássicos do gênero ficção cientifica e distopia então estou por dentro do assunto.

 

 

"Mas e se meu objetivo não fosse permanecer vivo, e sim permanecer humano?"

 

O livro é repleto de grandes citações e deu origem a várias referências na cultura pop.

É dele que vem a origem do nome do programa BBB Big Brother Brasil.

Esse é o segundo livro do George Orwell que chega em minhas mãos.

Li A fazenda dos Animais (ou A Revolução dos Bichos) pouco tempo atrás e posso dizer que 1984 é superior em todos os aspectos.


 

Big Brother is watching you.

 

1984 Nineteen Eighty-Four

George Orwell

Ano: 1949 / Páginas: 384

Idioma: inglês

 

SINOPSE

 

Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário.


 

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico.

 

De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que ‘’só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro’’.


 

Quando foi publicada em 1949, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução.

 

À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.

 

Citações

 

“Porque se lazer e segurança fossem desfrutados por todos igualmente, a grande massa de seres humanos que costuma ser embrutecida pela pobreza se alfabetizaria e aprenderia pensar por si; e depois que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde essa massa se daria conta de que a minoria privilegiada não tinha função nenhuma e acabaria com ela”

 

“Vivemos uma era em que a liberdade de pensamento será de início um pecado mortal e mais tarde uma abstração sem sentido?”

 

"O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime É a morte."

 

"Nada existe fora da consciência humana"

 

"A partir do momento em que se declarasse guerra ao Partido era melhor pensar em si próprio como um cadáver."

 

"A batalha chegara ao fim. Ele conquistara a vitória sobre si mesmo"

 

"Nos velhos tempos, pensou, um homem olhava para o corpo de uma mulher, via que era desejável e pronto. Mas não se podia sentir amor puro ou desejo puro atualmente. Nenhuma emoção era pura, porque tudo estava misturado a medo e ódio. A união deles tinha sido uma batalha; o clímax, uma vitória. Fora um golpe contra o Partido. Um ato político."

 

"(...) não havia absolutamente nenhum tipo de imbecilidade imposta pelo Partido que ela não fosse capaz de engolir."

"O capitalismo falhou, falha e falhará em cada uma das sociedades aonde ele colocar os seus tentáculos que se baseiam na expropriação e na exploração do homem pelo homem. É isso que nós combatemos!"

 

"Afinal, qual é a justificativa para a existência de uma palavra que significa apenas o contrário da outra? A palavra já carrega em si mesma seu oposto. A palavra ‘bom’, por exemplo. Se existe uma palavra como ‘bom’, qual é a necessidade de uma palavra como ‘ruim’? ‘Desbom’ serve perfeitamente? e até melhor, porque é um oposto perfeito, enquanto a outra palavra não.?

 

Nós não destruímos nossos inimigos: nós os modificamos.

 

Contar mentiras deliberadas acreditando plenamente nelas, esquecer qualquer fato que se torne inconveniente e, quando necessário, resgatá-lo do esquecimento apenas pelo tempo que for preciso, negar a existência da realidade objetiva e, ao mesmo tempo, levar em conta a realidade negada ? tudo isso é absolutamente primordial. Até mesmo o uso do termo duplopensar é indispensável para o exercício do duplopensar. Pois, ao usar a palavra, a pessoa admite que está manipulando a realidade e, com um segundo ato de duplopensar, a pessoa esquece dessa manipulação. É assim indefinidamente, com a mentira se mantendo sempre um passo à frente da verdade.

 

Você estará oco. Nós vamos espremê-lo até que fique vazio, e então iremos preenchê-lo.

 

ensinava que os proletas eram naturalmente inferiores e deveriam ser mantidos em estado de submissão, como animais, com a aplicação de algumas regras simples.

 

Por isso, era quase impossível esperar que essa ‘minoria’ despertasse para o que estava de fato acontecendo. Winston, no entanto, nunca perdeu a esperança.

 

"O lugar onde não existe escuridão era o futuro imaginado que ninguém veria, mas que, através da persistência, era possível compartilhar em um nível místico"

 

GUERRA É PAZ.

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO.

IGNORÂNCIA É FORÇA.

 

WAR IS PEACE

FREEDOM IS SLAVERY

IGNORANCE IS STRENGTH