quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

RESENHA - THE SCARLET LETTER

 

"Ela era uma mulher transformada, sua vergonha agora se tornara sua coroa."


Segunda leitura intercalada com escuta do audiolivro pelo Spotify.
Faz tempo que tenho interesse em ler esse clássico, ainda adolescente quando descobri uma referência no filme “A Mentira" com Emma Stone.



"A verdade pode não nos libertar do sofrimento, mas nos liberta da mentira."

A Letra Escarlate não foi uma leitura fácil, tampouco prazerosa.
Demorei bastante tempo, e no final não gostei muito.
Publicado em 1850 por Nathaniel Hawthorne, o romance não conseguiu me cativar, acho que até pela voz da narradora e o sotaque, que tenho certeza que foram escolhidos para representar o lugar onde a história acontece.
Talvez por isso fiquei sem entender muita coisa, sem contar que o autor se debruça em longas descrições que não levam a lugar algum.
E ouvindo fica ainda mais difícil de acompanhar...



"Nenhum homem por mais puro que seja pode escapar dos fantasmas do seu próprio coração."

No geral, não achei o enredo interessante, e não tem nada a ver com o fato de ser um livro antigo.
O mistério sobre a relação adultéra foi para mim a melhor parte, e quem sabe uma adaptação do romance ficaria legal, mas não fui atrás de assistir.
O livro tem um valor muito grande para a literatura estadunidense, e acho que somente isso.
Lá o livro é um verdadeiro clássico, e leitura obrigatória.
Fora desse contexto, não é todo mundo que consegue gostar.
É mais um daqueles livros que tem quem ama e quem odeia. Tem que ler para saber!



"Sê verdadeiro! Sê verdadeiro! Sê verdadeiro! Mostra livremente ao mundo, se não o que em ti há de pior, ao menos alguns traços, dos quais se possa inferir o pior!"

Citacões



O amor, quando nascido de novo, ou desperto de um sono quase de morte, deve sempre criar uma luz de sol, enchendo o coração de tanto brilho, que por força transborda para o mundo externo.”



A escarlate por seu significado original. Diziam que significava ‘abençoada’, tão forte era Hester Prynne com sua disposição de mulher.”



"Let her cover the mark as she will, the pang of it will be always in her heart."



We dream in our waking moments, and walk in our sleep.



"The same dark question obtenção rose into her mind with reference to the whole race of womanhood. Was existence worth living, even to the happiest among them? As concerning her own individual existence, she had long ago decided in the negative, and dismissed the point as settled. At times a fearful doubt stroceto possess her soul, whether it were not better to send Pearl at once to heaven, and go herself to such futurity as Eternal Justice should provide. On a field, sable, the letter A, gules."



Sinopse em inglês



It is 1642 in the Puritan town of Boston. Hester Prynne has been found guilty of adultery and has born an illegitimate child. In lieu of being put to death, she is condemned to wear the scarlet letter A on her dress as a reminder of her shameful act. Hester's husband had been lost at sea years earlier and was presumed dead, but now reappears in time to witness Hester's humiliation on the town scaffold. Upon discovering her deed, the vengeful husband becomes obsessed with finding the identity of the man who dishonored his wife. To do so he assumes a false name, pretends to be a physician and forces Hester keep his new identity secret. Meanwhile Hester's lover, the beloved Reverend Dimmesdale, publicly pressures her to name the child's father, while secretly praying that she will not. Hester defiantly protects his identity and reputation, even while faced with losing her daughter, Pearl. Hailed by Henry James as, "the finest piece of imaginative writing yet put forth in the country," Hawthorne's The Scarlet Letter is a masterful portrayal of humanity's continuing struggle with sin, guilt and pride.



Sinopse em português



Quando a intimidade é proibida e a paixão é pecado, amar é um crime. O ambiente, asfixiante de puritanismo, duma colónia do Novo Mundo e, nele, o drama de um amor taxado de pecaminoso pelo convencionalismo da sociedade. O drama do amor entre um homem e uma mulher – uma mulher corajosa e um homem frouxo: enquanto ela enfrenta o opróbrio a que a votam, ele, «piedoso» ministro da religião, acoberta-se na respeitabilidade de uma fachada irrepreensível, a esconder o drama profundo duma consciência torturada pelo remorso. Um livro forte e pungente, um dos mais poderosos romances da literatura americana do séc. XIX e ao qual Nathaniel Hawthorne deve a sua consagração como escritor com assento entre os grandes nomes da Literatura Universal.




domingo, 14 de dezembro de 2025

RESENHA - IL GABBIANO JONATHAN LIVINGSTON

 

Uma fábula sobre sonhos, onde gaivotas são como pessoas.

Nova tentativa de ler em italiano, dessa vez com um pouco mais de facilidade.

Já faz um tempo que leio edições com menos de 150 páginas e sigo me surpreendendo com a beleza do texto e a profundidade dos sentimentos apesar das poucas páginas.



"Não acredite no que os teus olhos te dizem. Eles só mostram limitações. Veja com o seu entendimento, descubra o que você já sabe, e encontrará a maneira de voar.”



O texto é bem sútil, feito de comparações com nossa própria vida.

Leitura curta, como venho fazendo com todos os livros em italiano que leio.

Edição lindíssima, recheada de imagens, tornando a experiencia uma verdadeira imersão.

É aquele tipo de livro que para gostar depende muito do momento da vida no momento da leitura, da maturidade, do sentir e não apenas entender.


Você tem a liberdade de ser você mesmo, seu verdadeiro eu, aqui e agora, e nada pode impedi-lo.”



Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach é um texto bastante filosófico e que nos exige reflexão. Pode ser interpretado como um livro infantil, porém é bem mais que isso.

Trata-se da obra mais célebre de Richard Bach, com milhões de exemplares vendidos, transformando o autor em uma espécie de guru.

Achei um livro bacana, que sem dúvidas posso recomendar a outras pessoas.



"Vê mais longe a gaivota que voa mais alto."


Citações favoritas



o medo e a ira são as razões porque a vida das gaivotas é tão curta.”



Você pode ser o que quiser ser, basta acreditar que pode voar.”



"Por que a coisa mais difícil do mundo é convencer um pássaro que ele é livre?"



"Sentiu-se melhor em ser apenas outra gaivota do bando; não haveria mais desafios e nenhum outro fracasso."




"Você começará a se aproximar do paraíso no momento em que alcançar a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilômetros por hora, nem a um milhão e quinhentos mil, nem voar à velocidade da luz. Porque nenhum número é um limite, e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita, meu filho, é estar ali."



“— Por que será — interrogou-se Fernão — que a coisa mais difícil do mundo é convencer a um pássaro de que é livre e de que pode prová-lo a si mesmo se se dedicar a treinar um pouco?”




"A maioria das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que o mínimo, no que se refere a voar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para essa gaivota, porém, o que importava não era a comida, mas o voo."



"Nós somos livres para ir aonde nos aprouver e ser o que somos"



Sinopse em português




Fernão era uma gaivota que se diferenciava do seu grupo. Enquanto todas as outras gaivotas viviam em função de procurar alimento, Fernão queria desenvolver o seu voar. Os outros membros do bando só aprendiam o básico desta técnica e classificavam o protagonista como esquisito. Até seus pais disseram que ele não poderia ser mais do que uma gaivota. Fernão até tentou ser como os outros, mas não conseguiu. Continuou se dedicando a aprender maiores e melhores técnicas de voo. Sua persistência fez com que o bando o banisse, então Fernão viveu isolado o resto de sua vida desenvolvendo suas habilidades. Quando passou para o outro plano, encontrou outras gaivotas que também treinavam técnicas de voo. Fernão aprendeu com os mais velhos neste plano e descobriu que tudo é possível com força de vontade e pensamento. Depois resolveu voltar ao mundo onde antes vivia para ajudar o bando que o banira. Encontrou jovens gaivotas banidas a quem acolheu como alunos e, antes que passasse para o plano superior, deixou um sucessor. A história é um hino à liberdade, mostrando às pessoas que é possível inventar suas próprias leis e abandonar modelos pré-estabelecidos. Brinda às coisas feitas com qualidade e coração. Uma lição de fé, otimismo e perseverança que ensina que a vida é mais do que apenas o que os nossos olhos veem.



Sinopse em italiano



Jonathan Livingston è un gabbiano che abbandona la massa dei comuni gabbiani per i quali volare non è che un semplice e goffo mezzo per procurarsi il cibo e impara a eseguire il volo come atto di perizia e intelligenza, fonte di perfezione e di gioia. Diventa così un simbolo, la guida ideale di chi ha la forza di ubbidire alla propria legge interiore; di chi prova un piacere particolare nel far bene le cose a cui si dedica. E con Jonathan il lettore viene trascinato in un'entusiasmante avventura di volo, di aria pura, di libertà.


Sinopse em francês



Jonathan est un goéland singulier. Il refuse de voler uniquement pour se nourrir. Il veut voler pour le plaisir : toujours plus vite, toujours plus haut. Il finira par être chassé de son clan, condamné à une vie solitaire jusqu'au jour où il rencontrera d'autres adeptes du vol libre... L'auteur, un passionné d'aviation, traduit ainsi l'histoire de Jonathan : "Exigez la liberté comme un droit, soyez ce que vous voulez être. Découvrez ce que vous aimeriez faire et faites tout votre possible pour y parvenir."



Sinopse em inglês





Flight is the metaphor that brings meaning to this allegory about a unique bird named Jonathan Livingston Seagull. Ultimately the fable emphasizes the importance of seeking a higher purpose in life, even if one's flock, tribe, or neighborhood finds such ambition threatening. By not compromising his higher vision, Jonathan earns the ultimate reward of transcendence. Dreamy seagull photographs provide ideal illustrations for this spirituality classic.



Sinopse em espanhol



La novela que inspiró a varias generaciones de lectores, ahora con un nuevo capítulo final que le otorga una perspectiva inesperada. Hay quien obedece sus propias reglas porque se sabe en lo cierto; quien expresa un especial placer en hacer algo bien; quien adivina algo más que lo que sus ojos ven; quien prefiere volar a comprar y comer. Todos ellos harán amistad duradera con Juan Salvador Gaviota. Habrá también quienes volarán con Juan Gaviota por lugares de encanto y aventura, y gozarán como él de una luminosa libertad. Para unos y otros será una experiencia inolvidable. Juan Salvador Gaviota es la obra más célebre de Richard Bach, que ha sido traducida a más de treinta idiomas, lleva vendidos más de treinta millones de ejemplares, ha sido llevada al cine y ha inspirado obras musicales.



RESENHA - EU NÃO SOU A SUA EMPREGADA


Bonito relato, comovente e interessante do início ao fim.


mas não me restam dúvidas, o mundo é movido a magia”



Uns dos raros casos em que leio o livro de uma autora que conheço pessoalmente, o que torna a experiência ainda mais singular. Trata-se de uma leitura envolvente, que em poucas páginas nos transporta para um drama familiar entre ficção e realidade.



afinal de contas, o que é memoria, se não uma grande mentirosa?”



Eu não sou a sua empregada” é uma mescla de acontecimentos históricos brasileiros e o quotidiano da personagem Lia e sua família. Uma obra baseada na crítica de uma realidade de desigualdades e abusos, principalmente baseado na vivência das mulheres brasileiras negras, pobres e que são forçadas a trocar o campo pela cidade.


na vida do migrante ele nunca sabe se e quando voltará. Isso faz de cada despedida a última.”




Lia Vieira, pseudônimo para Elisângela Gonçalves Lacerda, escreve com honestidade e sem rodeios. A forma direta do texto facilita sua apresentação para um público vasto, sem fazer distinção de classe ou origem. Fortemente influenciado pelas narrativas orais, inúmeras vezes temos a sensação de estarmos ali do ladinho da autora ouvindo-a contar essa história.



Acho que todo começo é assim. Acredito que ninguém começa algo sofrendo. O sofrimento vai sendo construído com o tempo.”




Autor: Liá Vieira

Selo: Dialética Literária

Páginas: 116

Ano: 2024



SINOPSE




"Eu não sou a sua empregada!" é um emocionante relato da história de vida da autora e sua família. Com destaque para a capacidade de superação de sua mãe perante a pobreza, as lutas familiares e os transtornos mentais, a obra transporta o leitor para uma jornada tocante e inspiradora. Por meio de capítulos, a autora expõe reflexões sobre temas relevantes e os intercala com vivências de sua família. A linguagem utilizada é clara e acessível, tornando a narrativa legível para um público amplo.


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

RESENHA - SEDA - Alessandro Barrico


Talvez seja porque a vida, às vezes, se apresenta de maneira tal, que não há mais nada a dizer”


Curtinho e com capítulos que são quase histórias individuais.

Li em três dias. O livro me cativou desde o início.

Com menos de 150 páginas consegue ser extremamente bonito, tocante, bem completo.




"Era o desejo de Hélène, convencida de que a tranquilidade de um refúgio isolado dissolveria o humor melancólico que parecia ter se apossado do marido. Tivera a esperteza, no entanto, de fazê-lo pensar que era um capricho pessoal dela, proporcionando ao homem que amava o prazer de perdoá-lo."


Seda aborda, entre outros temas, o que a falta de comunicação faz com as pessoas.

Obra de Alessandro Baricco, lançado originalmente em italiano, porém li em espanhol.

Publicado pela primeira vez em 1996 saiu no Brasil em 2007 pela Companhia das Letras.



Partiu com oitenta mil francos em ouro e cruzou a fronteira vizinha a Metz, atravessou o Württemberg e a Bavíera, entrou na Áustria, alcançou de trem Viena e Budapeste, e depois prosseguiu até Kiev. Percorreu a cavalo dois mil quilômetros de estepe russa, passou pelos Urais, entrou na Sibéria, viajou por quarenta dias até alcançar o lago Baikal, que as pessoas do lugar chamavam: mar. Desceu o rio Anuir, costeando a fronteira chinesa até o oceano, e, quando chegou ao oceano, deteve-se no porto de Sabirk por onze dias, até que um navio de contrabandistas holandeses o levou ao cabo Teraya, na costa oeste do Japão.”


Parece um exercício de escrita, algo entre um conto, um romance e uma fábula.

Breve e poético, aqui o autor usa a repetição do texto como forma de mostrar a rotina dos personagens.

É uma leitura leve, para quem tem presa e ainda assim, busca algo com certa profundidade.



Comprando e vendendo bichos-da-seda, todo ano Hervé Jouncour ganhava uma quantia suficiente para assegurar a si e à mulher aqueles confortos que na província são considerados luxo. Gozava com discrição de suas posses, e a perspectiva, verossímil, de se tornar rico de fato o deixava completamente indiferente. Era, além disso, um daqueles homens que amam observar a própria vida, julgando imprópria qualquer ambição de vivê-la.”


Citações


Era o ano de 1861. Flaubert escrevia Salammbô, a iluminação elétrica ainda era hipótese, e Abraham Lincoln, do outro lado do oceano, combatia uma guerra cujo fim nunca veria."


"Hélène, como todo ano, ajudou-o, sem nada perguntar, e escondendo sua inquietação. Só na última noite, depois de apagar a luz, encontrou força para lhe dizer

- Prometa-me que voltará.

Com voz firme, sem doçura.

- Prometa-me que voltará.

No escuro, Hervé Joncour respondeu

- Prometo."


Não abra os olhos, e terá minha pele”


Sinopse em português


Uma mistura de romance, conto, fábula e relato de aventura, Seda é a história de um homem que mergulha num universo de mistério, onde vive uma paixão proibida. Mas é, acima de tudo, um livro a respeito de sensações, descritas na prosa ao mesmo tempo concisa e lírica de um dos mais importantes escritores italianos.


É no caráter híbrido, irredutível a classificações imediatas, que reside a riqueza de Seda. A história se desenvolve sobre a trajetória de Hervé Joncour, numa cidade francesa cuja economia floresce, em meados do século XIX, com o incipiente negócio da seda. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o produto, descortina-se para ele um mundo a um tempo arcaico e novo, no qual a estranheza se mistura ao fascínio e à paixão.


Seda é um relato de sensações, de como a realidade objetiva se transmuda na visão, na memória e na linguagem. O texto se desenvolve sobre as imagens possíveis do que é puro mistério para Joncour: o fim do mundo, definido como invisível, cores mais leves que o nada, ideogramas que são como cinzas de uma voz queimada<. É em tal poder evocativo das palavras que o protagonista acaba encontrando, já velho e reconciliado com as lembranças, um sentido para a existência. Nesse tempo pouco definível, entre o passado ainda ardente e a melancolia de um futuro pacífico, ele encontra um modo exato de estar no mundo.


Sinopse em espanhol


El autor presentaba la edición italiana de este libro, que tuvo un éxito extraordinario, con estas palabras: Ésta no es una novela. Ni siquiera es un cuento. Ésta es una historia. Empieza con un hombre que atraviesa el mundo, y acaba con un lago que permanece inmóvil, en una jornada de viento. El hombre se llama Hervé Joncour. El lago, no se sabe. Se podría decir que es una historia de amor. Pero si solamente fuera eso, no habría valido la pena contarla. En ella están entremezclados deseos, y dolores, que no tienen un nombre exacto que los designe. Esto es algo muy antiguo. Cuando no se tiene un nombre para decir las cosas, entonces se utilizan historias. No hay mucho más que añadir. Quizá lo mejor sea aclarar que se trata de una historia decimonónica: lo justo para que nadie se espere aviones, lavadoras o psicoanalistas. No los hay. Quizá en otra ocasión.


Sinopse em italiano



La Francia, i viaggi per mare, il profumo dei gelsi a Lavilledieu, i treni a vapore, la voce di Hélène. Hervé Joncour continuò a raccontare la sua vita, come mai, nella sua vita, aveva fatto. "Questo non è un romanzo. E neppure un racconto. Questa è una storia. Inizia con un uomo che attraversa il mondo, e finisce con un lago che se ne sta lì, in una giornata di vento. L'uomo si chiama Hervé Joncour. Il lago non si sa."


Sinopse em francês



Vers 1860, pour sauver les élevages de vers à soie contaminés par une épidémie, Hervé Joncour entreprend quatre expéditions au Japon pour acheter des neufs sains. Entre les monts du Vivarais et le Japon, c'est le choc de deux mondes, une histoire d'amour et de guerre, une alchimie merveilleuse qui tisse le roman de fils impalpables. Des voyages longs et dangereux, des amours impossibles qui se poursuivent sans jamais avoir commencé, des personnages de désirs et de passions, le velours d'une voix, la sacralisation d'un tissu magnifique et sensuel, et la lenteur, la lenteur des saisons et du temps immuable.


Soie, publié en Italie en 1996 et en France en 1997, est devenu en quelques mois un roman culte - succès mérité pour le plus raffiné des jeunes écrivains italiens.


Sinopse em inglês


The author presented the Italian edition of this book by saying: This is not a novel. It is not even a story. It is a history. It begins with a man who travels the world, and finishes with a lake that remains immobile during a day of wind. The man's name is Hervé Joncour, the lake's name is unknown. You could call it a love story, but if it was only this, it would not have been worth telling. The book combines desires and sorrows that have no name, for when there is no name to call things by, you tell stories.




RESENHA - BRAVE NEW WORLD (Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley)


Eu reclamo o direito de ser infeliz”



Uma história sobre o preço da liberdade. Uma sociedade onde tudo é banal. Um futuro que pode estar cada vez mais próximo de se tornar realidade. Aqui a dominação vem pelo oposto da violência e a felicidade excessiva é usada para incomodar o leitor.



"comunidade, identidade e estabilidade"



Algumas partes chocantes, ainda mais para a época da publicação (1932), no que diz respeito ao sexo, drogas, os diversos vícios e a religião. Um livro sombrio e filosófico apresentado uma Londres retro futurístico, que cada vez mais se aproxima do nosso presente. O autor teve muita criatividade para compor esse romance em uma época em que a tecnologia estava engatinhando.



" As palavras cantantes vergastaram-no com seu sarcasmo. "Como é bela a humanidade! Oh! admirável mundo novo...!



Foi uma leitura demorada, nada que diminua a qualidade do romance. Realmente um mundo novo, cheio de coisas inacreditáveis. Tem também todos os preconceitos da época, principalmente as representações femininas. De maneira geral, faltou desenvolver melhor os personagens, como a maior parte dos livros do gênero, ele passa mais tempo mostrando vislumbres do futuro - e de como o autor o enxergava-, do que propriamente nos personagens.



"As pessoas são felizes, conseguem o que querem e nunca querem o que não podem ver!"



Ao lado de obras como Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, 1984 de George Orwell, que apresentavam governos totalitários de esquerda e de direita, Admirável Mundo Novo vem recheado da crítica afiada e influente mesclando ficção e política.


Todos pertencem a todos”



Com Admirável Mundo Novo acredito que li quase todos os grandes mestres da ficção científica e distopias mais clássicas tais como Aldous Huxley, Philip K. Dick, Margaret Atwood, George Orwell, Ray Bradbury e Anthony Burgess. Todos com obras de grande impacto na cultura pop. Nos próximos meses quero ler algo do H G Wells e Nós, escrito por Iêvgueni Zamiátin.


"O fim é melhor que o meio. Quanto mais roupas se rasgam, mais roupas se compram"



Esse não é o tipo de livro para ler quando jovem, e para ser lido com mais madurez, para entender a sátira, a ficção que flerta com a realidade. Definitivamente é um livro que ressona para fora das páginas, durante e após cada capítulo.



Se tornar os indivíduos felizes é fazê-los amar a sua servidão, a função da planificação consiste em continuar a gerar as condições presentes e futuras dessa felicidade servil.”



CITAÇÕES


"I'm claiming the right to be unhappy"


"O brave new world." By some malice of his memory the Savage found himself repeating Miranda’s words. "O brave new world that has such people in it!".


"But I don't want comfort. I want God, I want poetry, I want real danger, I want freedom, I want goodness. I want sin."


But think of the enormous, immeasurable durations it can give you out of time. Every soma-holiday is a bit of what our ancestors used to call eternity.


That the purpose of life was not the maintenance of well-being, but some intensification and refining of consciousness, some enlargement of knowledge.”



"I know quite well that one needs ridiculous, mad situations like that; one can't write really well about anything else. Why was that old fellow such a marvellous propaganda technician? Because he had so many insane, excruciating things to get excited about. You've got to be hurt and upset; otherwise you can't think of the really good, penetrating, X-rayish phrases.”


"'Oh brave new world!' It was a challenge, a command."



"Livraram-se deles. Sim, é bem o modo de os senhores procederem. Livrar-se de tudo o que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. É mais nobre para a alma sofrer os açoites do azar e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las... Mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil demais".


“— É o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo o condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar.”


"O Selvagem concordou inclinando a cabeça com tristeza. Em Malpaís, sofrera porque o haviam excluído das atividades comunitárias do pueblo, na Londres civilizada, sofria porque nunca podia fugir dessas atividades comunitárias, nunca podia estar sossegado e só".


O condicionamento para a morte começa aos dezoito meses. Cada petiz passa duas manhãs, todas as semanas, num hospital para moribundos. Lá encontram os brinquedos mais aperfeiçoados, e dão-lhes creme de chocolate nos dias em que há mortes. Aprendem, dessa forma, a considerar a morte como uma coisa banal.”


SINOPSE EM PORTUGUÊS


Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.


Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.


Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo.


SINOPSE EM INGLÊS


Far in the future, the World Controllers have finally created the ideal society. In laboratories worldwide, genetic science has brought the human race to perfection. From the Alpha-Plus mandarin class to the Epsilon-Minus Semi-Morons, designed to perform menial tasks, man is bred and educated to be blissfully content with his pre-destined role. But, in the Central London Hatchery and Conditioning Centre, Bernard Marx is unhappy. Harbouring an unnatural desire for solitude, feeling only distaste for the endless pleasures of compulsory promiscuity, Bernard has an ill-defined longing to break free. A visit to one of the few remaining Savage Reservations where the old, imperfect life still continues, may be the cure for his distress…